Veterinária atacada por cão do Senado teve lesão gravíssima no pescoço

 




A médica-veterinária Vitória Valle de Oliveira Pinha, de 36 anos, que foi mordida por um cão da raça pastor-belga-malinois em um canil do Senado Federal, nesta terça-feira (18/8), teve uma lesão gravíssima na artéria do pescoço por causa do ataque. A vítima sofreu uma parada cardiorrespiratória, foi levada em estado grave ao Hospital de Base e passou por cirurgia no fim da manhã.

Vitória Pinha é uma médica-veterinária contratada por uma prestadora de serviços encarregada dos cuidados dos animais do Senado Federal. O pastor-belga-malinois envolvido no acidente atua no Serviço de Cinotecnia do Senado.

Conforme apurou a coluna Na Mira, a vítima estava no exercício de suas atividades em um canil do Senado quando foi atacada e mordida por um dos cães mantidos no local. Ela foi socorrida por colegas, que, em seguida, acionaram o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF).

Os bombeiros constataram que a médica-veterinária teve uma parada cardiorrespiratória com lesão grave na artéria do pescoço. A mulher ficou ainda com parte da coluna exposta devido à mordida do animal.

Após os procedimentos de regulação médica, a mulher foi transportada em estado grave para o Hospital de Base. De acordo com o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF), ela foi encaminhada ao centro cirúrgico, onde foi submetida a um procedimento e segue sendo assistida pela equipe de Cirurgia do Trauma da unidade.

“O instituto informa, ainda, que, em respeito ao sigilo médico e à legislação vigente, não divulga informações detalhadas sobre o estado de saúde ou dados pessoais de pacientes atendidos nas unidades sob sua gestão”, acrescenta o Iges-DF, em nota.

O Senado Federal também informou, por meio de nota, que a profissional recebeu atendimento imediato e que a instituição acompanha o caso, prestando suporte necessário à vítima e à família.



(Metrópoles)

Contran atualiza a Lei Seca com reteste de bafômetro e “drogômetro”





O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou novas regras para a fiscalização da Lei Seca. A regulamentação atualiza os procedimentos adotados pelos agentes e prevê a possibilidade de repetir o teste do bafômetro em situações de interferência que possam comprometer o resultado. Outra novidade é a implementação do “drogômetro”, aparelho capaz de detectar substâncias psicoativas e tóxicas.

A mudança busca diferenciar a presença de álcool efetivamente absorvido pelo organismo de casos de álcool residual na boca, que pode ocorrer após o consumo de determinados alimentos, como bombom de licor e pão de forma, ou produtos de higiene bucal, como enxaguantes.

Na prática, quando houver suspeita de interferência no resultado, um novo teste poderá ser realizado para confirmar a medição. A iniciativa substitui a regulamentação de 2013 e também atualiza o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito.

Os limites da Lei Seca, no entanto, não foram alterados. A partir de 0,05 mg/L de álcool no ar alveolar, considerando a margem de erro, há infração administrativa. A partir de 0,34 mg/L, também observada a margem regulamentar, pode haver caracterização de crime de trânsito.

Drogômetro

A resolução cria também a utilização de um equipamento chamado de “drogômetro”, para detectar drogas usadas pelos motoristas. Embora já fosse proibido fazer uso de entorpecentes e operar automóvel, a lei não previa equipamentos para fazer a detecção.

A implementação do dispositivo nas blitze, no entanto, ainda não tem data para ocorrer. As novas regras devem entrar em vigor após sua publicação no Diário Oficial da União (DOU).



(Metrópoles) 

Em meio à crise, Casas Bahia fecha ao menos três lojas no Ceará

Cartaz informa fechamento de unidade da Casas Bahia no Bairro Montese, em Fortaleza.
Legenda: Cartaz informa fechamento de unidade da Casas Bahia no Bairro Montese, em Fortaleza. / Foto: Kid Jr.
 



Pelo menos três lojas da Casas Bahia foram fechadas no Ceará nos últimos dias, em Fortaleza, Itapipoca e Pacajus. Os encerramentos ocorrem em meio ao pedido de recuperação judicial da varejista, que fechou 298 unidades e demitiu 3 mil funcionários em todo o Brasil na última semana.

A loja do bairro Montese, em Fortaleza, foi uma das fechadas. Um aviso na porta do estabelecimento informa o encerramento das atividades. "Para atendimento e continuidade dos serviços, por favor, dirija-se à Loja Parangaba", diz o cartaz.

A empresa, contudo, não confirma quais unidades já foram e ainda serão impactadas no Estado. Em maio de 2026, segundo informações do site da companhia, eram 29 lojas no Ceará, onde a rede de eletrodomésticos, móveis e eletrônicos atua desde 2011.

As unidades no Centro e em shoppings da Capital não foram afetadas até o momento. Em resposta ao Diário do Nordeste, os shoppings Parangaba, RioMar Fortaleza, RioMar Kennedy, Center Um, North Shopping Fortaleza, Jóquei e Maracanaú informaram que não há previsão de fechamento.

No País, eram 922 lojas Casas Bahia e 117 da bandeira Ponto Frio.

SEGUNDA FASE DA REESTRUTURAÇÃO

A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. O pedido foi justificado pelos juros elevados, pela restrição ao crédito, pelo aumento dos custos e pela queda no consumo.

O fechamento das lojas integra a segunda fase de um projeto de reestruturação da empresa. Em 2023, foram encerradas 55 unidades, com redução de postos de trabalho.

A continuidade das medidas se mostrou necessária diante do alto nível de endividamento, segundo a companhia. Em 2024, a varejista já havia recorrido a um processo de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4 bilhões.

No segundo trimestre de 2026, registrou prejuízo líquido de aproximadamente R$ 978 milhões. A receita líquida atingiu R$ 800 milhões. 

A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do e-commerce e dos demais canais de venda, sem impacto relevante para os consumidores neste momento.

Quais os impactos para o Ceará?

O impacto da crise no mercado cearense dependerá da disponibilidade de caixa para sustentar estoques e aluguéis e das decisões apresentadas no plano de recuperação judicial, segundo o presidente do Sistema Fecomércio Ceará, Luiz Fernando Bittencourt.

A federação entende que o caso não representa a situação de todo o comércio, já que tem como base um endividamento próprio elevado do grupo.

"Ao mesmo tempo, a crise evidencia dificuldades que atingem o varejo de bens duráveis, como juros altos, crédito restrito e menor capacidade de consumo das famílias. Portanto, é um caso empresarial específico, mas inserido em um ambiente econômico desafiador", aponta.

Bittencourt ressalta que a recuperação judicial oferece proteção temporária contra cobranças e pode reduzir o risco de interrupção abrupta, mas não elimina os riscos nem os problemas operacionais e financeiros.

A possível perda de empregos no Ceará dependerá da aprovação e da execução do plano de recuperação, da capacidade de negociação com credores e da disponibilidade de recursos para sustentar operações, bem como do desempenho dos negócios.

"Estamos acompanhando o caso com atenção, especialmente pelos possíveis reflexos no comércio e no mercado de trabalho do Ceará. A preocupação envolve a continuidade das lojas, a preservação dos empregos e os efeitos sobre fornecedores, transportadores e prestadores de serviços locais", afirma.

FORTE CONCORRÊNCIA COM E-COMMERCE

A necessidade de reestruturação acompanha um movimento de baixa nas vendas do segmento varejista no Brasil, explica o economista e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), Ricardo Coimbra. 

"O segmento varejista não vem bem já há algum tempo, principalmente pela concorrência dos marketplaces. E algumas das empresas também estão se tornando marketplaces, como Casas Bahia e Magalu", aponta.

O especialista projeta que a tendência de redução de custos com pontos fixos também deve abranger o Ceará, com eliminação das unidades com baixa capacidade de gerar receita.

Segundo a empresa, a estratégia consiste em priorizar canais e categorias de maior rentabilidade, reduzindo o capital empregado e o custo de financiamento. Foram encerradas as lojas com pouca geração de caixa. O plano também prevê otimizar o giro de estoque e reduzir o mostruário das unidades.

Entre as oportunidades de crescimento apontadas pela companhia estão a monetização de ativos, o crediário digital, a instalação de minilojas parceiras dentro dos pontos físicos (store-in-store) e a terceirização da operação de e-commerce.



(Diário do Nordeste)

Trio assalta frentistas de posto de combustíveis no Ceará

 


Um trio encapuzado e armado assaltou quatro frentistas que trabalhavam em um posto de combustíveis na Avenida Radialista João Ramos, no Bairro Planalto Ayrton Senna, em Fortaleza, na noite desta segunda-feira (17).

As câmeras de seguranças do estabelecimento registraram o momento em que os três criminosos chegaram correndo e renderam os trabalhadores. Durante o assalto, as vítimas foram obrigados a deitar no chão. Um dos suspeitos estava armado com uma faca.

Em determinado momento, os criminosos mandaram um dos frentistas abrir uma gaveta onde estava o dinheiro. Após pegar uma quantia de cerca de R$ 350 e um aparelho celular, os homens fugiram do local.

A Polícia Civil informou que o caso é investigado pela 8ª Delegacia da capital, que analisa as imagens das câmeras de segurança.

A corporação orientou ainda que as vítimas registrem boletim de ocorrência, que pode ser feito presencialmente em qualquer unidade policial ou por meio da Delegacia Eletrônica (Deletron).

Trio assalta frentistas de posto de combustíveis no Bairro Planalto Ayrton Senna, em Fortaleza. — Foto: Reprodução
Trio assalta frentistas de posto de combustíveis no Bairro Planalto Ayrton Senna, em Fortaleza. — Foto: Reprodução 



(G1/CE)

Apreensão de cocaína no Ceará: 1 tonelada estava em carga de peixes

Operação apreende mais de 1 tonelada de cocaína escondida em carga de peixes em Paracuru — Foto: Divulgação
Operação apreende mais de 1 tonelada de cocaína escondida em carga de peixes em Paracuru — Foto: Divulgação 
 



A Polícia Militar do Ceará (PMCE) e a Polícia Federal (PF) apreenderam 1.051 kg de cocaína na madrugada desta terça-feira (18). A droga estava distribuída em 948 tabletes e escondida em um caminhão que transportava peixes.

A ação ocorreu na rodovia CE-085, na altura do km 71, entre os municípios de Paraipaba e Paracuru. A abordagem foi motivada por um levantamento conjunto das equipes de inteligência da PMCE e da PF. Os agentes descobriram que uma carga de entorpecentes havia saído do Pará com destino ao Ceará e montaram um cerco na região.

O caminhão foi interceptado pelo Batalhão de Polícia de Trânsito Urbano e Rodoviário Estadual (BPRE) e levado a um posto de fiscalização fixo em Paracuru. O veículo era ocupado por dois irmãos, naturais do Pará.

A vistoria no compartimento de carga teve o apoio do Comando Tático Motorizado (Cotam) e de cães farejadores do Batalhão de Choque. Mesmo com a grande quantidade de gelo e peixes a granel, os cães Boris e Ayron indicaram a presença do material suspeito.

Após a retirada do pescado, os policiais encontraram mais de uma tonelada de cocaína. Os dois ocupantes do caminhão receberam voz de prisão no local.

Os suspeitos e a droga foram encaminhados à sede da Polícia Federal, responsável pelos procedimentos legais. Já a carga de peixes apreendida foi destinada às ações de combate à fome do governo do estado.



(G1/CE)

Cearense é encontrado morto na Bahia

Jailton Nergino de Oliveira, de 46 anos, teve o corpo localizado pela polícia na cidade de Itapetinga, na Bahia, no final da tarde de segunda-feira (17). — Foto: Arquivo pessoal

Jailton Nergino de Oliveira, de 46 anos, teve o corpo localizado pela polícia na cidade de Itapetinga, na Bahia, no final da tarde de segunda-feira (17). — Foto: Arquivo pessoal

 



Um cearense que trabalhava como representante comercial de joias e semijoias teve o corpo localizado pela polícia na cidade de Itapetinga, na Bahia, no final da tarde de segunda-feira (17), após passar mais de uma semana desaparecido.

Jailton Nergino de Oliveira, de 46 anos, morador de Juazeiro do Norte, havia ido à cidade baiana para vender os produtos, atividade que desempenhava há cerca de oito anos. No período em que estava viajando, ele ligava diariamente para a família.

No entanto, desde o dia 8 de agosto, parou de manter contato e os parentes registraram um Boletim de Ocorrência por conta do desaparecimento do homem.

Morto ao reagir a assalto

Segundo a Polícia Civil da Bahia, imagens de câmeras de monitoramento e depoimentos apurados ao longo do inquérito identificaram que, no dia do desaparecimento, Jailton esteve nas imediações no bairro Nova Itapetinga.

Na ocasião, ele transportava um mostruário de semijoias quando sofreu uma tentativa de assalto e reagiu, correndo em direção a uma área de difícil acesso, próxima às margens do Rio Catolé.

Os agentes realizaram buscas nas imediações e encontraram objetos ligados à vítima, como manguitos de proteção e folhas de talão da marca vendida pelo representante comercial.

Localização do corpo

Policias e bombeiros fizeram buscas na água e no entorno do Rio Catolé. — Foto: Reprodução


No decorrer dos dias, os policiais intensificaram as buscas nas margens do rio e dentro do reservatório.

A ação teve participação de mergulhadores Corpo Bombeiros Militar (CBM / Itabuna) no ambiente aquático e de cães farejadores da Companhia Independente de Policiamento Especializado de Vitória da Conquista em terra.

"​No final da tarde, as equipes terrestres localizaram um ponto com forte odor e indícios de solo revolto no interior da mata. O Departamento de Polícia Técnica (DPT) foi acionado de imediato para isolamento, escavação pericial e remoção cadavérica, confirmando-se tratar-se do corpo da vítima Jailton Nergino de Oliveira", disse a Polícia Civil da Bahia.

A 1ª Delegacia Territorial de Itapetinga segue com as investigações para identificar e prende os envolvidos no crime.




(G1/CE) 

Câmeras registram veículo fugindo de abordagem na sede de Ipu

 




Um veículo fugiu de uma abordagem policial na manhã desta terça-feira (18/08), na Avenida Abdoral Timbó, na sede de Ipu. A ocorrência foi registrada por câmeras de segurança.

Segundo a Secretaria de Segurança do Município, o automóvel estava estacionado há um longo período no local e chamou a atenção das autoridades. Durante a aproximação da equipe para averiguação, o condutor teria acelerado e fugido.

Posteriormente, o veículo foi visto no distrito de Várzea do Giló, na região serrana do município. As circunstâncias da ocorrência estão sendo apuradas.

🔗 Confira todos os detalhes na matéria completa acessando o link (clique aqui)

(Ipu Notícias.com)

Doméstica resgatada após 55 anos sem salário deixa casa de patrões

Mulher é resgatada de trabalho escravo após 55 anos sem salários em condomínio de luxo no Eusébio. — Foto: AFT/Divulgação

Mulher é resgatada de trabalho escravo após 55 anos sem salários em condomínio de luxo no Eusébio. — Foto: AFT/Divulgação

 

A idosa de 62 anos resgatada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) em condições análogas à escravidão de um imóvel localizado dentro de um condomínio de luxo, na cidade de Eusébio, Grande Fortaleza, não está mais na casa dos empregadores. 

A informação foi confirmada ao g1 pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Ainda segundo o órgão, a vítima não trabalha mais no local e teve sua rescisão concluída. O MPT não informou, no entanto, para onde ela foi. "O processo segue em tramitação e está sob sigilo", acrescentou o órgão em nota.

A defesa da família empregadora disse, em nota, que a doméstica deixou a residência no dia 27 de julho. "Assim como vinha ocorrendo nos últimos anos, ela foi passar uma temporada na casa da irmã e de seus demais parentes no interior do Estado". No momento, eles não possuem nenhum vínculo de trabalho ativo.

O caso se desenrolou a partir de uma denúncia anônima ao Disque 100, contato do Governo Federal para receber, analisar e encaminhar denúncias de violações de direitos humanos. De acordo com a auditoria, a mulher passou 55 anos sem receber salário. Ela chegou à casa da família ainda aos sete anos de idade e não estudou.

Após o resgate, a vítima chegou a ficar por um tempo na casa dos empregadores. Isso ocorreu porque os órgãos competentes entendiam que ela não tinha autonomia para morar sozinha. No entanto, o cenário mudou. O MPT informou ao g1 na manhã desta segunda-feira (17) que ela não está mais no condomínio do Eusébio.

A idosa continua sendo assistida pela Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará, onde recebe "atendimentos multidisciplinares frequentes com foco no incentivo à autonomia".

"O acompanhamento seguirá de forma contínua, dando seguimento ao apoio psicossocial necessário no pós-resgate e à articulação com os órgãos competentes para acesso à rede de proteção e aos serviços públicos, a partir das demandas que venham a ser identificadas", informou a pasta.

Maria Neuzeli, auditora fiscal do Trabalho responsável pela fiscalização do caso, disse que a vítima era responsável pelos cuidados cotidianos de duas crianças, de 11 e sete anos, além da preparação das refeições e da execução de todas as atividades domésticas essenciais ao funcionamento da residência.

O g1 também procurou o Ministério do Trabalho e Emprego para comentar o caso. Em nota, o órgão disse que a força-tarefa coordenada pelo MTE, por meio da Secretaria de Inspeção, resgatou uma trabalhadora doméstica de 62 anos submetida a condições análogas à escravidão após mais de cinco décadas de trabalho ininterrupto para o mesmo núcleo familiar, na capital Fortaleza.

"O relatório da inspeção fiscal aponta também que durante toda a trajetória, a trabalhadora permaneceu sem remuneração regular, sem autonomia financeira e sem acesso às oportunidades educacionais e patrimoniais desfrutadas pelos integrantes da família para a qual trabalhou durante praticamente toda a vida", acrescentou o ministério.

"Enquanto os empregadores estudaram, se profissionalizaram, constituíram patrimônio e formaram suas próprias famílias, a trabalhadora permaneceu analfabeta e em situação de completa dependência econômica", disse ainda o órgão.

A família empregadora reforçou também, por nota, que há um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em cumprimento. "A defesa reitera que a inexistência de qualquer situação análoga à escravidão será devidamente demonstrada e comprovada pelos meios próprios, no âmbito das instâncias competentes", concluiu.

O g1 destaca alguns pontos dessa história para entender até onde ela avançou e os desafios daqui para frente.

Momento antes do resgate da trabalhadora em condomínio de luxo na região metropolitana de Fortaleza — Foto: Divulgação
Momento antes do resgate da trabalhadora em condomínio de luxo na região metropolitana de Fortaleza — Foto: Divulgação


1. 'Dada pela mãe'

Lá, a ex-empregada da família teve seis filhos. Ao saber da informação, depois de alguns anos, a matriarca da família empregadora, baseada na suposta extrema pobreza que a ex-funcionária vivia, decidiu ir até lá para buscá-la de volta. Nesta ida, a empregadora trouxe a ex-funcionária e duas filhas (sendo uma delas, a mulher que viria a ser resgatada em junho deste ano).

A mãe morreu, mas antes disso teria "dado" a menina de 7 anos a família empregadora. Sobre esse período, a trabalhadora doméstica disse aos auditores fiscais que "fazia coisa de criança: lavava roupa e limpava a casa".

A criança cresceu na primeira residência até o ano de 1982. Naquela época, a irmã mais nova, que veio junto do Piauí, teria brigado com a família e saído da casa. O paradeiro dela ainda é investigado pela Auditoria-Fiscal do Trabalho.

Em 1982, quando a vítima completou 18 anos, Aurora Dalva Bastos de Alencar Brasil, filha da matriarca casou. Ela teve três filhos: Paulo Martins Brasil Filho, Zaamarah Alencar Brasil Andrade e Nayarah Alencar Brasil Magalhães. A vítima passou a trabalhar para esse núcleo familiar.

Em 2014, Zaamarah casou e teve o primeiro filho. Neste momento, a empregada foi levada para a casa dela para cuidar dos bisnetos da matriarca da família.

Após denúncia anônima e investigação, os auditores concluíram que a trabalhadora permaneceu durante mais de 50 anos submetida a uma relação sem remuneração, marcada pela dependência econômica, pela privação de oportunidades educacionais e pela permanência contínua no mesmo núcleo familiar desde a infância, "elementos que caracterizam grave violação à dignidade humana".


2. Operação de resgate

No momento do resgate, a trabalhadora estava na casa da neta da primeira empregadora, e era responsável pelos cuidados cotidianos de duas crianças, de 11 anos e sete anos, além da preparação das refeições e da execução de todas as atividades domésticas essenciais ao funcionamento da residência.

Mesmo sendo hipertensa e apresentando episódios recorrentes de mal-estar em situações de estresse, ela continuava desempenhando normalmente todas as atividades.

3. Acordo garante direitos

Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, no curso da fiscalização, o empregador reconheceu a prestação de serviços sem formalização do vínculo empregatício e admitiu que a remuneração não vinha sendo realizada de forma regular. Foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

O órgão estima que, considerados os salários não pagos, férias, 13º salários, FGTS, verbas rescisórias e horas extras decorrentes da supressão sistemática dos descansos semanais, os créditos trabalhistas ultrapassam R$ 1,5 milhão.

O vínculo de emprego considerado, no entanto, foi o período iniciado a partir de 21 de julho de 2014, quando a mulher chegou à última residência em que prestou serviços.

Entre as obrigações firmadas com os empregadores, estão:

  • a regularização dos recolhimentos previdenciários relativos ao período reconhecido;
  • o pagamento de R$ 50 mil a título de verbas rescisórias, em dez parcelas mensais de R$ 5 mil;
  • a aquisição de um imóvel residencial em favor da trabalhadora no valor mínimo de R$ 150 mil, acrescido de mobiliário e eletrodomésticos essenciais;
  • além do custeio das contribuições previdenciárias até a obtenção da aposentadoria.

O acordo também prevê complementação financeira de até R$ 12 mil caso ela complete 64 anos sem acesso ao benefício previdenciário.

O próprio TAC estabelece que as obrigações assumidas não implicam quitação integral dos direitos da trabalhadora, permanecendo possível a cobrança judicial de créditos trabalhistas e indenizações eventualmente não satisfeitos.


4. Como ela está hoje

A idosa chegou a continuar na casa dos empregadores mesmo após o resgate. Isso ocorreu porque os órgãos competentes entenderam que a vítima não tinha autonomia suficiente para morar sozinha e também porque ela havia criado um laço com a família empregadora.

Na época, a AFT disse que a permanência temporária da trabalhadora na residência não decorria de uma decisão da Auditoria-Fiscal do Trabalho nem descaracterizava a situação constatada durante a fiscalização. "Em casos como este, a prioridade é preservar a integridade física, emocional e a autonomia da vítima", esclareceu a AFT.

Ainda de acordo com os fiscais do Trabalho, a vítima não tinha vida pessoal. Ela não saía sozinha de casa, não sabe ler ou escrever, não tinha conta bancária e passava parte do dia voltada para os afazeres domésticos.

Maria Neuzeli disse que a doméstica nunca namorou e não possuía amizades no condomínio onde morava. "Ela não sabe se locomover na cidade, tem medo da violência lá fora. Ela se sentia 'paga' pelos trabalhos porque recebia roupa, comida e moradia. Mas a rotina dela ficava em torno das crianças", disse.

"Trata-se de uma pessoa que viveu praticamente toda a vida naquele ambiente, submetida a uma relação de extrema dependência. O desligamento imediato, sem uma rede de apoio estruturada, poderia representar um novo fator de vulnerabilidade. Por essa razão, a equipe psicossocial realizou avaliação técnica e vem acompanhando a trabalhadora na construção de alternativas pra sua autonomia, respeitando suas necessidades", disse a AFT após o resgate.

A idosa foi acolhida pela Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará para receber escolarização e ajuda para adaptar-se novamente ao "mundo externo".

Em nota atualizada nesta segunda-feira (17), a pasta disse que uma uma equipe técnica do Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH) segue acompanhando o caso, por meio da realização de atendimentos multidisciplinares frequentes com foco no incentivo à autonomia.

"O acompanhamento seguirá de forma contínua, dando seguimento ao apoio psicossocial necessário no pós-resgate e à articulação com os órgãos competentes para acesso à rede de proteção e aos serviços públicos, a partir das demandas que venham a ser identificadas", informou a pasta.

Já a família confirmou que a doméstica não mora mais na casa e não possui, no momento, vínculo de trabalho ativo.

5. O que diz a família empregadora

A família empregadora da doméstica é composta por um casal aposentado (sendo o homem um arquiteto e a mulher uma diretora escolar), um advogado, um médico veterinário e duas funcionárias públicas.

Conforme o TAC, os empregadores da mulher foram identificados como:

  • Paulo Martins Brasil - aposentado, casado com Aurora;
  • Aurora Dalva Bastos de Alencar Brasil - aposentada, casada com Paulo;
  • Paulo Martins Brasil Filho - advogado;
  • Zaamarah Alencar Brasil Andrade - servidora pública, casada com Tiago;
  • Tiago Silva Andrade - médico veterinário, casado com Zaamarah;
  • Nayarah Alencar Brasil Magalhães, empregada pública.

Família empregadora de doméstica em situação análoga à escravidão. — Foto: Reprodução

Em nota, enviada quando o caso foi divulgado, a família empregadora da doméstica negou "com veemência as acusações divulgadas até o momento, que não retratam a relação de convivência, cuidado e afeto construída ao longo de décadas com a senhora envolvida. Lamenta, ainda, que julgamentos precipitados tenham sido tornados públicos".

Nesta segunda, a família esclareceu a atual situação, leia na íntegra:

A defesa da família esclarece que a idosa não se encontra na residência dos empregadores desde o dia 27 de julho. Assim como vinha ocorrendo nos últimos anos, ela foi passar uma temporada na casa da irmã e de seus demais parentes no interior do Estado. Ressalte-se, ainda, que há um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em cumprimento, cujas disposições vêm sendo integralmente observadas.

A defesa reitera que a inexistência de qualquer situação análoga à escravidão será devidamente demonstrada e comprovada pelos meios próprios, no âmbito das instâncias competentes.

6. Repercussões após divulgação

A Prefeitura Municipal de Fortaleza exonerou Zaamarah Alencar Brasil Andrade do cargo que ocupava na Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP) desde 1º de março de 2017. A servidora pública é citada como membro da família empregadora. A decisão foi assinada pelo prefeito Evandro Leitão e publicada no Diário Oficial do Município.

A Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Ceará (OAB-CE) e a Universidade Estadual do Ceará (Uece) se manifestaram, em julho, sobre a situação envolvendo respectivamente o advogado e o professor membros das instituições cearenses, que integram a família beneficiada por 55 anos do trabalho da doméstica resgatada em situação análoga à escravidão em um condomínio de luxo no Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza.

São eles: o advogado Paulo Martins Brasil Filho e o médico veterinário e professor universitário Tiago Silva Andrade. Entre os outros integrantes da família, há uma diretora escolar aposentada e outras funcionárias públicas.

Segundo a Uece, o médico-veterinário Tiago Silva Andrade é professor temporário desde setembro de 2024 junto à Faculdade de Veterinária (Favet). A instituição informou que o docente já concluiu a única disciplina que ministrava neste semestre letivo e que o contrato temporário tem vigência até este mês.

“A Universidade informa que avaliará os procedimentos administrativos cabíveis no âmbito institucional” , diz a instituição e que vai considerar a legislação vigente e as normas internas da Universidade.

Assim como a Uece, a OAB-CE reforçou a necessidade de assegurar o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa durante todo o processo. Neste caso, a Ordem se refere ao advogado Paulo Martins Brasil Filho. “A instituição confia na atuação dos órgãos competentes”, disse a seccional cearense.

“Destacamos que, se confirmada a participação de um membro da advocacia em condutas incompatíveis com a ética e a dignidade da profissão, serão adotadas as medidas disciplinares cabíveis”, destacou a nota da OAB-CE.



(G1/CE) 

Acidente envolvendo dois veículos com danos materiais em Ipu

 




Um acidente de trânsito envolvendo uma Volkswagen Parati e um veículo JAC foi registrado na manhã desta terça-feira (18/08), na Avenida Boulevard Sebastião Carlos, no bairro Alto dos 14, em Ipu.

Segundo informações, o motorista do JAC teria passado mal e acabou colidindo com o outro veículo. A ocorrência resultou apenas em danos materiais.

A Autarquia de Trânsito de Ipu esteve no local realizando o controle do trânsito.

🔗 Confira todos os detalhes na matéria completa acessando o link (clique aqui)

(Ipu Notícias.com)

Homem é preso por perseguir e ameaçar mãe de colega de trabalho

Polícia divulgou imagens borradas do suspeito. — Foto: Divulgação
Polícia divulgou imagens borradas do suspeito. — Foto: Divulgação 
 



Um homem foi preso na tarde desta segunda-feira (17) por perseguir e ameaçar a mãe de um colega de trabalho na cidade de Cascavel, Região Metropolitana de Fortaleza.

O suspeito também monitorava o filho da vítima e o procurou para avisar que iria matar a mulher e, em seguida, tiraria sua própria vida. Segundo a polícia, o homem se chama Carlos Renato Carneiro de Sousa.

Conforme as investigações, o suspeito não possuía nenhum vínculo com a mulher. Mesmo assim, ele passou a persegui-la durante os últimos meses após criar "interesse amoroso" pela vítima.

Após receber a denúncia, uma equipe da Polícia Civil fez a prisão na casa do suspeito, no Centro de Cascavel.

O homem foi autuado pelos crimes de ameaça, perseguição e violência psicológica contra a mulher.



(G1/CE)

Postagens mais visitadas do mês