Homem é agredido após marido não conseguir usar passe-livre em van

 




A agressão ocorreu após Fernando ter uma reunião com a Cooperita, cooperação de vans que opera entre municípios da região norte do Ceará. O encontro foi marcado para o agricultor representar o companheiro, Gabriel de Sousa Lima, de 20 anos, que teria sido impedido de usar gratuitamente o serviço das vans. Gabriel e Fernando possuem união estável.

Na saída da reunião, o agricultor foi agredido por um homem identificado como José Carlos de Sousa Rodrigues. Conforme documentos acessados pelo g1, ele teria ligações comerciais com um motorista da cooperativa, mas não é funcionário da Cooperita. O g1 não conseguiu localizar a defesa de José Carlos.

Imagens de câmera de segurança mostram José Carlos abordando e empurrando Fernando na frente da sede da cooperativa. Em outro vídeo, ele apareceu segurando uma pasta que pertencia a Fernando e quebrando o celular do agricultor ao arremessar o aparelho no chão.

A Polícia Civil informou que a Delegacia de Itapipoca investiga o crime de lesão corporal e disse que um suspeito foi identificado. Porém, ninguém foi preso até a publicação desta matéria.

Fernando entrou com um processo por danos materiais e denunciou a Cooperita, cooperação de vans que opera entre municípios da região norte do Ceará. O g1 entrou em contato com a defesa da cooperativa, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

" Eu perdi a mastigação, sequela definitiva, estética. Parestesia [formigamento/dormência] no lado [direito]. Não sinto mais nada", lamentou Fernando.

Discussão por passe-livre

Gabriel Lima, à época, fazia acompanhamento psiquiátrico em uma clínica particular de Itapipoca. Por este motivo, utilizava, há 5 meses, a gratuidade nas vans da região norte. O jovem é diagnosticado com Síndrome de Tourette e teria sido impedido de usar o passe-livre concedido para pessoa com deficiência.

💡 A Síndrome de Tourette é uma doença relacionada à saúde mental e neurológica, que comumente aparece associada a uma variedade de problemas emocionais e de comportamento. Entre os sintomas estão tiques motores (repetição de gestos obscenos, repetição de movimentos de outras pessoas) e tiques vocais (como a repetição de palavras obscenas, repetição ou imitação de ecos de palavras que a própria pessoa acabou de dizer, repetição de palavras ou frases que ouve de outras pessoas).

➡️ O passe-livre é destinado a conferir gratuidade ao direito de assentos reservados nos serviços regulares convencionais (ônibus) e nos serviços regulares complementares (vans) às pessoas com deficiência e com hemofilia, comprovadamente carentes. Também têm direito pessoas vivendo com HIV e AIDS, devidamente diagnosticadas, mediante a comprovação da instituição em que é realizado o tratamento de saúde.

No dia 3 de agosto de 2026, Gabriel foi, sozinho, utilizar o serviço da van operada pela Cooperita. No entanto, motorista e cobrador que trabalhavam na van tentaram impedir Gabriel de utilizar a gratuidade. Ele conseguiu utilizar o serviço, mas, na volta para casa, no mesmo dia, passou por novo constrangimento do mesmo funcionário que alegou que "Gabriel já havia viajado gratuitamente naquele dia".

Ao g1, a Agência Reguladora do Ceará (Arce) explicou que é necessário possuir um cartão específico de gratuidade para que pessoas diagnosticadas com alguma deficiência possam utilizar o benefício. No entanto, o casal argumentou que Gabriel utilizava o serviço há meses e a Cooperita não cobrava a apresentação do cartão. Até então, era necessário apenas que Gabriel mostrasse um qr-code impresso em um crachá que ele usava no pescoço. Ao ler o qr-code, era possível acessar um Certificado da Pessoa com Deficiência emitido, em nome de Gabriel, pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.

No dia 4 de agosto, Gabriel passou, novamente, por constrangimento ao tentar utilizar a gratuidade na van. Dessa vez, ele estava acompanhado de Fernando. O casal acredita que o impedimento tenha também homofobia envolvida. "Vocês acham que são melhores que os outros", teria dito o funcionário da empresa, em referência a ambos serem homossexuais. O episódio provocou a crise que levou Gabriel à internação hospitalar.

(G1)

Postagens mais visitadas do mês