
Com apenas 7 anos de idade, João Vitor Guedes está prestes a viver uma das maiores aventuras de sua vida: representar o Brasil e o Ceará em uma das competições internacionais de matemática mais prestigiada do mundo, em Singapura.
Ao lado da mãe, a neuropsicóloga Malu Guedes, de 39 anos,
eles celebram a conquista do pódio no Singapore International Math
Olympiad Challenge (SIMOC), competição internacional de matemática para estudantes do Ensino Fundamental e Médio.
Para
a família, a conquista representa o reconhecimento de tudo pelo qual o
pequeno tem interesse desde os primeiros meses de vida: os estudos. É um
merecimento condizente com sua trajetória e o amor que sente pelo aprendizado.
“Quando recebi a notícia chorei demais,
pois ele realmente ama estudar e é merecedor de tudo o que está sendo
proporcionado, pois estuda de uma forma natural e com muito amor”,
destaca Malu em entrevista ao O POVO.
“O momento mais emocionante que tive foi quando informei para ele que havia se classificado. Ele se emocionou muito”, completa.
Para chegar ao pódio e classificar-se para a competição final e
presencial, o pequeno passou por duas etapas online: uma disputa com
brasileiros e outra com crianças de outros países. Todos os eventos
foram monitorados ao vivo por Singapura.
“Os maiores desafios que enfrentamos foram as etapas anteriores. Hoje, já o vemos como vencedor por ter conseguido se classificar para a final global”, comemora emocionada a mãe de João.
Apesar
de ser multimedalhista olímpico na disciplina de matemática, é a
primeira vez que o pequeno participa de um evento dessa magnitude.
Para ele, representar o Brasil e o Ceará em uma competição de
matemática tão prestigiada é um sentimento de felicidade, principalmente
por se tratar da disciplina que ele tanto ama.
Nas redes sociais,
essa paixão é compartilhada em seu perfil, sob supervisão e
monitoramento da mãe, com registros que vão desde momentos de estudos e
provas até diversão, passeios e descanso, mostrando a importância que
esses momentos têm para o desenvolvimento da criança.
João é uma criança muito comunicativa, que brinca bastante com os amigos e encara a superdotação como algo natural do seu próprio ser.
Essa simplicidade faz dele um menino humilde, que não se sente melhor
do que os outros, sendo profundamente querido por todos ao seu redor.
Superdotação mostrou sinais já nos primeiros meses de vida de João
Sua
mãe explica que percebeu os sinais de altas habilidades ainda nos
primeiros meses de vida de João, quando ele já identificava o alfabeto e
os números com muita facilidade. Aos 2 anos, quando o pequeno realizou
seu primeiro Teste de QI (Quociente de Inteligência) e atingiu 130
pontos, já era medalhista do Kumon, método de estudo individualizado e
autoinstrutivo, pelo seu interesse em aprender e por não querer parar de
estudar.
Malu explica que tinha dificuldades em retirá-lo do
Kumon, pela sua paixão por estar aprendendo cada vez mais. Aos 4 anos, a
família realizou o mesmo teste e o QI de João subiu para 141.
Devido ao cenário em que se encontrava, a neuropsicóloga, que morava em Santos, São Paulo, via dificuldades para encontrar uma escola de qualidade que acolhesse e incentivasse ainda mais o João.
Após
um período de pesquisa e contato com algumas instituições de ensino,
Malu desembarcou no Ceará, onde vive há 3 anos, para que João tivesse a
oportunidade de desenvolver sua capacidade cognitiva e o raciocínio
lógico.
“Entramos em contato com o Farias Brito,
pois sempre nos foi dito que era a melhor escola para crianças com
superdotação. Ele é muito feliz onde estuda”, explica a mãe.
“Somos gratos por tudo que a escola do João nos proporciona. Ele tem um planejamento de ensino diferenciado, de acordo com sua condição de superdotado. A escola sempre o apoia e o incentiva quando ele pede para aprender mais”, completa Malu.
Por
trás desse grande talento de 7 anos está Malu Guedes, que se esforça e
dedica-se a acompanhar e cuidar de toda a rotina do pequeno, buscando
estar presente em todos os momentos, não só nos estudos, mas também
proporcionando o lazer.
A mãe relata que procura conversar com a
escola semanalmente para alinhar o melhor suprimento escolar para João.
Estudante de meio período, o pequeno ainda encontra tempo para estudar
outras línguas conforme o seu gosto: francês, inglês e italiano.
Além
disso, é apaixonado por futebol e passa horas e horas montando o seu
álbum da Copa. Jogar bola e videogame são algumas das diversões de sua
programação.
“Nossa rede de apoio é a escola.
Viemos sozinhos para cá, mas temos um apoio muito grande, principalmente
da Fernanda Denardin, que é um anjo em nossas vidas”, declara.
O Estado do Ceará foi o apoio que Malu Guedes buscava
Conforme
o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2023,
divulgado pelo MEC, o Ceará liderou com os melhores resultados do Brasil
nos anos iniciais (1° ao 5° ano) e nos anos finais (6° ao 9° ano) do
Ensino Fundamental.
Além disso, o Estado é conhecido nacionalmente
pelos excelentes resultados em educação e matemática. Para Malu Guedes,
esse cenário se comprova todos os dias na rotina de seu filho João e de
muitos outros estudantes da região.
“Eu agradeço a Deus todos os
dias pelo Ceará não ter desistido dos estudantes brasileiros e oferecer
um ensino diferenciado do restante do País”, destaca.
“Muitos pais
de crianças com a mesma condição do João me perguntam se vale a pena a
mudança de estado e sempre respondo que sim. Por incrível que pareça,
alguns se mudam e vêm estudar aqui”, revela ela.
Para a profissional de psicologia, o Estado tende a crescer ainda mais devido a essa referência nacional na educação.
Uma história que inspira
A
paixão que João tem pelos estudos é um testemunho de que o ensino pode
transformar vidas e ser combustível para desmistificar a ideia de que
“estudar é chato”.
“O estudo muda a vida, muda histórias e afasta nossas crianças de muitas coisas ruins que a rua oferece”, pondera Malu Guedes.
O Povo