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Depois de um show histórico no Zócalo, México, ela chegou a Copacabana
para mais um capítulo marcante de sua trajetória. Segundo o prefeito do
Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), a apresentação reuniu 2 milhões de pessoas.
O roteiro era familiar para os fãs brasileiros, mas não idêntico.
Depois de trazer a turnê "Las Mujeres Ya No Lloran" ao país em 2025, a
cantora promoveu ajustes no repertório para a escala monumental de
Copacabana.
Na esteira das passagens de Lady Gaga e Madonna, Shakira sabia o peso
simbólico dessa apresentação. Nas semanas que antecederam o show,
alimentou a expectativa dos fãs nas redes sociais, definiu a noite como
um sonho e escreveu um artigo para o jornal O Globo em homenagem à força das mulheres latinas.
Apesar do atraso de mais de uma hora, o público não desanimou. O maior
trunfo da apresentação esteve na energia física da artista: ela conduziu
a plateia com tanta intensidade que era difícil resistir ao impulso de
dançar.
A abertura com "La Fuerte" já antecipava o clima do espetáculo: uma
faixa eletrônica pulsante que serviu como declaração de intenções. Na
sequência, "Girl Like Me" reforçou uma das marcas da noite: a celebração
das mulheres, especialmente das latinas.
O ritmo seguiu com "Las de la Intuición" e "Estoy Aquí", embora esta
última tenha aparecido em versão reduzida — breve demais para um dos
hits mais queridos pelo público brasileiro.
Shakira se apresenta na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
“Eu não posso acreditar que estou com vocês. Pensar que cheguei aqui
com 18 anos… E agora olha isso. A vida é mágica. Não existe coisa melhor
do que uma lobinha encontrar sua alcateia brasileira”, disse Shakira,
antes de engatar "Empire" e "Inevitable", faixa em que exibiu sua
potência vocal.
A emoção tomou conta quando imagens de seus filhos, Milan e Sasha,
surgiram nos telões durante "Acróstico". Escrita como uma carta de amor
para os dois, a faixa transformou o espetáculo em um raro momento de
intimidade.
Filhos de Shakira cantam em telão no show em Copacabana
O clima esquentou com o medley de "Copa Vacía", "La Bicicleta" e "La
Tortura", uma síntese da latinidade que atravessa sua obra. São hits que
sustentariam performances inteiras, mas um repertório tão extenso exige
concessões.
Como era esperado, o ápice da dança veio com "Hips Don't Lie", quando
seus quadris voltaram a justificar a fama construída ao longo de
décadas.
Para alegria dos fãs, a colombiana inseriu "Loca" e "Can't Remember to
Forget You", músicas que não são muito frequentes nos setlists dos shows
mais recentes.
"No Brasil existem mais de 20 milhões de mães solteiras, eu sou umas
delas. Eu dedico esse show a todas elas", falou na introdução de
"Soltera".
Quando chegou a vez de apresentar Anitta, Shakira a chamou de "rainha".
Essa foi a primeira vez que elas se cantaram juntas ao vivo "Choka
Choka".
Shakira e Anitta no Todo Mundo no Rio 2026
Antes da loba, existiu a roqueira de cabelos pretos e, em um show desse
porte, era impossível deixar os clássicos dos anos 90 de fora. Foi
nesse momento que a cantora apostou na memória afetiva dos fãs, exibindo
nos telões imagens do início de sua carreira.
Ela engatou "Pies Descalzos, Sueños Blancos" e "Antología", em uma
versão acústica. Ela até tentou pedir ajuda para o público cantar, mas o
público demorou a responder, e o clima esfriou por alguns instantes.
Ter participações especiais em megashows não é novidade. Mas a presença
de Caetano Veloso e Maria Bethânia pegou o público de surpresa já nos
ensaios.
Sonho de Shakira de cantar com Caetano Veloso se realiza diante de
milhões quase 30 anos após entrevista.
Ao lado de Bethânia e dos integrantes da bateria da Unidos da Tijuca,
Shakira cantou “O Que É, O Que É?” (1982), um dos maiores sucessos de
Gonzaguinha. Já o encontro com Caetano emocionou ao cantar “Leãozinho",
música que a colombiana entoa para o filho Milan dormir.
Shakira e Maria Bethânia se apresentam durante o show da pop estar
colombiana na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia
2 de maio de 2026
Repetindo o Rock in Rio de 2011, Shakira voltou a dividir o palco com
Ivete Sangalo cantando "Pais Tropical". Claro que a baiana transformou a
breve participação em uma mini micareta.
Shakira e Ivete Sangalo se abraçam durante o show da estrela pop
colombiana na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia
2 de maio de 2026 — Foto: Daniel Ramalho/AFP
Embora tenha ocupado o maior palco da história do evento, isso não
significou apoio em grandes cenários. Muito pelo contrário: a
grandiosidade foi sustentada por elementos simples e pela força da
performance.
Superadas as baladas e a carga emocional, a reta final elevou novamente
a temperatura com "Whenever, Wherever" e o hino da 2010 FIFA World Cup,
"Waka Waka (This Time for Africa)", com o influenciador do Complexo da
Maré Raphael Vicente.
Shakira veste look com bandeira do Brasil
As areias de Copacabana se transformaram em uma floresta de lobas,
uivando em coro enquanto os mandamentos da loba eram projetados nos
telões e uma estrutura gigantesca de lobo invadia o palco. Até que a
loba-mor surgiu para cantar "She Wolf" e "Bzrp Music Sessions, Vol. 53".
Após mais de duas horas de show, ficou a certeza de que Shakira mantém
um domínio de palco impressionante e uma voz que ainda carrega a força
da jovem de 19 anos que conquistou o Brasil há quase três décadas.
Se Copacabana é, como a própria artista definiu, um altar da Terra,
essa noite ela ocupou o centro dele, reverenciada por uma multidão de
súditos da loba.
g1