Os casos de violência contra jegues em Jericoacoara têm preocupado moradores e voluntários que atuam na proteção
dos animais na região. Segundo integrantes do grupo Jegues Jeri,
animais vêm sendo encontrados feridos, mutilados e até mortos tanto na
vila quanto em áreas do Parque Nacional de Jericoacoara. Além disso,
protetores relatam o desaparecimento frequente de animais e cobram uma
investigação para esclarecer o que está acontecendo.
Uma
das voluntárias ouvidas pelo Portal GCMais afirma que a situação se
agravou nos últimos meses e que os registros de maus-tratos têm se
tornado cada vez mais frequentes. De acordo com ela, os casos costumam
ser descobertos pela manhã, quando moradores e protetores encontram os
animais feridos após ocorrências durante a noite.
“Geralmente acontece à noite. Quando amanhece, os animais estão machucados, principalmente dentro do parque”, relata.
A
voluntária afirma que ainda não é possível apontar exatamente quem
estaria por trás dos casos ou quais seriam as motivações. No entanto,
ela acredita que a situação exige uma apuração urgente por parte das
autoridades.
“Não sei se estão brincando com os animais para
filmar ou se estão fazendo isso para acabar mesmo com eles. Não sei o
que está acontecendo de verdade. O que eu sei é que precisa de uma
investigação urgente”, diz.
Voluntários relatam cenário de sofrimento dos animais
Além
dos ferimentos encontrados nos jegues, os protetores relatam que também
há registros de ataques praticados por cães. Segundo a voluntária,
alguns filhotes já morreram após serem atacados por animais que circulam
pela região.
Ela afirma, porém, que nem todos os casos podem ser
explicados apenas pelos ataques de cães. Entre os indícios observados
pelos voluntários estão poças de sangue, ossadas e vestígios encontrados
em áreas frequentadas pelos animais.
“Tem rastro de carro e de
moto dentro do parque. Em alguns lugares que nem são estradas aparecem
poças de sangue e rastros de jegue. Já encontrei vários ossos desses
animais”, relata.
A protetora diz que a sensação entre os
voluntários é de que a população de jegues tem diminuído. Segundo ela,
muitos animais simplesmente desaparecem sem que haja qualquer
explicação.
“Todos os jegues estão sumindo. A gente vê menos animais e não sabe o que está acontecendo com eles”, afirma.
Diante
desse cenário, ela levanta hipóteses que, segundo ressalta, precisam
ser investigadas pelos órgãos responsáveis. Entre elas estão possíveis
ações criminosas contra os animais. No entanto, não há confirmação sobre
essas suspeitas.
Grupo cobra investigação sobre casos em Jericoacoara
Formado
atualmente por cerca de 20 voluntários, o grupo Jegues Jeri atua no
acompanhamento, alimentação e resgate de animais feridos. Nas redes
sociais, os integrantes divulgam registros dos atendimentos realizados e
denunciam os casos encontrados na região.
A voluntária relata que o trabalho tem sido emocionalmente desgastante para quem acompanha de perto o sofrimento dos animais.
“Está
muito difícil. Eu tento ajudar da melhor forma possível, mas não
aguento mais ver tanto sofrimento. Meu emocional está quebrado”,
desabafa.
Segundo ela, há registros de diferentes tipos de violência contra os animais.
“É animal queimado, é animal esfaqueado, é animal sem pata. É um filme de horror”, afirma.
Os
voluntários também reclamam da falta de fiscalização dentro do parque e
nas áreas onde os jegues costumam circular. Além dos casos de
violência, eles relatam ocorrências frequentes de atropelamentos.
“Tem muito animal atropelado também. Sem fiscalização fica muito difícil proteger esses bichos”, diz.
Presença dos animais na vila gera preocupação
De
acordo com a voluntária, os jegues costumam circular pela vila em busca
de alimento. Ela acredita que a falta de locais adequados para descarte
de resíduos contribui para essa situação.
“Muitos deles ficam
revirando lixo. Isso incomoda algumas pessoas. Falta consciência de
colocar o lixo no horário correto e também falta uma estrutura
adequada”, afirma.
Apesar disso, ela ressalta que essa explicação
não justifica os casos registrados dentro do Parque Nacional de
Jericoacoara, onde também são encontrados animais feridos.
“Os
animais que estão dentro do parque não deveriam estar passando por isso.
Não sei por que estão sendo atacados. Pode ser maldade humana, mas quem
vai dizer isso é uma investigação”, observa.
Prefeitura ajuda no tratamento dos animais, mas grupo pede mais ações
Segundo a voluntária, a Prefeitura de Jijoca de Jericoacoara iniciou uma parceria com o grupo para auxiliar no acolhimento dos animais
resgatados. Um espaço foi disponibilizado dentro da área da usina de
reciclagem para receber os jegues que necessitam de cuidados.
Além
disso, conforme a protetora, o município tem contribuído com
alimentação e medicamentos para os animais atendidos pelos voluntários.
Apesar do apoio, ela afirma que ainda faltam medidas voltadas à fiscalização e à apuração das denúncias.
“A
prefeitura entrou em contato com a gente, cedeu um espaço e está
ajudando na medicação e na alimentação. Mas a questão da fiscalização
dos cachorros e do que está acontecendo com os animais ainda não foi
resolvida”, afirma.
Enquanto aguardam respostas, os integrantes do
Jegues Jeri seguem registrando ocorrências e prestando assistência aos
animais encontrados feridos. O grupo defende uma investigação para
esclarecer as causas dos desaparecimentos, dos ferimentos e das mortes
que vêm sendo relatados em Jericoacoara.
(GC+)