Família é expulsa de casa no Barroso e caminhão de mudança precisa de escolta da Polícia Militar em Fortaleza


 



Famílias precisaram deixar as próprias casas sob escolta da Polícia Militar na comunidade do Barreirão, no bairro Barroso, em Fortaleza, após ordem de uma facção para abandonar os imóveis. A equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza registrou com exclusividade o momento em que um caminhão de mudança retirava os pertences de uma das famílias, enquanto policiais militares acompanhavam a operação para garantir a segurança da família.

Segundo as informações apuradas no local, cerca de oito famílias foram obrigadas a deixar as residências depois de receberem um prazo de apenas 24 horas para sair. Conforme os relatos, a determinação partiu de criminosos que passaram a controlar a área após uma disputa entre grupos rivais.

As informações levantadas pela reportagem indicam que a comunidade era dominada por um grupo criminoso, mas passou a ser controlada por uma facção rival. Após assumir o domínio do território, os criminosos passaram a determinar quais moradores poderiam permanecer na região e quais deveriam deixar as casas.

Durante a movimentação acompanhada pela reportagem, diversas residências já estavam vazias. Algumas permaneciam abertas, enquanto outras ainda continham objetos deixados para trás por moradores que saíram às pressas.

Equipes do Batalhão de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (Raio) e Polícia Militar permaneceram na comunidade para acompanhar a retirada da família e reforçar a segurança no local.

Moradora teria sido obrigada a sair por possuir câmeras de segurança

De acordo com as informações repassadas à reportagem, a família que deixava a residência no momento da cobertura teria recebido a ordem para abandonar o imóvel porque a moradora mantinha câmeras de monitoramento instaladas na casa.

Ainda conforme o relato obtido no local, ela havia instalado os equipamentos por questões de segurança e chegou a retirá-los após determinação dos criminosos. Mesmo assim, teria sido acusada de utilizar as câmeras para repassar informações ao grupo rival, apesar de afirmar que não possuía qualquer ligação com organizações criminosas.

Independentemente de serem proprietários ou moradores de imóveis alugados, as famílias não tiveram alternativa além de deixar as residências.

Jovem relata perda da casa construída pela mãe

Um dos moradores ouvidos pela reportagem contou que vive na comunidade desde a infância e afirmou que a família foi surpreendida pela ordem de deixar o imóvel.

Segundo ele, a mãe trabalhou durante anos e fez empréstimos para construir a casa onde a família morava. Agora, todos precisaram sair sem saber quando poderão retornar.

O jovem relatou que completou 18 anos no mesmo dia em que recebeu a determinação para abandonar a residência. Conforme o depoimento, a notícia chegou poucas horas depois das comemorações pelo aniversário.

Ele também afirmou que a família ainda não sabe para onde irá e que a perda da casa construída pela mãe representa uma mudança repentina na vida de todos.

Moradores tiveram apenas 24 horas para sair

Conforme os relatos, os moradores receberam o prazo de um dia para deixar as residências. Segundo as informações obtidas pela reportagem, havia o temor de que os imóveis fossem invadidos caso a determinação não fosse cumprida.

Enquanto uma das mudanças era realizada sob acompanhamento policial, outras famílias já haviam deixado a comunidade. Em várias casas restavam apenas alguns objetos abandonados.

Ceará teve prisões por expulsão de moradores

Casos de expulsão de moradores também motivaram operações policiais no Ceará. Em abril deste ano, mais de 100 pessoas foram presas em Fortaleza por suspeita de envolvimento em crimes relacionados ao deslocamento forçado de moradores.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), as prisões fazem parte de uma estratégia de enfrentamento a práticas utilizadas por grupos criminosos em disputas territoriais.

As ações integram o programa Ceará Contra o Crime, que reúne iniciativas das forças de segurança para combater a atuação de facções e ampliar a proteção da população.

A SSPDS informou que os resultados são consequência de um protocolo integrado iniciado em julho de 2025, com medidas como identificação de áreas consideradas críticas, acompanhamento de suspeitos e cumprimento de decisões judiciais.



(GC+)

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