O Ceará registrou um aumento de 1.224 casos confirmados de dengue em apenas uma semana. Conforme dados da plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), até a 27ª semana epidemiológica (5 a 11 de julho de 2026) havia sido contabilizados 5.890 casos da doença.
Na atualização mais recente, o número passou para 7.114, o que representa um crescimento de 20,78%.
Além do avanço no número de infecções, o Estado confirmou mais uma morte causada pela doença. O novo óbito foi registrado no município de Caucaia, aumentando para 11 o total de vítimas em 2026.
Ao todo, o Ceará contabiliza 30.890 notificações de dengue neste ano. Desse total, 12.978 casos são considerados prováveis e 17.912 acabaram descartados após investigação epidemiológica. Entre os casos confirmados, 24 evoluíram para a forma grave da doença.
Sobral concentra o maior número de casos confirmados no Estado, com 1.199 registros. Em seguida aparecem Tianguá, com 799 casos, e Fortaleza, com 451 confirmações.
De acordo com a Sesa, o aumento de casos está relacionado, principalmente, à intensificação da transmissão em municípios das regiões Norte, Litoral Leste e Vale do Jaguaribe.
Em relação aos óbitos, o cenário também preocupa. Até o momento, 2026 já registra 11 mortes por dengue, número superior ao contabilizado durante todo o ano de 2025, quando foram confirmados apenas três óbitos.
As mortes ocorreram nos municípios de Beberibe (1), Caucaia (2),
Crato (1), Eusébio (1), Fortaleza (1), Jardim (1), Juazeiro do Norte
(1), Maracanaú (1), Sobral (1) e Tianguá (1).
Todas as faixas
etárias são igualmente suscetíveis à doença, porém indivíduos com
condições preexistentes com as mulheres grávidas, lactentes, crianças
(até dois anos de idade) e pessoas com mais de 65 anos têm mais riscos
de desenvolver complicações pela doença.
Ceará tem circulação de três sorotipos
De acordo com Ana Cabral, coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesa, o aumento do número de casos notificados e confirmados de dengue tem sido percebido, principalmente, em municípios da Região Norte e Litoral Leste do Vale do Jaguaribe.
"Esse crescimento ele reflete a intensificação da circulação do vírus nessas áreas, e um dos fatores que podem ser comuns a essas localidades é a maior favorabilidade climática ambiental o trânsito de pessoas, todos esses fatores em conjunto podem impactar na transmissibilidade da doença", explica.
Cabral destaca que o Estado mantém atualmente o monitoramento contínuo da circulação dos diferentes sorotipos de dengue por meio da viligância laboratorial, pontuando que a unidade federativa registra atualmente a detecção de mais de um sorotipo circulante.
"Nos últimos anos a gente tinha predomínio do sorotipo 1 e 2 de circulação mas hoje, nesse ano de 2026, a gente tem circulação dos três sorotipos 1, 2 e 3 com maior predomínio do sorotipo 2", explica.
Para enfrentar o avanço da dengue, Cabral pontua que a Sesa "atua de forma integrada com as secretarias municipais, oferecendo apoio técnico e "fortalecendo as estratégias de combate ao mosquito".
"Entre ações que a gente pode destacar está o monitoramento contínuo dos indicadores epidemiológicos por meio dos painéis que a gente mantém atualizados diariamente na plataforma IntegraSUS [...] a emissão de cartas alertas aos municípios quando tem um aumento de casos [...] e o apoio também a operações de controle vetorial, como o uso de BV, que é o carro Fumacê, elaboração também em conjunto com os municípios de plano de contingência para o enfrentamento das arboviroses. E o sucesso dessas medidas depende muito da mobilização conjunta entre o estado, município e a população", diz.
Medidas de recuperação
Ainda não há tratamento específico para a doença, no entanto algumas medidas a serem realizadas em casa ajudam na recuperação. Repouso; ingestão de líquidos; não se automedicar e procurar imediatamente o serviço de urgência em caso de sangramentos ou surgimento de pelo menos um sinal de alarme são algumas das orientações definidas pelo Ministério da Saúde (MS).
O MS explica que uma pessoa pode ter dengue até quatro vezes ao longo da vida. "Isso ocorre porque pode ser infectado com aos quatro diferentes sorotipos do vírus. Uma vez exposto a um determinado sorotipo, após a remissão da doença, o indivíduo para a ter imunidade para aquele sorotipo específico, ficando ainda susceptível aos demais", detalha a pasta.
Sinais e sintomas mais comuns de dengue:
Febre alta;
Dor de cabeça e/ou atrás dos olhos;
Enjoo;
Moleza;
Dor nas articulações;
Manchas vermelhas no corpo.
Sinais e sintomas de alerta para dengue grave:
Dor na barriga intensa;
Vômitos frequentes;
Tontura ou sensação de desmaio;
Dificuldade de respirar;
Sangramento no nariz, gengivas e fezes;
Cansaço e/ou irritabilidade.
Fonte: Ministério da Saúde
O Povo






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