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| O delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, concedeu entrevista ao programa Cidade 190, da TV Cidade Fortaleza, nesta terça-feira (28). Foto: Reprodução / TV Cidade Fortaleza |
A descoberta de uma grande plantação de maconha em Acopiara, no Centro-Sul do Ceará, levou a Polícia Civil a intensificar o monitoramento em áreas rurais do estado. A informação foi divulgada pelo delegado-geral da instituição, Márcio Gutiérrez, durante entrevista ao programa Cidade 190, da TV Cidade Fortaleza, nesta terça-feira (28). Segundo ele, a Delegacia de Narcóticos (Denarc) ampliou as investigações para identificar possíveis novos cultivos e verificar se o caso representa uma nova estratégia do crime organizado.
De acordo com o delegado, o objetivo é identificar rapidamente qualquer movimentação semelhante à registrada em Acopiara. As investigações também procuram esclarecer se a plantação descoberta foi um episódio isolado ou se há uma tentativa de expandir esse tipo de atividade para o território cearense.
"O que a gente via muito era ali na Bahia, Pernambuco, no Polígono da Maconha, enfim, era mais comum essas plantações serem identificadas lá. Mas nós identificamos essa aqui no nosso estado. Então temos feito o monitoramento, qualquer movimento estranho a gente tem conseguido identificar."
Márcio Gutiérrez explicou que a Denarc está à frente desse trabalho de monitoramento e das investigações relacionadas ao caso. Segundo ele, a Polícia Civil busca identificar se existem outras plantações ilegais ou se a ocorrência em Acopiara foi pontual.
O delegado destacou ainda que as organizações criminosas costumam alterar sua forma de atuação conforme a intensificação das ações policiais.
"O crime é dinâmico. Ele verifica a repressão, a força da repressão e busca trabalhar dentro daquelas janelas de oportunidade."
Segundo Márcio Gutiérrez, combater o tráfico de drogas continua sendo uma prioridade da Polícia Civil, tanto na repressão à comercialização quanto na identificação de áreas de cultivo, já que essa atividade financia organizações criminosas.
Destruição da plantação levou mais de dez dias
Outro ponto abordado pelo delegado foi o tempo necessário para concluir a erradicação da plantação encontrada em Acopiara. Segundo ele, a destruição da droga levou mais de dez dias devido à dimensão da área e aos procedimentos técnicos exigidos durante a operação.
"A erradicação daquela maconha demorou mais de 10 dias pra acontecer. Muita gente olhando dizia: por que não destruíram aquilo ali? Em nenhum momento aquilo ia ser destruído em um ou dois dias. É todo um trabalho que tem o corpo de bombeiros através de uma queima controlada, da Polícia Civil, da Polícia Militar fazendo as perícias, então é um trabalho de dias e semanas. Tamanha aquela plantação."
Conforme explicou o delegado-geral, participaram da ação equipes do Corpo de Bombeiros, responsáveis pela queima controlada da droga, além da Polícia Civil e da Polícia Militar, que realizaram perícias e acompanharam todas as etapas da operação.
Operação identificou suspeitos e segue em investigação
Márcio Gutiérrez afirmou que a localização da plantação foi resultado de um trabalho de inteligência da Polícia Civil. Segundo ele, a operação provocou prejuízo ao tráfico de drogas e permitiu identificar diversos suspeitos.
O delegado informou que já foram realizadas prisões, cumpridos mandados de busca e apreensão e promovidas operações interestaduais para localizar outros investigados.
De acordo com ele, parte dos suspeitos é de outros estados brasileiros, onde plantações semelhantes já haviam sido identificadas.
CGD apura falha na preservação da área
Durante a entrevista, o delegado confirmou que houve uma falha na preservação da área após a operação policial. Segundo ele, a ocorrência é investigada pela Controladoria Geral de Disciplina (CGD), por meio da Delegacia de Assuntos Internos.
A apuração busca esclarecer como a falha ocorreu, quanto tempo ela permaneceu e quais medidas poderão ser adotadas para impedir que situações semelhantes voltem a acontecer.
Márcio Gutiérrez ressaltou que essa investigação é independente da apuração sobre o tráfico de drogas.
"O que aconteceu em Acopiara? Uma grande operação de combate ao tráfico de drogas. Isso a gente não pode deixar de destacar. Foi uma grande operação da Polícia Civil do Ceará no enfrentamento ao tráfico de drogas, uma grande plantação de maconha que foi descoberta."
Segundo ele, a Polícia Civil pretende utilizar o resultado dessa investigação para aperfeiçoar seus protocolos operacionais.
Integração entre forças de segurança fortalece combate ao crime
O delegado-geral também destacou que o enfrentamento ao crime organizado depende da atuação integrada entre os órgãos de segurança pública.
Segundo Márcio Gutiérrez, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal e outros órgãos compartilham informações continuamente para ampliar a capacidade de investigação.
"A integração é o eixo central de qualquer estratégia de enfrentamento ao crime organizado."
Ele afirmou que essa cooperação é necessária porque as organizações criminosas atuam além das divisas estaduais, exigindo troca permanente de informações entre as instituições.
Centro Integrado reúne inteligência das forças policiais
Márcio Gutiérrez também destacou o papel do Centro Integrado de Segurança Pública (CISP), que reúne representantes da Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Secretaria da Segurança Pública e setores de inteligência.
Segundo ele, o compartilhamento de informações fortalece as investigações e amplia a capacidade de resposta das forças de segurança no combate ao crime organizado.
"O nosso CISP é um grande exemplo da integração, o nosso complexo de segurança pública, nós temos Polícia Civil, Polícia Militar, Bombeiros, Secretaria de Segurança Pública, o próprio complexo da inteligência, o nosso central de inteligência tem inteligência da Polícia Civil, da Polícia Militar, da própria Secretaria da Segurança Pública."
(GC+)



