Influencer do CV é condenado a 24 anos de prisão por extorquir comerciantes da Beira-Mar

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A Justiça do Ceará condenou um dos homens investigados por ameaçar e extorquir comerciantes da Avenida Beira-Mar, em Fortaleza. Paulo Henrique Pereira Alves recebeu pena de 24 anos e 22 dias de prisão, em regime inicialmente fechado.

PH foi preso em agosto do ano passado e apontado como membro da facção criminosa carioca Comando Vermelho (CV). Ele se apresentava nas redes sociais como influenciador e estaria, na companhia de um comparsa, tentando monopolizar o fornecimento de água de coco e outras bebidas, na região da Praia de Iracema.

Menos de um ano após a prisão, os juízes da Vara de Delitos de Organizações Criminosas do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) condenaram Paulo Henrique pelos crimes de extorsão, tráfico de drogas e por integrar organização criminosa.

A reportagem apurou que, quanto ao crime de extorsão, "os motivos consistiram na obtenção de vantagem econômica ilícita mediante exploração da vulnerabilidade econômica das vítimas, pobres comerciantes de água da praia de Fortaleza,
circunstância que merece censura acentuada".

"A prova evidencia que a extorsão não ocorreu de forma isolada, mas inserida em contexto de criminalidade organizada, mediante utilização de múltiplos contatos telefônicos, grupos de WhatsApp, divisão funcional de tarefas e comparecimento do acusado aos locais de comércio para reforçar as ameaças e demonstrar o domínio territorial exercido pela facção".

De acordo com a acusação, PH é diretamente vinculado ao CV. A defesa do condenado não foi localizada para comentar sobre a sentença.

AMEAÇAS E CONSTRANGIMENTO

Em agosto do ano passado, a Polícia Civil do Ceará (PCCE) passou a investigar ameaças a comerciantes da Beira-Mar, que vinham sendo obrigados à pagar dinheiro à organização criminosa para continuarem a exercer a função laboral, "além de serem obrigados a ficar em um grupo de Whatsapp, onde eram extorquidos".

Na época, o Diário do Nordeste noticiou que em uma mensagem, um homem identificado como 'Netão Marley' avisa que "não será permitido a saída do grupo" e "se for trocar de número, chega em mim ou no PH pra tar colocando no grupo, pois nada vai passar despercebido, beleza?" (sic).

"Não desrespeitar as regras, viu?! Para não serem punidos", conclui 'Netão Marley', na mensagem.

O primeiro suspeito a ser abordado e detido foi José Geraldo de Almeida Neto, o 'Netão Marley'. Ele teria confessado as ameaças, dizendo ter sido obrigado a cometer o crime.

"Na abordagem, foi apreendido seu aparelho celular e dada voz de prisão pelo crime de Integrar Organização Criminosa. Em sede policial, foi apresentada a imagem de Paulo Henrique Pereira Alves para a pessoa de José Geraldo de Almeida Neto, tendo ele confirmado que o mencionado estava ameaçando outros indivíduos no local conhecido como 'Praia dos Crush'".

PRISÃO EM HOSTEL

No dia 19 de agosto de 2025, os policiais foram até um hostel na Praia do Futuro, onde estaria PH. Chegando no local, os agentes disseram ter avistado uma movimentação atípica, característica do comércio de entorpecentes.

"Ao adentrarem no hostel, os policiais procederam com a prisão do denunciado. No ato, 'PH' arremessou pela janela um objeto, sendo posteriormente encontrado pelos agentes policiais um invólucro contendo substância similar a maconha. No mais, na posse de PH também havia dois aparelhos celulares modelo Iphone".

Quando questionado, Paulo Henrique negou ser o usuário do terminal telefônico utilizado pelo autor das extorsões. Um dos policiais ligou para o número e, no mesmo instante, o telefone do suspeito começou a tocar.

A dupla foi levada à sede da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e autuada em flagrante. Ainda não há decisão proferida sobre 'Netão'.

DN 

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