
Casado e pai de dois filhos, ele viu nos concursos públicos a oportunidade de proporcionar uma vida melhor para a família. Hoje, o capacete deu lugar ao uniforme de aluno da Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará (Aesp/CE).
A mudança, entretanto, não aconteceu de um dia para o outro. Antes de trabalhar como motoboy, Leonardo foi jovem aprendiz. Com o dinheiro do primeiro emprego, comprou sua primeira motocicleta, aos 17 anos, e passou a fazer entregas por aplicativo — atividade que exerceu por anos.
Foi somente após o nascimento do primeiro filho, em 2023, que decidiu mudar de rumo.
"Quando eu tive meu primeiro filho, vi que não estava dando para manter uma condição bacana com esse serviço. Aí analisei outros meios e percebi que, através do concurso público, eu conseguiria proporcionar mais qualidade de vida para minha família. Foi aí que despertei para esse mundo dos concursos, mais voltado para a segurança pública."
Rotina intensa de estudos
Casado e pai de João Miguel, de 3 anos, e Tobias Bernardo, de 1 ano e 10 meses, Leonardo passou a conciliar os estudos durante o dia com o trabalho como entregador à noite.
A rotina exigia disciplina. De segunda a sábado, dividia o tempo entre o trabalho e a preparação para os concursos. Aos domingos, fazia simulados e reservava parte do dia para ficar com a família. Nos períodos mais intensos, ainda precisava conciliar os estudos com os cuidados do filho enquanto a esposa trabalhava.
"Eu cuidava do neném durante a manhã, estudava à tarde e trabalhava à noite. Depois, nós entramos em um consenso para ela sair do serviço e ficar com ele, enquanto eu passava o dia estudando e à noite trabalhando."
A dedicação deu resultado. Leonardo foi aprovado em três concursos públicos. Antes mesmo de iniciar a formação como investigador, em 2026, chegou a ingressar no curso de formação de soldados da Polícia Militar do Ceará (PMCE). No entanto, ainda na primeira semana, foi convocado para integrar a turma da Polícia Civil.
Inicialmente, seu objetivo era ingressar na Polícia Rodoviária Federal (PRF). Tanto que chegou a cursar um tecnólogo em Segurança no Trânsito, em Teresina. Com o tempo, porém, a atividade investigativa despertou seu interesse e fez com que mudasse de planos.
Questionado sobre o motivo dessa mudança, Leonardo é enfático.
"A hombridade que a Polícia Civil tem com a sociedade. Apesar de a PRF ser uma instituição bastante relevante, com apreensão de drogas, armas e atuação na fronteira, a Polícia Civil está mais no dia a dia das pessoas. São os crimes mais cotidianos que a gente vê acontecer. A vontade de ingressar nessa instituição falou mais alto."
Saudade de casa
Atualmente morando em Fortaleza para cumprir a formação, Leonardo afirma que a distância da esposa e dos filhos tem sido seu maior desafio. Segundo ele, a saudade supera até mesmo o desgaste físico da rotina intensa de estudos.
"A gente acorda às quatro da manhã, chega em casa só à noite, tem pouco tempo para estudar e descansar. Mas, apesar de tudo isso, a parte mais difícil continua sendo ficar longe da família. Já coloquei na mente que é por um bem maior e, daqui a pouco, vou reencontrá-los novamente."
Meta para o futuro
Entusiasmado, Leonardo afirma que pretende atuar em uma unidade especializada da Polícia Civil, de preferência no combate ao crime organizado, assim que concluir o curso de formação.
Ao olhar para a trajetória que percorreu, da época em que fazia entregas por aplicativo ao momento em que se prepara para ingressar na Polícia Civil, o sentimento predominante é de gratidão. Para ele, sua história também serve de incentivo para outras pessoas que sonham em conquistar uma vaga no serviço público.
"Eu não tenho nenhum servidor da área da segurança pública na minha família e, muitas vezes, pensava que isso não era para mim, que era só para pessoas muito inteligentes. Também estudei a vida toda em escola pública e muita gente dizia que eu não conseguiria. Mas isso não importa. Se você tem um objetivo e força de vontade, só basta querer mesmo. Muita determinação."
O Povo


