Mesmo sem assassinato há 1 ano, população resiste em voltar a vilarejo

 Maria José do Nascimento, de 63 anos, há dez meses deixou a residência que sempre viveu em Uiraponga para ir morar com a filha em Limoeiro do Norte. — Foto: Thiago Gadelha/SVM

Há um ano, Uiraponga, distrito de Morada Nova, no interior do Ceará, ficou conhecido em todo o Brasil por se tornar um "vilarejo fantasma". Ameaçadas por facções criminosas, quase todas as famílias abandonaram o local às pressas. Das mais de mil casas, apenas cinco permaneceram habitadas. Desde então, o vilarejo, distante cerca de 200 km de Fortaleza, mudou.

O policiamento foi reforçado, nenhum assassinato foi registrado na comunidade e mais de 80 famílias retornaram. Ainda assim, o trauma deixado pela fuga em massa faz com que muitos ex-moradores relutem em voltar definitivamente.

"Foi doído! Uma das últimas que saiu fui eu. Todo mundo saiu chorando", lembra Maria José do Nascimento, de 63 anos, que hoje divide o tempo entre Uiraponga e a casa da filha, em Limoeiro do Norte.

Em 2025, a polícia prendeu 13 criminosos envolvidos nos "deslocamentos forçados", como a Secretaria da Segurança Pública do Ceará se refere aos crimes em que bandidos expulsam os residentes de casa. Entre eles, está um homem apontado como um dos mandantes dos crime na região, capturado em São Paulo.

G1 

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