Imagens de câmeras de segurança mostram a policial militar Júlia Natália Girão Gomes e o marido, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, deixando a filha na escola na manhã do mesmo dia em que o soldado Raphael Sampaio da Silva, 27, foi encontrado morto e carbonizado em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
As imagens da câmera de segurança localizada próxima à escola registraram o casal entrando na instituição de ensino por volta das 7h38min e saindo às 7h40min da terça-feira, 11.
O corpo do policial Raphael Sampaio foi localizado por volta das 4 horas, após ter deixado o serviço junto com a PM, às 2 horas, do mesmo dia.
Em depoimento, a PM havia dito que, após o serviço, na madrugada da terça-feira, 11, teria pegado uma carona com o soldado Sampaio e, durante o percurso, o carro dele teria sido interceptado por suspeitos em um carro e uma moto.
Ainda segundo a PM, ela relatou que teria sido colocada no porta-malas de um carro e deixada, posteriormente, amarrada em uma mata.
No depoimento, relatou que não se recorda de quando trocou a farda pelas roupas com as quais foi achada, ainda na manhã do dia do crime.
Imagens obtidas pelo O POVO mostram que a mulher usava essas mesmas vestimentas ao deixar a filha na escola e quando foi achada amarrada. Ela foi localizada em uma área de mata próxima à BR-116, em Aquiraz, poucas horas depois de o corpo do soldado ter sido encontrado.
Ambos atuavam no 16º Batalhão da Polícia Militar (16º/BPM), localizado no bairro Messejana, em Fortaleza. Ainda na manhã do dia do crime, outra imagem contradiz a versão apresentada pela PM em depoimento.
A PM foi vista em uma oficina mecânica no mesmo horário em que ela disse estar amarrada no meio de um matagal. O POVO apurou que o estabelecimento seria do marido da suspeita, Antoneudo Lima.
A PM foi conduzida à sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) após ser encontrada amarrada na zona de mata. Durante a contradição de informações, a policial foi presa suspeita de envolvimento na morte do soldado.
Horas após a prisão da PM, o marido dela foi preso em flagrante após documentos falsos e munições serem encontradas no imóvel do suspeito. Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, 35, foi autuado por falsificação de documento público e posse de munição de arma de fogo.
Em nota, a defesa do investigado afirmou que ele foi detido, mas por um caso alheio ao homicídio do soldado Raphael.
“Em relação ao homicídio, ele foi ouvido apenas como testemunha não compromissada. Meu cliente não tem nenhuma participação nesse caso”, disse a advogada Karla Borges ao O POVO.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS) informou que a Polícia Civil do Ceará (PC-CE) segue com diligências e oitivas com o intuito de aprofundar e colher mais informações sobre a participação de ambos no crime.
O caso está a cargo da Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública (DHASP) do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da PC-CE.
PM teve preventiva decretada e marido temporária
O casal passou por audiência de custódia nessa quinta-feira, 13. Em decisão, o Poder Judiciário deferiu a prisão preventiva da policial Júlia Natália Girão Gomes e a temporária do marido, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, por suspeita de envolvimento no homicídio do soldado.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a agente já responde por estelionato, lavagem ou ocultação de bens e integração de organização criminosa.
Já o marido responde por estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, integrar organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
Em junho do ano passado, o casal passou a ser investigado por crimes voltados à criação de contas falsas em uma plataforma de aplicativo, denunciada pela própria empresa, à época.
Conforme as investigações da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), a PM, o marido e outras 11 pessoas integravam um esquema voltado à criação de contas falsas na Uber.
(O Povo)



