Polícia investiga se caso extraconjugal entre PMs está ligado à morte de Raphael Sampaio

 

Os policiais militares Júlia Nathalia Girão Gomes e Raphael Sampaio da Silva teriam um caso amoroso. A polícia investiga. Foto: Reprodução



Uma das linhas investigadas é a de que Antoneudo Ribeiro, companheiro de Júlia, teria descoberto o possível envolvimento entre os dois policiais. A partir dessa hipótese, os investigadores apuram se Raphael foi atraído para uma situação previamente planejada antes de ser morto. A possibilidade ainda não foi confirmada e depende das provas reunidas no inquérito.

Júlia também tem 27 anos e foi presa em flagrante por homicídio durante as diligências. Antes de passar à condição de investigada, ela havia sido localizada com as mãos amarradas em uma área de mata às margens da BR-116, em Aquiraz. Antoneudo foi conduzido à Polícia Civil e é ouvido no decorrer da investigação.

Suposto relacionamento entre PMs é investigado no caso Raphael Sampaio

Júlia e Raphael eram policiais militares e trabalhavam na mesma estrutura da corporação. A Polícia Civil busca esclarecer a relação entre os dois, os contatos mantidos antes do crime e se o possível envolvimento amoroso teria alguma ligação com o planejamento do homicídio.

A investigação também procura identificar a participação individual de cada pessoa e verificar se outras pessoas tiveram envolvimento na ação. Até o momento, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) confirmou a prisão de Júlia por homicídio e informou que Antoneudo é ouvido pelos investigadores.

A principal hipótese relacionada ao possível relacionamento ainda precisa ser confrontada com depoimentos, imagens, registros e outros elementos obtidos pela Polícia Civil.

Imagens de oficina são analisadas pela Polícia Civil

Um dos elementos incorporados à investigação é uma gravação de câmera de segurança instalada em uma oficina pertencente ao companheiro de Júlia. As imagens registraram a presença da policial no estabelecimento às 8h52 desta terça-feira (11).

Segundo as informações apresentadas na investigação, o registro não seria compatível com a versão apresentada por Júlia à Polícia Civil. De acordo com o relato atribuído à policial, ela estaria amarrada nas proximidades do local onde o corpo de Raphael foi encontrado naquele período.

A Polícia Civil deverá confrontar as imagens com o depoimento da soldado e com os demais elementos reunidos para estabelecer a sequência dos acontecimentos. Também será analisado o que ocorreu antes e depois de Júlia ser encontrada na área de mata às margens da BR-116.

Companheiro de Júlia é ouvido no caso Raphael Sampaio

Antoneudo Ribeiro, apontado como companheiro de Júlia, foi conduzido para uma unidade da Polícia Civil e presta depoimento aos investigadores. A SSPDS não informou que ele tenha sido preso em flagrante pelo homicídio de Raphael.

A investigação verifica se há elementos que relacionem Antoneudo à morte do soldado e qual teria sido sua eventual participação. Segundo a SSPDS, ele responde por estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, integrar organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.

Os registros anteriores atribuídos a Antoneudo não estabelecem participação no assassinato. Essa eventual relação deverá ser definida a partir das provas produzidas durante a investigação.

Segundo as informações apresentadas no caso, Júlia também responde a procedimentos relacionados a estelionato, lavagem ou ocultação de bens e por integrar organização criminosa.

Perícia aponta disparos antes da carbonização

Raphael foi localizado depois que uma testemunha percebeu um veículo em chamas na região do Ancuri e acionou as forças de segurança. O Corpo de Bombeiros foi enviado ao local para controlar o incêndio e, após as chamas serem apagadas, o corpo do soldado foi encontrado dentro do automóvel.

Equipes da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) participaram dos procedimentos. O veículo foi posteriormente rebocado para as providências relacionadas à investigação.

Os exames da Pefoce identificaram lesões provocadas por disparos de arma de fogo. Conforme a SSPDS, os ferimentos ocorreram quando Raphael ainda estava vivo e a carbonização aconteceu posteriormente. A perícia também não identificou amputação traumática.

O resultado dos exames é usado pelos investigadores para reconstruir a dinâmica da morte. Ainda é necessário estabelecer onde os disparos foram efetuados, como Raphael chegou ao veículo e quem participou da ação.

Polícia investiga se crime foi planejado

A Delegacia de Homicídios Contra Agentes de Segurança Pública (DHASP) conduz a investigação e realiza diligências e oitivas para reconstruir os acontecimentos.

Entre os pontos analisados estão o percurso feito por Raphael antes de ser encontrado, o local dos disparos, a forma como o corpo foi levado até o automóvel e as circunstâncias que levaram à carbonização.

A Polícia Civil também busca esclarecer a sequência dos fatos envolvendo Júlia, incluindo os registros de sua presença na oficina, o período em que ela afirmou ter sido mantida amarrada e a posterior prisão por homicídio.

A eventual participação de Antoneudo será avaliada a partir dos depoimentos e demais elementos obtidos no inquérito. A motivação definitiva do homicídio ainda não foi oficialmente estabelecida.

Raphael havia ingressado na Polícia Militar do Ceará em junho de 2022 e estava lotado na 2ª Companhia do 16º Batalhão de Polícia Militar. A identificação foi divulgada pela Associação das Praças Militares do Ceará (Aspra-CE), que publicou uma nota de pesar e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de farda.

Júlia ingressou na Polícia Militar do Ceará em novembro de 2024. A investigação continua para esclarecer a relação entre os envolvidos, a dinâmica do homicídio e a eventual participação de outras pessoas.

MPCE cria força-tarefa para acompanhar investigação

O Ministério Público do Ceará (MPCE) criou uma força-tarefa para acompanhar a apuração sobre a morte de Raphael. A determinação foi feita pelo procurador-geral de Justiça, Herbet Santos.

O grupo é formado pelos promotores de Justiça André Clark Nunes Cavalcante, Renato Magalhães de Melo, Luís Bezerra Lima Neto, Geraldo Nunes Laprovitera Teixeira e Oscar Stefano Fioravanti Junior. Eles atuarão em conjunto com Gustavo Santos Gomes de Souza, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Itaitinga, em eventuais procedimentos investigatórios e judiciais relacionados ao caso.

Segundo o MPCE, a medida considera a complexidade da ocorrência e o fato de Raphael integrar as forças de segurança pública.

A investigação permanece sob responsabilidade da DHASP. Novos elementos deverão ajudar a esclarecer a dinâmica da morte, a motivação, a possível relação entre Raphael e Júlia e a eventual participação de Antoneudo ou de outras pessoas.



(GC+)

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