Os 15 trabalhadores maranhenses que denunciaram atrasos salariais e supostas irregularidades nas condições de trabalho durante uma obra em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, já retornaram às cidades de origem, no Maranhão. Antes da viagem, todos receberam os salários que estavam pendentes, enquanto a empresa responsável pela construção custeou as passagens de volta.
A informação foi confirmada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza (STICCRMF), que acompanhou o caso desde as primeiras denúncias feitas pelos operários. Segundo a entidade, dois trabalhadores embarcaram ainda na quinta-feira e os demais iniciaram a viagem nas primeiras horas do dia seguinte.
Os pagamentos foram realizados em parcela única e variaram entre R$ 7 mil e R$ 13 mil, de acordo com o período trabalhado por cada profissional na obra.
Embora os trabalhadores já tenham recebido os valores devidos e retornado ao estado de origem, o caso continua sendo apurado pelos órgãos responsáveis pela fiscalização das relações de trabalho.
Pagamentos foram regularizados após atuação do sindicato
A Engeplan Construção Civil, responsável pela obra, efetuou o pagamento das verbas trabalhistas em atraso e financiou o retorno dos trabalhadores ao Maranhão.
Em nota, a empresa informou que os serviços executados no canteiro estavam sob responsabilidade de uma empresa terceirizada e afirmou que não tinha conhecimento das condições relatadas pelos operários durante a execução das atividades.
Segundo o STICCRMF, a entidade intermediou as negociações para garantir tanto o pagamento dos salários quanto o retorno dos trabalhadores às cidades de origem, encerrando a situação considerada mais urgente pelo sindicato.
Denúncia apontou atrasos salariais e condições precárias
O caso ganhou repercussão após o sindicato retirar os 15 trabalhadores da obra em Maranguape, depois de receber denúncias sobre possíveis irregularidades.
De acordo com os relatos apresentados pelos operários, eles foram recrutados no Maranhão ao longo deste ano — alguns ainda em janeiro — com a promessa de remuneração em torno de R$ 3 mil mensais e boas condições de trabalho.
Ao chegarem ao Ceará, entretanto, afirmaram ter encontrado uma realidade diferente da apresentada durante a contratação.
Conforme o sindicato, os trabalhadores foram alojados em um imóvel sem mobília, onde havia apenas espaço para instalação de redes.
Os operários também relataram que recebiam apenas um salário mínimo por mês, valor inferior ao prometido durante o recrutamento.
Outro ponto citado nas denúncias foi a falta de alimentação em determinados momentos. Segundo os depoimentos encaminhados ao sindicato, um encarregado teria condicionado o fornecimento de comida à continuidade do trabalho, mesmo diante dos atrasos salariais.
Além disso, os trabalhadores afirmaram que sofreram ameaças caso procurassem as autoridades para denunciar a situação.
As denúncias correspondem aos relatos apresentados pelos operários ao sindicato e seguem sendo analisadas pelos órgãos competentes.
MPT e Superintendência do Trabalho continuam investigando o caso
Além da atuação do STICCRMF, a ocorrência foi encaminhada à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Ceará (SRTE-CE).
Em nota, o órgão informou que a denúncia está sob análise da equipe de fiscalização e que serão adotados os procedimentos necessários para apurar os fatos.
O Ministério Público do Trabalho no Ceará (MPT-CE) também confirmou a instauração de uma Notícia de Fato para investigar as circunstâncias envolvendo os trabalhadores.
A abertura dos procedimentos não representa conclusão sobre eventual responsabilidade da empresa ou de outros envolvidos. O objetivo das investigações é verificar se houve descumprimento da legislação trabalhista, além de analisar aspectos relacionados à contratação, remuneração, alojamento e demais condições de trabalho relatadas pelos operários.
Mesmo com a regularização dos pagamentos e o retorno dos trabalhadores ao Maranhão, a apuração permanece em andamento e poderá resultar na adoção de outras medidas pelos órgãos fiscalizadores, caso sejam constatadas irregularidades.
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