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Ex-marido de Maria da Penha é preso após dar entrevista sobre tentativa de matar a ativista. — Foto: MPRN/Redes sociais/Reprodução |
Após descobrir que Marco Antônio Heredia Viveros, ex-marido da ativista Maria da Penha, deu uma entrevista à TV Record falando sobre o crime cometido contra a cearense, o Instituto Maria da Penha (IMP) pediu, no último sábado (8), a suspensão da veiculação do conteúdo.
Entre os motivos citados pelo instituto, que atua há 17 anos na defesa das mulheres, estão:
- uma decisão judicial de 2024, que impôs medidas cautelares contra Marco Antônio, incluindo a proibição de divulgar o nome ou a imagem de Maria e de duas filhas;
- da "inexistência" de duas versões;
- da possibilidade de uma nova onda de ataque digital contra a vítima com a exposição da tese de Viveros.
A notificação consta no documento do Ministério Público do Ceará enviado à Justiça que pedia a prisão de Viveros. Há também prints de e-mail e whatsapp que o instituto enviou para funcionários da emissora, porém, não há imagens que mostrem que a Record visualizou ou respondeu.
A reportagem seria exibida neste domingo (9), mas não foi ao ar. O g1 procurou a Record para falar sobre o caso, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Relembre o caso
Condenado por atirar em Maria da Penha em 1983 – que acabaria por deixá-la paraplégica –, Marco Antônio só foi preso em 29 de outubro de 2002, em Natal. Até então, ele havia passado por dois julgamentos (1991 e 1996), mas não houve prisão.
O caso só teve desfecho após pressão internacional, já que em 1998 o Centro para a Justiça e o Direito Internacional (CEJIL) e o Comitê Latino-americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM) denunciaram o crime à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH/OEA).
Marco Antônio esteve em regime fechado de 2002 a 2004. Em março de 2004, ele conseguiu ir para o regime semiaberto e, em fevereiro de 2007, conseguiu a liberdade condicional, terminando de cumprir a pena fora da prisão.
De acordo com o instituto, a divulgação de falas do agressor sobre o crime também produz uma nova onda de ataques digitais contra Maria da Penha, como a sofrida em 2024. Na ocasião, a cearense foi vítima de uma série de ataques de membros da extrema-direita e dos chamados “red pills” e “masculinistas”, que se reúnem em comunidades digitais para disseminar o ódio às mulheres.
Segundo as investigações realizadas pelo Ministério Público, a campanha atingia diretamente a honra de Maria da Penha, com conteúdo ofensivo e de natureza caluniosa, consistindo em possíveis delitos de intimidação sistemática virtual (“cyberbullying”), perseguição (“stalking”/”cyberstalking”), ameaça, dentre outros.
O órgão identificou um perfil com vários seguidores que produzia conteúdos de natureza misógina (ódio, desprezo ou preconceito contra mulheres ou meninas), deturpando informações e atacando a farmacêutica Maria da Penha.
(G1/CE)
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