A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial desencadeou publicações de influenciadores bolsonaristas que passaram a defender que empresários deixem de contratar pessoas de esquerda ou demitam funcionários que apoiaram o petista. Nordestinos também foram alvo, devido à força histórica de Lula entre o eleitorado da região.
O influenciador Gabriel Souza publicou no Instagram: "Você, que é empresário, já demitiu seu funcionário que fez o ‘L’ hoje?”. Disse ainda: "Se você tem um funcionário que fez o ‘L’, ele te odeia". A eventual medida discriminatória devido à posição política configura assédio eleitoral e é crime.
Em comentários na publicação e outras manifestações parecidas, usuários reforçam a sugestão para empresários demitirem funcionários que declararam apoio a Lula.
Algumas respostas aconselham apresentar a dispensa como consequência de cortes de gastos, em vez de admitir que a decisão foi motivada pela posição política do trabalhador.
Também há comentários que defendem a demissão de nordestinos, associando a origem regional ao resultado eleitoral favorável ao presidente.
Em vídeo, o personal trainer @misteramarildo publicou: "Diretamente dos Estados Unidos, eu quero aqui parabenizar todos os micros, pequenas e grandes empresas brasileiras que está demitindo os petista" (sic).
O que diz a lei sobre demissões discriminatórias?
A legislação brasileira oferece proteção contra discriminação nas relações de trabalho. O artigo 5º, inciso VIII, da Constituição Federal estabelece que ninguém será privado de direitos por motivo de convicção filosófica ou política, ressalvadas as condições previstas no próprio dispositivo.
(O Povo)



