
O Ceará registrou 969 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
em um período de quatro semanas. De acordo com o último boletim sobre o
cenário epidemiológico dos vírus respiratórios no Estado, divulgado
pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), entre 8 de fevereiro e 7 de
março de 2026 (semanas epidemiológicas 06 a 09), 35,5% dos casos de SRAG
foram causados pelo vírus da influenza.
Identificou-se um
aumento de aproximadamente 34% nas notificações de SRAG entre os dois
períodos de quatro semanas. A porcentagem considera o registro anterior
de 723 notificações, entre 1º de fevereiro e 28 de fevereiro de 2026.
A SRAG é uma forma grave de infecção respiratória que pode ser provocada por diferentes vírus, como influenza, coronavírus e outros agentes respiratórios.
Os dados indicam que crianças de 1 a 4 anos foram o grupo etário mais atingido no período, representando 24,5% das notificações.
Os municípios com maior número de notificações foram Fortaleza, com 250 casos; Sobral, com 92 casos; e Maracanaú, com 79 casos.
Na Capital, a Secretaria
Municipal da Saúde (SMS) informou que, de 1º de março de 2026 até a
presente data, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) registraram
9.348 atendimentos relacionados a pacientes com sintomas gripais.
"Devido
ao período de sazonalidade, as unidades operam com capacidade máxima de
atendimento. Como reforço à assistência, houve o acréscimo de um médico
em cada UPA. Em breve, também será inaugurada a Upinha, unidade
provisória de atendimento pediátrico localizada no Hospital Infantil
Filantrópico (SOPAI)", diz a secretaria em nota.
Considerando
todo o período de 2026, o Ceará já confirmou 391 casos de SRAG causados
por influenza. Entre os grupos mais afetados estão idosos com mais de
70 anos (24,6%) e crianças entre 1 e 4 anos (26,1%).
Na manhã desta sexta-feira, 13,
pacientes que buscaram atendimento em Unidades de Pronto Atendimento
(UPAs) de Fortaleza relataram espera, lotação e dificuldades para serem
atendidos.
O pai de uma
menina de 7 anos, Paulo Sérgio, morador do Jangurussu, procurou
atendimento na UPA do bairro após a filha apresentar sintomas gripais.
“Ela está com influenza. Nós confirmados em um teste de farmácia. Ela
está com muita dor de cabeça, vômito e diarreia, parece uma virose mais
forte”, relatou.
Segundo ele,
a criança foi atendida rapidamente por se tratar de um caso pediátrico
classificado com determinado grau de risco. “Mas está muito lotado lá
dentro. Está chegando gente direto. Os adultos estão demorando mais”,
afirmou.
Dados do sistema de informações
em tempo real do aplicativo Mais Saúde Fortaleza indicam aumento na
demanda em algumas unidades ao longo da manhã. Por volta das 10 horas, o
sistema apontava 74 pacientes aguardando consulta na UPA Jangurussu,
com cinco médicos em atendimento.
Cerca
de uma hora depois, às 11 horas, o número de pessoas na fila havia
aumentado para 89 pacientes, enquanto o número de médicos em atendimento
havia caído para quatro.
A
paciente Vitória Maia, 19, também aguardava atendimento na UPA do
Jangurussu, após apresentar sintomas desde o dia anterior. “Estou com
tosse, febre, fraqueza muscular, então vim para a UPA. Mas é só chegando
gente, chegando gente, e nunca sou chamada. Não tenho nem ideia de
quantas pessoas estão na minha frente”, disse.
Ela afirma que outros pacientes
também demonstravam insatisfação com a demora. “Poucas pessoas estão
sendo chamadas para atendimento médico. Todos reclamando. Tem gente em
pé sem ter onde sentar”, relatou.
Com
menor movimento, a UPA do bairro Messejana registrava, por volta das 10
horas, cerca de 10 pacientes aguardando atendimento. No entanto,
naquele momento, a plataforma também apontava que não havia médicos em
atendimento na unidade.
O
aposentado João Sérgio Rodrigues de Oliveira, 75 anos, morador do bairro
Barroso, relatou ter escolhido a unidade por causa da lotação na UPA do
Jangurussu, apesar de ser mais perto de sua casa.
“Eu
vim aqui por causa dessa gripe, que já dura umas três semanas”, disse.
“Mas o cara [profissional que o atendeu] não passou nem um exame para
saber como é que está o pulmão. Eu chego aqui com dor, tossi a noite
todinha, com dor nas costas. O cara me passa um remédio e não chegou nem
perto de mim para fazer um exame”, relatou.
O
aumento de casos de síndromes gripais também tem impactado o
atendimento em unidades privadas e filantrópicas. No Hospital Cura
d'Ars, da Rede São Camilo, em Fortaleza, cirurgias eletivas programadas
para a última quarta-feira, 11, foram suspensas e remarcadas devido ao
alto volume de pacientes.
Segundo
o hospital, a medida foi pontual e preventiva para garantir a qualidade
do atendimento. O fluxo assistencial já foi normalizado, e os
procedimentos estão sendo reagendados.
UPAs estaduais registram 27 mortes de pacientes atendidos com síndrome gripal em fevereiro e março no Ceará
Segundo
dados da plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa),
21 pacientes atendidos com sintomas de síndrome gripal morreram no mês
de fevereiro em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) administradas pela
rede estadual em Fortaleza.
As
causas associadas aos óbitos foram por pneumonia não especificada (10
mortes); pneumonia por microorganismo não especificado (8 mortes) e
insuficiência respiratória aguda (3 mortes)
Já
entre 1º e 12 de março, a plataforma indica mais seis óbitos de
pacientes atendidos com sintomas gripais nas mesmas unidades. Nesse
período, as causas registradas foram pneumonia não especificada (5
mortes) e insuficiência respiratória aguda (1 morte).
As
ocorrências foram registradas em cinco das seis unidades da Capital:
UPA Autran Nunes, UPA Praia do Futuro, UPA Canindezinho, UPA Conjunto
Ceará e UPA Messejana.
Em
nota, a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) informou que não há
confirmação de óbitos por influenza nas UPAs da rede estadual. “O estado
registrou 236 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por
influenza em 2026, sem registro de óbitos até a Semana Epidemiológica 8,
encerrada em 6 de março”, declarou.
Segundo
a pasta, as seis Unidades de Pronto Atendimento (UPAs 24h) sob gestão
estadual seguem em pleno funcionamento. Considerando todas as demandas
assistenciais, cerca de 500 atendimentos são realizados diariamente nas
unidades. Destes, em média 15% estão relacionados a sintomas
respiratórios.
“Para
assegurar o atendimento nesse período sazonal à população, as UPAs
contam com reforço na equipe assistencial, passando de cinco para sete
médicos em atendimento, além da ampliação das equipes de enfermagem com
dois técnicos de enfermagem e um enfermeiro adicionais. Ao todo, cada
unidade conta com 22 profissionais de saúde, sendo 11 por turno”,
declarou a Sesa.
O Povo