
O município de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), começará a utilizar o método Wolbachia no combate às arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti, como dengue, chikungunya e zika.
A
previsão da Prefeitura é receber, em setembro, as primeiras cápsulas
com ovos de mosquitos que carregam a bactéria Wolbachia e iniciar a
liberação no território municipal em outubro deste ano.
A
estratégia será adotada em parceria com o Ministério da Saúde, a
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Wolbito do Brasil, empresa
responsável pela produção dos mosquitos com Wolbachia.
A Wolbachia é uma bactéria encontrada naturalmente em diferentes espécies de insetos. No método utilizado contra as arboviroses, ela é introduzida em mosquitos Aedes aegypti.
Segundo o secretário de Saúde de Eusébio, Zózimo Medeiros, a presença da bactéria dificulta a multiplicação dos vírus de dengue,
chikungunya e zika no organismo do mosquito. Com isso, o inseto
continua vivo, mas apresenta menor capacidade de transmitir esses vírus.
Como funciona?
“A
Wolbachia se multiplica dentro do mosquito e, quando ele carrega a
bactéria, o vírus da dengue não consegue se multiplicar nele. O mosquito
continua vivo, mas não transmite mais o vírus. Ao cruzar, ele passa a
bactéria adiante, gerando uma população de mosquitos protegida”,
afirmou.
“No controle tradicional, atuamos reduzindo a quantidade
de mosquitos. Com a Wolbachia, reduzimos a capacidade de transmissão do
vírus. Esse método vem para complementar as ações que o município já
realiza”, explica.
“A vantagem desse método é ser contínuo, duradouro e extremamente
seguro para pessoas, animais e meio ambiente, sem o uso de produtos
químicos ou inseticidas”.
A tecnologia já é utilizada em locais como Austrália, Vietnã, Indonésia, Colômbia e El Salvador.
“Os
dados globais mostram uma redução de 77% nos casos de dengue, de 86% em
chikungunya e de 75% em zika. São evidências consistentes, revisadas e
publicadas. No Brasil, o maior sucesso foi em Niterói, com uma redução
de 88% nos casos de dengue”, destaca.
Conforme
Zózimo Medeiros, o município foi selecionado por apresentar uma
estrutura de saúde considerada adequada para a implantação da
tecnologia.
Segundo o secretário, o investimento direto da Prefeitura de Eusébio para a implementação do projeto foi de cerca de R$ 60 mil.
Os recursos serão destinados às reformas e aquisição de equipamentos,
climatização de salas e locação de um veículo para o transporte das
cápsulas.
Já o Ministério da Saúde, a Fiocruz e a Wolbito serão responsáveis
pelo apoio técnico e científico, fornecimento das cápsulas com ovos
contendo Wolbachia, capacitação dos profissionais e acompanhamento das
etapas do projeto.
A Prefeitura de Eusébio pondera que a
circulação dos mosquitos poderá produzir efeitos em municípios próximos,
como Itaitinga, Aquiraz e Fortaleza, embora essa possibilidade ainda
precise ser monitorada.
Como será a implantação
Segundo a Prefeitura, o projeto abrangerá todo o Eusébio, com maior concentração nas áreas com mais presença do vetor.
Atualmente,
conforme o secretário, o município mapeia as áreas com maior presença
do Aedes aegypti por meio de ovitrampas — armadilhas que utilizam água
para atrair e identificar a presença de mosquitos — em pontos de
diferentes bairros, instaladas desde junho. Os dados serão usados para
definir os pontos de soltura e a quantidade de cápsulas com ovos
contendo Wolbachia em cada região.
A instalação das armadilhas
segue até o fim de agosto. As cápsulas com ovos de mosquito devem chegar
em setembro, e a liberação está prevista para outubro, por um período
estimado de dois a cinco meses. A quantidade utilizada será definida
após o mapeamento.
Método não substituirá ações tradicionais contra o mosquito
Apesar
da adoção da nova tecnologia, a Prefeitura afirma que as ações
convencionais de combate ao Aedes aegypti continuarão sendo realizadas.
Isso inclui o trabalho dos agentes de combate às endemias, a
fiscalização e a eliminação de possíveis criadouros.
Segundo o secretário, a meta é alcançar uma taxa de 80% a 90% de mosquitos sem infecção por arboviroses.
“Os
impactos serão percebidos quando realizarmos o LIRAa (Levantamento
Rápido de Índices para Aedes aegypti), que acompanha a incidência de
arboviroses no município. Entre janeiro e março de 2027, já devemos ter
esses dados”, afirmou Medeiros.
Cenário epidemiológico de arboviroses no Eusébio em 2026
Entre
janeiro e junho de 2026, o município de Eusébio registrou um total de
25 casos confirmados de dengue, além de um que permanece em
investigação. Casos de Chikungunya e Zika não foram registrados no
período.
Os casos de dengue foram registrados em sete bairros, com
maior concentração em Cararu (7) e Coaçu (6). Autódromo, Centro e
Urucunema tiveram três casos cada, enquanto os bairros Encantada,
Precabura e Timbu registraram um caso cada.
O Povo