Viúvo de influencer Kah Felipe foi a hospital preparado para despedida

Káh Felipe fez postagem falando sobre saudade da família dois dias antes de morrer em hospital de Fortaleza. — Foto: Instagram/ Reprodução
Káh Felipe fez postagem falando sobre saudade da família dois dias antes de morrer em hospital de Fortaleza. — Foto: Instagram/ Reprodução
 



 Edmilson Alcântara, viúvo da influenciadora digital Káh Felipe, usou as redes sociais, nesta segunda-feira (27), para falar pela primeira vez após a morte da esposa. Káh vivia com Xeroderma Pigmentoso, doença genética rara (entenda mais abaixo). Ela morreu na última sexta-feira (24), após cerca de três de um diagnóstico de metástase. No dia da morte, Edmilson disse que foi ao hospital pronto para a despedida.

Karine de Sousa, de 36 anos, teve uma complicação na quinta-feira (23), um dia antes da morte. Na sexta, ele voltou à casa onde o casal morava, para tentar descansar. No mesmo dia, ele voltou ao hospital para ficar com a influenciadora, porém já imaginava que ela não resistiria.

“Eu chorei bastante na sexta, porque eu sabia que ir para lá [hospital] assistir, terminar de assistir ela indo embora aos pouquinhos, como foi. Mas só que eu não podia me acovardar e eu não ia abandonar a minha guerreira no momento que ela mais precisava. Durante a sexta, umas partes da manhã, eu ficava saindo para chorar, porque foi dolorido, gente”, lembrou Edmilson, que é estudante de nutrição.

A morte de Karine foi divulgada no perfil oficial dela, onde acumulava mais de 750 mil seguidores e mostrava detalhes da rotina. Conforme a publicação, a influenciadora morreu por volta das 14 horas da sexta-feira (24). Ela era casada e tinha quatro filhos.

“Foi sofrido. Ver tudo aquilo foi devastador. Mas quando eu vi que já não tinha mais jeito, já não tinha mais oração, já não tinha mais nada que nem a ciência pudesse fazer [...] Naquela hora eu me fiz forte e fiquei ali do seu lado”, destacou Edmilson.

Ela estava internada há 18 dias após sentir fortes dores e um inchaço na perna esquerda, tendo passado por algumas unidades de saúde, como o Hospital Geral de Fortaleza e o Hospital Universitário do Ceará. Neste período, ela estava em tratamento de uma pneumonia e outros problemas atribuídos aos efeitos colaterais da quimioterapia.

“Eu, com toda dor, devastado, consegui ficar ao lado dela. Eu segurando ela, beijando, falando palavras lindas, só que em forma de despedida, claro. Consegui ficar até o fim, mesmo aquilo me devastando”, disse Edmilson.

Perfil como memorial

Ele falou também que a influenciadora pediu que ele continuasse postando e alimentando o perfil dela nas redes sociais. No entanto, ele não pretende seguir usando a conta dela.

“Isso é uma das coisas que, infelizmente, eu, meu amor, não vou fazer. Porque eu quero que seu Instagram seja como um memorial. Não quero tumultuá-lo com stories meus ou com qualquer postagem”, disse Edmislon

O estudante comentou também que a filha do casal, que tem 3 anos, ainda não possui idade suficiente para entender a morte, mas pergunta onde está a mãe.

“‘Ô mamãe, por que você não vem para casa? Você está no céu?’”, pergunta a menina, conforme Edmilson. “Eu já estou traduzindo de certa forma, dizendo que a mamãe está no céu, que a mamãe é uma estrelinha”, complementou.

Publicação antes da morte

Káh Felipe fez uma publicação na rede social falando sobre a saudade da família, dois dias antes de morrer em um hospital de Fortaleza por conta de um câncer em metástase que atingiu seus ossos, fígado e pulmão. Na última publicação, Káh apareceu em uma sequência de fotos e vídeos abraçada com a filha caçula.

"16 dias internada, longe de casa, longe das pessoas que eu mais amo nessa vida , e quando eles vem aqui meu dia se torna mais leve, mais alegre!! E Hoje minha tarde foi cheia de muito amor, porque o papai trouxe ela pra ver a mamãe", publicou Káh Felipe na última quarta-feira (22).

O velório de Káh Felipe aconteceu no sábado (25), no Memorial Fortaleza, em Maracanaú, na Região Metropolitana.

Da internação ao óbito

Karine estava internada há 18 dias após sentir fortes dores e inchaço na perna esquerda, tendo passado por algumas unidades de saúde, como o Hospital Geral de Fortaleza e o Hospital Universitário do Ceará.

Neste período, ela estava em tratamento de uma pneumonia e outros problemas atribuídos aos efeitos colaterais da quimioterapia.

“Nossa guerreira cumpriu sua missão e deixou um legado de força, coragem e, acima de tudo, de fé. A fé era a palavra que melhor a definia. Ela acreditou até o fim e lutou com todas as suas forças, sem nunca perder a esperança”, divulgou o perfil por onde Karine atualizava os seguidores.

Desde que teve o diagnóstico de metástase, a vida de Káh mudou completamente. A médica havia dado uma previsão de 6 meses a 2 anos de vida. A partir de então, ela passou a se descrever como "uma paciente paliativa em fase terminal".

Rotina de dores

Karine recorria a doses de morfina para aliviar as dores físicas. A medicação era administrada a cada quatro horas. Quando a morfina não era suficiente, ela era levada à emergência do Instituto do Câncer do Ceará (ICC), onde recebia cuidados paliativos.

Ela começou a apresentar os primeiros sintomas da doença ainda aos três anos de idade, com manchas que a família achava se tratar de sardas. No entanto, a doença foi se desenvolvendo e causando tumores na pele dela.

Edmilson, marido de Karine, também comentava sobre os desafios da rotina após o diagnóstico da influenciadora.

"Eu tô vendo a mulher mais forte desse mundo desmoronar, chorar, se perguntar por quê. Eu fico revoltado. Eu não sei o que fazer. Eu não tenho o que fazer. Eu não posso fazer nada a não ser dar o meu apoio e ser o mais forte que eu conseguir no meio disso tudo. Embora, muitas vezes, em vez de ser a força, eu sou a fraqueza, porque eu choro mais do que ela", desabafou à época.

O que é a doença?

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) explica, no site da instituição, que o Xerodema Pigmentoso (XP) é uma doença genética, não contagiosa, que afeta igualmente ambos os sexos e é caracterizada por uma extrema sensibilidade à radiação ultravioleta (presente nos raios solares).

“Afeta, portanto, as áreas do corpo mais expostas ao sol como a pele e os olhos. Em pessoas com esse problema, após exposição à luz solar surge um ‘defeito’ no reparo do DNA, com possibilidade da pele formar câncer cutâneo”, explicou.

A entidade falou também que alguns indivíduos com XP podem apresentar envolvimento neurológico, mas é raro. “As chances de desenvolver XP são, segundo estatísticas norte-americanas e europeias, de 1 para 1 milhão. Portanto, uma afecção rara. Como é uma patologia hereditária, há transmissão genética para familiares”, destacou.

💡 O XP não se contrai por meio de contato físico (pessoa-pessoa), nem mesmo por contato com secreções, aerossóis (“espirros”, por exemplo). Os portadores da doença podem compartilhar de interação social, frequentando ambientes públicos, como colégios, creches etc., mas com extrema proteção solar, sem qualquer prejuízo a qualquer indivíduo.

A SBD explicou que a doença é tratada por meio da remoção de eventuais tumores e terapias tópicas com medicações apropriadas.

“No aspecto emocional, é importante que portadores da doença tenham amigos e sejam compreendidos, pois não devem se abster do convívio social. Com as devidas medidas de fotoproteção e prevenção, podem e devem participar de todas as atividades da comunidade da qual fazem parte”, destacou a entidade.



(G1/CE) 

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