A Justiça do Ceará aceitou a denúncia que acusa o jornalista Heldemar de Paula Garcia por tentar assassinar quatro pessoas em um crime de trânsito.
A ocorrência foi em abril deste ano, em Maranguape, e a vítima com
estado de saúde grave segue hospitalizada em leito de Unidade de Terapia
Intensiva (UTI), com uso de ventilação mecânica.
Conforme a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), o acusado
atropelou e passou com o carro duas vezes por cima da mulher, que teve múltiplos ferimentos.
A família da mulher, de identidade preservada, constituiu os
advogados Paulo Quezado e Eduardo Quezado para representarem a
assistência de acusação.
A defesa do jornalista disse à reportagem que recebeu a denúncia "com
serenidade e respeito às instituições", embora discorde da acusação "do
enquadramento jurídico apresentado pelo Ministério Público".
"O caso ainda se encontra em fase inicial, e a versão acusatória será
devidamente enfrentada no processo, sob o crivo do contraditório e da
ampla defesa. A defesa sustenta que as circunstâncias do ocorrido ainda
precisam ser esclarecidas tecnicamente, especialmente quanto à ausência
de dolo na conduta."
SUSPEITO E VÍTIMAS NÃO SE CONHECIAM
Na madrugada do dia 18 de abril de 2026, por volta das 3h30, as vítimas estavam em uma praça pública, bebendo e conversando.
Em determinado momento, foram até um bar para comprar mais bebida,
quando o denunciado chegou ao local e 'teria puxado conversa', "se
intrometendo na conversa do grupo sem qualquer autorização, iniciando
discussão com os presentes".
As vítimas teriam saído do local e seguidas pelo denunciado. Foi
então que, conforme testemunhas, o jornalista saiu do estabelecimento e
caminhou até o próprio carro, um veículo Hyundai Veracruz, da cor prata.
Na versão dos sobreviventes, o homem 'arrancou o carro' em alta velocidade e lançou o veículo em direção ao grupo, atingindo a mulher, "enquanto as demais vítimas conseguiram correr e evitar o impacto".
Testemunhas disseram ouvir a aceleração rápida do veículo, "que fez os pneus causarem barulho".
"Após o primeiro atropelamento, o denunciado passou novamente com o
veículo sobre as pernas da vítima (identidade preservada), circunstância
que evidencia a intenção homicida".
A mulher foi socorrida ao Instituto Doutor José Frota (IJF) e ainda não pode ser inquirida em razão do seu estado de saúde.
"Conforme relatos, o conduzido não apenas atropelou a vítima, como
também, em ato contínuo, teria passado novamente com o veículo sobre
suas pernas, circunstância que evidencia, em tese, elevado grau de
reprovabilidade da conduta e possível intenção homicida ou, no mínimo, assunção do risco de produzir o resultado morte", segundo a denúncia.
BAFÔMETRO
Além das lesões causadas à vítima, Heldemar de Paula ainda atingiu um poste e um veículo Gol, estacionado nas proximidades.
O homem foi preso em flagrante, teve a prisão convertida em preventiva e segue em cárcere. Há
suspeitas de que ele estivesse embriagado, tendo, segundo os policiais
que atenderam a ocorrência, ficado ele no direito de não se submeter ao
bafômetro.
Para o MP, a ação foi por motivo fútil (discussão em bar) e com recurso que dificultou a defesa das vítimas, "somente não se consumando os homicídios por circunstâncias alheias à sua vontade".
"No que tange ao crime de condução de veículo sob influência de
álcool ou substância psicoativa, a autoria e a materialidade estão
demonstradas pelos depoimentos das testemunhas, que relataram sinais
evidentes de embriaguez no denunciado, bem como pelo termo de
constatação de sinais de alteração da capacidade psicomotora", disse
também o órgão acusatório.
(G1/CE)