
Mesmo com a caderneta de vacinação dos filhos em dia, responsáveis receberam um texto do Ministério da Saúde (MS) alertando sobre doses em atraso
Resumo
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Uma mensagem do Governo Federal no app gov.br tem gerado confusão ao orientar pais a vacinarem crianças contra a Pneumo 20, atingindo até quem estava com a caderneta em dia.
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Ministério da Saúde informou que o alerta visava orientar sobre a vacinação contra doenças respiratórias, mas prefeituras esclarecem que receber o aviso não indica atraso.
Uma mensagem enviada pelo Governo Federal sobre a vacina Pneumo 20 tem gerado confusão e dúvidas entre pais de crianças de até cinco anos de idade. Mesmo com a caderneta de vacinação dos filhos em dia, eles estão recebendo um texto do Ministério da Saúde (MS), alertando sobre doses em atraso.
Conforme O POVO apurou, o informativo foi encaminhado, no decorrer dessa semana, por meio do aplicativo gov.br e por WhatsApp, alertando que a criança não teria tomado todas as doses para proteção contra doenças respiratórias.
"A Vacina Pneumo 20 está disponível nas Unidades Básicas de Saúde do SUS para crianças de 0 a 4 anos. Por favor, procure uma UBS para atualizar a caderneta de vacinação e garantir a proteção necessária", traz o texto da mensagem.
A mensagem, no entanto, acabou chegando para aqueles cujo filhos estão com a imunização em dia. Diante da confusão, prefeituras de cidades como Guaramiranga, no Ceará, chegaram a fazer publicações em suas redes sociais informando que "receber o aviso não significa que a vacinação esteja atrasada".
Procurado pelo O POVO, o MS não esclareceu o que motivou a falha, mas destacou que "tem ampliado o uso de alertas personalizados no SUS para facilitar o acesso da população às políticas públicas de saúde".
"Nesta última semana, uma mensagem para reforçar a importância da vacinação de crianças contra doenças respiratórias foi enviada com o objetivo de orientar sobre o esquema vacinal. Tal ação também faz parte das ações de preparação para eventos climáticos relacionados ao El Niño", disse em nota.
Em que casos a vacina Pneumo 20 pode ser aplicada?
A vacina Pneumo 20 oferece proteção contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por causar doenças como pneumonia, meningite e outras patologias pneumocócicas.
Desde junho de 2026 ela passou a substituir gradualmente a Pneumo 10 no calendário de vacinação infantil do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo aplicada conforme o esquema vacinal de cada criança.
Conforme Ministério da Saúde, o imunizante é indicado para crianças menores de cinco anos que não foram vacinadas ou que não completaram o esquema com a Pneumo 10.
Se a mesma tiver com o esquema básico completo, que consiste em duas doses da vacina pneumo 10 antes de completar 12 meses de idade e uma dose de reforço após essa data, ela não precisa de doses adicinais da pneumo 20. O histórico vacinal pode ser consultado no aplicativo Meu SUS Digital.
Outros grupos também estão entre aqueles que podem ter acesso ao imunizante, como pessoas com 85 anos ou mais e idosos a partir de 60 anos acamados e/ou institucionalizados.
Quem pode tomar a Vacina Pneumo 20:
- Crianças menores de cinco anos que não foram vacinadas ou que não completaram o esquema com a Pneumo 10;
- Pessoas com 85 anos ou mais;
- Povos indígenas a partir de cinco anos sem histórico vacinal com vacina pneumocócica conjugada;
- Idosos a partir de 60 anos acamados e/ou institucionalizados;
- Pessoas com condições clínicas especiais atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie).
Fonte: Ministério da Saúde (MS)
Vacinação no Ceará
No Ceará, a vacinação está sendo realizada nas salas de vacinação das Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos municípios. Em Fortaleza, o imunizante também está disponível nas unidades de vacinação dos Vapt Vupt Antônio Bezerra, Messejana, Papicu e Parangaba.
De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), a substituição da vacina Pneumo 10 pela Pneumo 20 "está ocorrendo de forma gradual, conforme a disponibilidade dos estoques".
"Durante o período de transição, o esquema de rotina para crianças que estão iniciando a vacinação prevê a administração combinada de Pneumo 10 e Pneumo 20 da seguinte forma: aos 2 meses, primeira dose da Pneumo 20; aos 4 meses, segunda dose da Pneumo 10; e aos 12 meses, dose de reforço da Pneumo 20, respeitando o intervalo mínimo de 60 dias após a segunda dose", destaca a pasta.
Já aquelas crianças cujo esquemas vacinais foram iniciados anteriormente ou que estão atraso, a continuidade da vacinação deve considerar a idade e o histórico vacinal, mediante avaliação da caderneta.
Imunização em crianças com doses incompletas ou que não foram vacinadas:
- Se a criança for menor de um ano de idade e já tiver uma dose de Pneumo 10, as duas próximas serão da Pneumo 20. Se tiver duas doses da Pneumo 10, o reforço é com Pneumo 20;
- Se a criança tem entre um e quatro anos, e não tiver começado o esquema, a vacinação é realizada com dose única da Pneumo 20;
- Se a criança for menor de cinco anos e já tiver concluído o esquema vacinal anteriormente recomendado com a Pneumo 10, não necessita receber uma dose adicional da Pneumo 20.
O imunizante também é indicado para pessoas com condições clínicas especiais, mediante apresentação de documento médico que comprove tal condição.
"Este documento deverá ser entregue nos postos de saúde e a vacinação será agendada, conforme fluxo de acesso à Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais", explica a Sesa.
Indicações especiais
- Pessoas vivendo com HIV/aids.
- Pacientes oncológicos com doença em atividade ou até a obtenção de alta médica.
- Pessoas submetidas a transplante de órgãos sólidos.
- Pessoas submetidas a transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH).
- Pessoas submetidas à terapia com células T com receptor de antígeno quimérico (CAR-T).
- Pessoas com asplenia anatômica ou funcional e doenças relacionadas.
- Pessoas com imunodeficiências primárias ou erros inatos da imunidade.
- Pessoas com fibrose cística (mucoviscidose).
- Pessoas com fístula liquórica ou derivação ventriculoperitoneal (DVP).
- Pessoas com imunodeficiência decorrente de imunossupressão terapêutica.
- Pessoas com implante coclear.
- Pessoas com nefropatias crônicas, em hemodiálise ou com síndrome nefrótica.
- Pessoas com pneumopatias crônicas, exceto aquelas com asma intermitente ou persistente leve.
- Pessoas com asma persistente moderada ou grave.
- Pessoas com cardiopatias crônicas.
- Pessoas com hepatopatias crônicas.
- Pessoas com doenças neurológicas crônicas incapacitantes.
- Pessoas com trissomias.
- Pessoas com diabetes.
- Pessoas com doenças de depósito.
- Prematuros nascidos com idade gestacional igual ou inferior a 36 semanas e 6 dias, até os 23 meses de idade.
O Povo


