A direção nacional da Federação União Progressista confirmou a validade da convenção estadual realizada no Ceará e manteve as decisões que definiram o apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado, além da indicação de Capitão Wagner para o Senado Federal e Roberto Cláudio para a vaga de vice-governador. Com isso, os partidos permanecem na oposição, na eleição cearense deste ano.
A decisão foi assinada na noite desta terça-feira (28) pelo presidente nacional da Federação, Antônio Rueda, e pelo vice-presidente nacional, senador Ciro Nogueira.
Com a manifestação da direção nacional, permanece válida a participação da Federação na coligação “Unir para Mudar”, além da composição da chapa majoritária aprovada durante a convenção estadual realizada no último domingo.
O documento foi elaborado após uma consulta apresentada pela direção estadual da Federação diante de questionamentos sobre as deliberações tomadas durante as convenções partidárias.
O movimento acontece em reação a supostas pressões que vinham sendo feitas para levar a União Progressista para a base governista no pleito deste ano, no estado do Ceará. Caso isso tivesse acontecido, as candidaturas de Wagner e RC ficariam comprometidas, uma vez que ambos integram o União Brasil.
Segundo a direção nacional, a convenção estadual da Federação é a instância responsável por formar a decisão eleitoral conjunta dos partidos federados no Ceará. A manifestação também aponta que decisões internas realizadas separadamente pelos partidos têm caráter indicativo, enquanto a definição eleitoral segue a decisão tomada pela convenção da Federação.
Capitão Wagner afirma que decisão garante segurança jurídica
Após a confirmação nacional, o presidente da Federação União Progressista no Ceará, Capitão Wagner, afirmou que a decisão confirma o entendimento defendido pelo grupo desde o início do processo.
"A Direção Nacional confirmou aquilo que sempre defendemos: a Convenção da Federação é a instância competente para deliberar sobre as eleições. A decisão preserva a legalidade, respeita o estatuto e garante segurança jurídica ao nosso projeto político no Ceará".
Durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (29), Capitão Wagner afirmou que sempre confiou no posicionamento da direção nacional da Federação e disse que não precisou buscar intervenções para validar o acordo político.
Roberto Cláudio diz que decisão confirma entendimento da Federação
Também durante a coletiva, Roberto Cláudio afirmou que a manifestação nacional apenas confirmou uma decisão que, segundo ele, já estava estabelecida pelo regimento da Federação.
"Não é nenhuma surpresa para nós essa carta, porque, na verdade, ela apenas confirma o entendimento que já havia, confirma também o que está no regimento da própria federação."
O ex-prefeito de Fortaleza afirmou ainda que o documento ajuda a encerrar versões apresentadas durante a disputa pelo partido na campanha deste ano. Segundo ele, o documento, de qualquer forma, "ajuda a sanar as versões e narrativas" que vinham sendo colocadas nos últimos dias no que diz respeito à definição das posições do União Brasil e do Progressistas no Ceará.
Roberto Cláudio também declarou que a decisão nacional só ocorreu porque a direção da Federação foi provocada a se manifestar.
"Por que a Federação mandou a carta? A rigor, não precisaria. A decisão da Federação Estadual, ela se encerrava em si. A decisão de apoio ao Ciro. Como a Nacional foi suscitada a se manifestar, por isso que ela se manifestou. Senão, não haveria nem a necessidade dessa carta."
Oposição aponta pressão sobre deputado e presidente do Senado
Durante a coletiva, Capitão Wagner e Roberto Cláudio também comentaram questionamentos envolvendo integrantes da base política adversária e citaram uma suposta pressão sobre o deputado federal Moses Rodrigues (União Brasil) e sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil).
Roberto Cláudio afirmou que, na avaliação dele, houve tentativa de alterar a decisão tomada pela Federação.
"Vocês têm alguma dúvida que o governo está pressionando os deputados Moses e AJ [Albuquerque]? Você tem alguma dúvida disso? Eles fazem parte da base do governo e estão sendo pressionados, foram pressionados a fazer o que fizeram, eu não tenho a menor dúvida disso."
Capitão Wagner também relatou que, durante a organização da convenção, percebeu movimentações envolvendo o deputado Moses Rodrigues:
"Durante a reunião que nós tivemos no sábado de organização da convenção, o telefone do deputado Moses não parou de tocar."
O dirigente também afirmou que houve pressão durante a definição da federação nacional. Ele conta que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, chegou a ser pressionado para influenciar a posição oficial da União Progressista no Ceará, "para que a federação fosse para o colo do governo".
(GC+)



