Gasolina cai pela oitava semana seguida em Fortaleza e chega a R$ 6,51; veja o que explica redução

 



O preço médio da gasolina comum caiu pela oitava semana consecutiva em Fortaleza e chegou a R$ 6,51 por litro. A sequência de reduções tem sido sentida principalmente por motoristas que dependem do veículo para trabalhar, embora o combustível ainda seja considerado caro por quem precisa abastecer com frequência.

No Ceará, o movimento também é de queda. O preço médio da gasolina comum recuou pela sétima semana seguida, passando de R$ 6,71 para R$ 6,67 por litro.

Para quem utiliza o carro diariamente, mesmo uma redução de alguns centavos pode representar uma diferença no orçamento ao longo do mês. É o caso do motorista particular Fabrício Lima, que percebeu a mudança diretamente no valor reservado para o abastecimento.

Antes, Fabrício gastava cerca de R$ 50 por dia com gasolina. Agora, segundo ele, consegue manter o gasto em torno de R$ 40. "Quando baixa, melhora. Quando aumenta, piora, mas dá mais uma mexida no bolso", afirma o motorista.

A percepção é semelhante entre outros trabalhadores que utilizam veículos diariamente. O mecânico de ar-condicionado Jefferson de Freitas considera que, apesar das reduções recentes, o preço ainda está elevado. "Está muito pesado ainda, diminui mais, né? Para a gente que anda com transporte, está muito caro a gasolina", afirma.

Gasolina em Fortaleza cai pelo oitavo período seguido

A redução registrada na capital faz parte de um movimento que também alcança o restante do Ceará. No Estado, o preço médio passou de R$ 6,71 para R$ 6,67 por litro, de acordo com os dados apresentados na reportagem.

Segundo o presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Wandemberg Almeida, um dos principais fatores que ajudam a explicar o comportamento do preço é a cotação do petróleo no mercado internacional.

O economista cita a redução do preço do barril de petróleo Brent, referência internacional para o mercado, como um dos elementos que contribuem para a queda. Ele também aponta fatores relacionados à logística de distribuição e à chegada do combustível aos portos brasileiros.

A dinâmica internacional, portanto, acaba chegando ao mercado local. Quando há mudanças nos custos relacionados ao petróleo e à distribuição, esses movimentos podem influenciar o preço cobrado dos consumidores.

Por que o preço da gasolina varia de um posto para outro?

Mesmo quando existe uma tendência de queda no mercado, o consumidor pode encontrar preços diferentes para a gasolina dependendo do posto onde decide abastecer.

Isso ocorre porque o valor final cobrado na bomba não depende exclusivamente do preço do petróleo. Cada estabelecimento possui uma estrutura própria de custos, que inclui despesas com aluguel, funcionários, mão de obra, armazenamento e a margem utilizada pelo posto.

Wandemberg Almeida explica que esses fatores ajudam a entender por que a redução não chega necessariamente da mesma forma a todos os estabelecimentos.

"Cada posto de combustível tem uma bandeira específica e tem a questão da sua margem de lucro. Além disso, você tem os gastos, os custos normais: gasto de aluguel, gasto com funcionário, mão de obra, o quanto que ele comprou de mercadoria para poder fazer o armazenamento ou não", detalha o presidente do Corecon-CE.

Por isso, mesmo diante de uma queda na média registrada em Fortaleza, o consumidor pode encontrar valores acima ou abaixo dos R$ 6,51.

A média serve como uma referência para acompanhar o comportamento geral do mercado, mas não significa que esse será necessariamente o preço encontrado em todos os postos da cidade.

Queda do petróleo e câmbio influenciam preço

Além do petróleo, o câmbio também interfere na formação dos preços dos combustíveis. A cotação da moeda brasileira diante do dólar pode influenciar custos relacionados aos produtos e às operações que envolvem o mercado de combustíveis.

Para o economista, a combinação desses fatores ajuda a explicar o cenário observado atualmente. A logística também entra nessa conta, especialmente porque o combustível precisa percorrer diferentes etapas até chegar aos postos.

Essa composição faz com que uma mudança no mercado internacional não seja necessariamente refletida de maneira imediata ou integral no preço pago pelo consumidor.

Na prática, o motorista pode perceber uma redução gradual, enquanto os custos envolvidos na cadeia de distribuição continuam influenciando o valor final.

Preço da gasolina pode continuar caindo?

Para quem depende do carro para trabalhar, a expectativa é de que a sequência de reduções continue ou, pelo menos, que os preços permaneçam em um patamar mais baixo.

Na avaliação de Wandemberg Almeida, o cenário atual ainda permite espaço para novas quedas. Ele também cita o comportamento do câmbio e fatores relacionados à inflação como elementos que podem contribuir para a manutenção ou redução dos preços nos próximos meses.

"São pontos que estão favorecendo para que a gente possa ter ou essa manutenção do preço que hoje está baixo ou uma queda ainda maior ainda pelos próximos meses", afirma o economista.

A possibilidade de novas reduções, no entanto, depende do comportamento de diferentes componentes da cadeia. Petróleo, câmbio, logística e custos específicos de cada estabelecimento continuam entre os fatores que podem influenciar o valor encontrado nas bombas.

Enquanto isso, para trabalhadores como Fabrício, a queda já representa uma economia diária. A diferença de aproximadamente R$ 10 no gasto com combustível pode parecer pequena em um único abastecimento, mas ganha peso quando o veículo é utilizado todos os dias para garantir a renda.

Com a gasolina ainda acima de R$ 6 em média, o combustível continua sendo uma despesa relevante para motoristas profissionais e para famílias que dependem do automóvel na rotina. Por isso, a continuidade das quedas pode ter impacto direto no orçamento de quem precisa abastecer com frequência.


(G1/CE)

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