Um homem de 55 anos morreu após sofrer um mal súbito enquanto praticava atividade física em uma academia no bairro Dom Lustosa, em Fortaleza, na manhã desta segunda-feira (14). O caso aconteceu por volta das 6h.
Segundo informações preliminares repassadas à equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza sobre a ocorrência, o homem realizava exercícios quando começou a passar mal. Pessoas que estavam na academia iniciaram os primeiros socorros e tentaram reanimá-lo até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Quando a equipe do Samu chegou ao estabelecimento, o homem já estava morto. A Polícia Militar e a perícia foram acionadas para os procedimentos no local.
Até o momento, a perícia confirmou apenas a idade da vítima, de 55 anos. A causa da morte não foi informada.
O caso volta a chamar atenção para a importância da avaliação das condições de saúde antes do início ou da retomada de atividades físicas. Exames e acompanhamento médico podem ajudar a identificar possíveis condições que exijam cuidados específicos durante a prática de exercícios.
Adolescente morreu após passar mal durante treino
O episódio desta segunda-feira ocorre após outro caso registrado no mês passado em Fortaleza. Uma adolescente de 17 anos morreu depois de passar mal enquanto praticava exercícios em uma academia no bairro João XXIII.
Segundo relatos publicados nas redes sociais, a jovem estava utilizando uma esteira quando apresentou o mal-estar. Ela recebeu atendimento e foi levada para um hospital, mas morreu na unidade de saúde.
Mortes em academias ampliam debate sobre desfibriladores
A presença de desfibriladores externos automáticos, conhecidos como DEA, passou a ser discutida com maior atenção no Ceará após pelo menos seis mortes súbitas registradas em espaços esportivos da Grande Fortaleza em um período inferior a um ano.
Entidades das áreas da Saúde e do Direito elaboraram uma nota técnica defendendo que academias e estabelecimentos destinados à prática de exercícios físicos sejam obrigados a manter o equipamento disponível, independentemente do número de alunos ou do tamanho da unidade.
O documento considera a situação uma questão de saúde pública e defende a adoção de protocolos obrigatórios para situações de emergência. A discussão ganhou força após uma série de ocorrências registradas entre julho de 2025 e abril de 2026 em Fortaleza e municípios da Região Metropolitana.
Entre os casos citados está o do professor de Educação Física Renan Guedes Brito da Silva, de 31 anos. Ele morreu após sofrer um mal súbito durante um treino em uma academia no bairro Parreão, em Fortaleza. O Samu foi chamado, mas o professor morreu no local.
Outras ocorrências também foram registradas em academias da Região Metropolitana de Fortaleza. Entre os relatos estão casos de pessoas que sofreram infarto, acidente vascular cerebral (AVC) ou mal súbito durante treinos e aulas coletivas.
Primeiros minutos podem ser decisivos
Especialistas destacam que os primeiros minutos depois de uma parada cardiorrespiratória são importantes para aumentar as possibilidades de sobrevivência. Nesse cenário, o desfibrilador externo automático pode ser utilizado até a chegada do atendimento médico especializado.
O DEA é um equipamento que identifica determinados ritmos cardíacos e pode orientar a aplicação de um choque elétrico quando indicado. A proposta defendida pelas entidades é que o aparelho esteja disponível de maneira rápida em locais onde há prática de exercícios físicos.
Atualmente, Fortaleza possui legislação que determina a instalação de desfibriladores em locais com circulação superior a 2 mil pessoas por dia. A nota técnica defende que a exigência seja ampliada para todas as academias e espaços esportivos, tanto na capital quanto no interior do Ceará.
O documento também recomenda que os equipamentos sejam mantidos em pontos sinalizados, de fácil acesso e submetidos a manutenção preventiva periódica.
Regras semelhantes já existem em outras cidades brasileiras, entre elas São Paulo, Rio de Janeiro e João Pessoa.
Decon já havia recomendado medidas de segurança
A discussão também ocorre meses após uma recomendação do Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), órgão vinculado ao Ministério Público do Ceará (MPCE), para que academias reforçassem as medidas de segurança destinadas aos alunos.
A orientação foi divulgada em abril deste ano, depois da morte de um aluno durante exercícios em uma academia localizada no bairro Parreão, em Fortaleza.
Entre as recomendações apresentadas pelo Decon estavam a exigência de atestado médico no momento da matrícula e a realização de uma avaliação prévia das condições dos alunos.
O órgão também orientou as academias a manter acompanhamento realizado por profissionais habilitados e a estabelecer protocolos para situações de emergência.
(Gc+)