Caso Isabelle: veja o que João Munhoz Neto disse em depoimento

 

MOMENTO em que policiais civis faziam buscas no carro da família de JoãoO bacharel em Direito segue preso por suspeita de indução ao suicídio e violência psicológica. João Munhoz relatou que Isabelle devia a ele R$ 14 mil.

MOMENTO em que policiais civis faziam buscas no carro da família de João Crédito: Mirla Nobre

Conforme já havia adiantado o colunista do O POVO+ Henrique Araújo, João relatou que Isabelle participou de um processo seletivo para trabalhar em um escritório de correspondência jurídica, onde ele atuava como gestor.

Segundo ele, a jovem foi selecionada entre o fim de julho e o início de agosto, mas adiou o início das atividades, alegando problemas pessoais. Questionado sobre a existência de um relacionamento amoroso antes da contratação, o suspeito negou.

Ele afirmou que a aproximação ocorreu, no início, de forma estritamente profissional e que o envolvimento afetivo começou apenas após Isabelle iniciar o trabalho. João descreveu a aproximação como mútua e a classificou como "amor à primeira vista".

Sobre a decisão de morarem juntos, João afirmou que Isabelle estudava em uma universidade na Parangaba e residia na Maraponga. Por considerar perigoso o trajeto de volta após as 22 horas, ela cogitava usar uma motocicleta. Diante disso, o bacharel disse que sugeriu que ela se mudasse para o apartamento dele, proposta que a jovem ficou de avaliar.

O caso Isabelle Caracristi reacendeu o debate sobre relacionamentos abusivos e os sinais de controle que podem surgir de forma disfarçada no início.
O caso Isabelle Caracristi reacendeu o debate sobre relacionamentos abusivos e os sinais de controle que podem surgir de forma disfarçada no início. Crédito: FCO FONTENELE/O POVO

João morava com a mãe, o irmão e, ocasionalmente, a namorada do irmão. Aos poucos, segundo ele, Isabelle começou a levar roupas e objetos pessoais para o local, sem que isso configurasse uma mudança definitiva.

João confirmou a existência de conflitos no relacionamento, mas afirmou que eram pontuais. O suspeito também mencionou que a namorada relatou uma situação de importunação por parte de um morador do condomínio.

Ele confirmou à Polícia que houve uma suspeita de gravidez durante o relacionamento, mas o exame deu negativo.

Namorado afirma que repassou R$ 14 mil à Isabelle 

Após deixar o estágio, João disse que Isabelle, supostamente, teria se tornado financeiramente dele. O bacharel relatou, porém, que a jovem afirmava possuir dinheiro próprio aplicado em investimentos que gerariam retorno.

Durante o relacionamento, João disse ter repassado R$ 14.035 para as supostas aplicações. Ele alegou não saber se se tratava de um esquema de pirâmide, jogos de azar ou outra modalidade. A mãe do suspeito também entregou dinheiro a Isabelle: R$ 7 mil, segundo uma correção posterior feita pela própria mãe.

O suspeito afirmou que cobrava a devolução de forma pacífica e sem ameaças, alegando estar descapitalizado, mas chegou a mencionar a possibilidade de acionar a Polícia.

Isabelle foi encontrada morta na noite do domingo, 13, no pátio do condomínio onde morava com o namorado
Isabelle foi encontrada morta na noite do domingo, 13, no pátio do condomínio onde morava com o namorado Crédito: Reprodução/Instagram

Suspeito afirma que estava em uma celebração religiosa durante a ocorrência

No dia da ocorrência, João disse a Isabelle que iria à missa e ela permaneceu no apartamento pois estava sentindo dores. Ele disse ter seguido de transporte por aplicativo para a Igreja de Fátima e ter chegado por volta das 18h40, quando a primeira celebração — bastante lotada por ser dia 13 —  já havia começado.

Após a missa, ele contou que lanchou na feira em frente à igreja e permaneceu no local para a segunda cerimônia. Conforme o depoimento do suspeito, antes de o namorado sair, Isabelle queixou-se de muita dor, e João prometeu que a levaria ao hospital assim que retornasse.

Entre 19h14 e 19h16, ela enviou a última mensagem: "Realmente não estou aguentando. Estou sentindo uma sensação estranha". O suspeito justificou que não retornou imediatamente porque o celular estava no silencioso durante a missa e porque Isabelle já havia ficado sozinha no apartamento outras vezes, sem que ele imaginasse que houvesse algum tipo de risco.

Movimentação em frente à 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, unidade que investiga a morte de Isabelle Caracristi
Movimentação em frente à 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, unidade que investiga a morte de Isabelle Caracristi Crédito: Fernanda Barros

O namorado afirmou que, por volta das 21h40 ou 21h45, o seu irmão telefonou para avisar sobre um suicídio no prédio. Ao saber que a vítima era uma mulher jovem e parda, o bacharel disse à Polícia que começou a suspeitar de que se tratava de Isabelle e entrou em desespero, embora não tenha se manifestado no grupo do residencial.

Ele relatou que seguiu de transporte por aplicativo até a rodoviária de Fortaleza, onde aguardou o irmão, que chegou acompanhado da namorada e de um casal de amigos para buscá-lo. João disse que o trajeto foi feito em silêncio e sob choro.

Acompanhado de policiais e peritos, ele relatou que abriu o imóvel e colaborou com as buscas. A porta do quarto estava aberta, e as malas e bolsas de Isabelle continuavam no local, mas ela não estava lá.

Ele pediu que procurassem o celular da jovem e autorizou a verificação de todos os cômodos. O documento de identidade de Isabelle foi levado para confirmação. João afirmou não ter tido condições emocionais de reconhecer o corpo, tarefa que foi assumida pelo irmão, pois não queria "guardar aquela imagem da namorada".

João afirma que família tentou contato com mãe de Isabelle 

Segundo o depoimento, o irmão de João tentou entrar em contato com a mãe de Isabelle, mas ela desligou a ligação. Posteriormente, a namorada do irmão enviou uma mensagem detalhada à mãe da jovem, informando sobre o óbito.

Após o ocorrido, João disse que se hospedou na casa de um padrinho de crisma e, em seguida, na casa da avó. Nos dias seguintes, buscou atendimento urológico devido a uma hidrocele, além de suporte psicológico e psiquiátrico. Também continuou parte do trabalho remotamente e entrou em contato com uma advogada devido à repercussão do caso.

Ele relatou que não compareceu ao enterro por estar em choque e por medo da família da vítima

Câmeras instaladas no apartamento 

Sobre as câmeras do apartamento, João explicou que foram instaladas pela mãe dele no fim de agosto para monitorar a movimentação da casa, pois ela relatava "uma sensação ruim". No entanto, o sistema não gravava, possuindo apenas detecção de movimento. Ele negou ter retirado ou desativado os equipamentos.

Por fim, o suspeito admitiu que, ao iniciar o relacionamento com Isabelle, estava formalmente casado, mas já separado de fato havia 15 dias e em processo de divórcio. Inicialmente, ocultou essa informação da jovem por medo da reação dela, mas explicou a situação posteriormente. O bacharel forneceu seu aparelho celular e as senhas às autoridades.

O Povo 

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