Motorista preso por matar namorada com caminhão não desacelerou ou tentou frear, aponta perícia

 




O atropelamento que causou a morte de Camila Maria Gomes Rodrigues, 38, no Cariri cearense, foi brutal. Laudo produzido pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) identificou vestígios do crime ao longo de 22 metros na Rua Principal do bairro Madre Feitosa, no Crato. O suspeito fugiu para o Piauí, foi capturado em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva.

Camila foi esmagada por um caminhão dirigido pelo seu namorado, Fabiano Sales Holanda Lima, 42, na noite da última segunda-feira (3). Devido ao impacto da velocidade empregada pelo veículo pesado, ela sofreu traumatismo cranioencefálico, múltiplas fraturas nos membros e outros ferimentos graves que escancararam a crueldade do ato.

Os peritos da Pefoce concluíram ainda que o caminhão colidiu com a traseira da moto da vítima e que, no local, não havia qualquer sinal de desaceleração ou acionamento de freios, o que prova, de maneira técnica, que o investigado não tentou evitar a colisão ou prestar socorro à namorada.

Depoimentos prestados à Polícia corroboram o laudo. Um amigo de infância de Fabiano, que levou o suspeito à casa da vítima naquela noite e estava em um carro posicionado atrás do caminhão, testemunhou o atropelamento.

Após o crime, o agressor teria sugerido que os dois fossem "embora" dali. Ele contou que seguiu o amigo até a subida de uma serra, mas desistiu de acompanhá-lo na fuga. "Não vou mais, faça o que você quiser", teria dito ao suspeito.

Fabiano foi preso no dia seguinte em Picos, no Piauí, após a Polícia Militar do Ceará (PM-CE) acionar as autoridades do estado vizinho sobre o feminicídio e a possibilidade de um caminhão branco da marca Volvo passar pela região. Os policiais do Piauí iniciaram um patrulhamento em busca do suspeito e interceptaram o veículo na rodovia federal BR-316.

Suspeito disse não ter visto nada

Quando abordado pelos PMs do Piauí e questionado sobre o crime, Fabiano afirmou que "não viu nada". Já em depoimento na delegacia, ele preferiu ficar em silêncio.

Um dos militares responsáveis pela abordagem desconfiou que o caminhão apreendido com o suspeito tivesse sido lavado recentemente, uma vez que não apresentou marcas de sangue. Além do veículo, a Polícia apreendeu com o agressor um celular, documentos pessoais e R$ 1,3 mil em espécie.

Prisão em flagrante foi convertida em preventiva

O investigado teve a prisão em flagrante convertida em preventiva nessa quarta-feira (5), em audiência de custódia. O pedido de conversão foi feito pela Polícia Civil (PC-CE) diante da brutalidade do feminicídio e do risco de fuga. A solicitação da autoridade policial cearense foi acatada pelo Ministério Público do Piauí (MPPI), que sustentou que os elementos periciais e testemunhais indicam a materialidade e os indícios de autoria, afastando a possibilidade de um atropelamento "meramente acidental".

A defesa, representada na audiência pela Defensoria Pública (DPE-PI), requereu liberdade provisória a Fabiano alegando que os elementos colhidos "demandam maior aprofundamento quanto ao elemento subjetivo da conduta", uma vez que ele afirmou aos policiais não ter visto a vítima atropelada.

O juiz que presidiu a sessão e que determinou a prisão preventiva, Felippe José Silva Ferreira, considerou que o investigado representa "descontrole e desprezo pela vida humana", o que expõe a ordem pública a "risco efetivo e imediato". "Além disso, a conduta do autuado de empreender fuga imediatamente após o crime, evadindo-se do município dos fatos no Estado do Ceará e transitando em rodovia federal até ser interceptado no Estado do Piauí, demonstra risco concreto à aplicação da lei penal", pontuou o magistrado.

Relembre o caso

Camila Maria Gomes Rodrigues foi atropelada e morta pelo namorado, Fabiano Sales Holanda Lima, na noite da última segunda-feira (3). Segundo o relato de um amigo do investigado, os três estavam em um bar quando o casal discutiu por causa de mensagens no celular.

Depois disso, a mulher teria ido a pé buscar a própria moto em casa e retornado ao bar em seguida. Fabiano, então, teria pedido ao amigo que o levasse até a casa da vítima para buscar seu caminhão, que estava estacionado na frente da casa dela, e suas roupas, porque pretendia viajar. O filho de Camila foi quem abriu a porta da residência para o namorado da mãe.

Quando Fabiano embarcou no veículo, Camila teria passado de moto ao lado e parado em frente ao caminhão para forçá-lo a parar. A testemunha afirmou à Polícia que viu claramente quando o suspeito passou por cima da moto e deixou a namorada com o corpo dilacerado em via pública, sem prestar socorro.



(Diário do Nordeste)

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