A médica-veterinária Vitória Valle de Oliveira Pinha, de 36 anos, que foi mordida por um cão da raça pastor-belga-malinois em um canil do Senado Federal, nesta terça-feira (18/8), teve uma lesão gravíssima na artéria do pescoço por causa do ataque. A vítima sofreu uma parada cardiorrespiratória, foi levada em estado grave ao Hospital de Base e passou por cirurgia no fim da manhã.
Vitória Pinha é uma médica-veterinária contratada por uma
prestadora de serviços encarregada dos cuidados dos animais do Senado
Federal. O pastor-belga-malinois envolvido no acidente atua no Serviço de Cinotecnia do Senado.
Conforme apurou a coluna Na Mira, a vítima estava no
exercício de suas atividades em um canil do Senado quando foi atacada e
mordida por um dos cães mantidos no local. Ela foi socorrida por
colegas, que, em seguida, acionaram o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF).
Os bombeiros constataram que a médica-veterinária teve
uma parada cardiorrespiratória com lesão grave na artéria do pescoço. A
mulher ficou ainda com parte da coluna exposta devido à mordida do
animal.
Após os procedimentos de regulação médica, a mulher foi transportada
em estado grave para o Hospital de Base. De acordo com o Instituto de
Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF), ela foi encaminhada ao centro cirúrgico, onde foi submetida a um procedimento e segue sendo assistida pela equipe de Cirurgia do Trauma da unidade.
“O instituto informa, ainda, que, em respeito ao sigilo médico e à
legislação vigente, não divulga informações detalhadas sobre o estado de
saúde ou dados pessoais de pacientes atendidos nas unidades sob sua
gestão”, acrescenta o Iges-DF, em nota.
O Senado Federal também informou, por meio de nota, que a
profissional recebeu atendimento imediato e que a instituição acompanha o
caso, prestando suporte necessário à vítima e à família.
O Conselho Nacional de Trânsito (Contran)
aprovou novas regras para a fiscalização da Lei Seca. A regulamentação
atualiza os procedimentos adotados pelos agentes e prevê a possibilidade
de repetir o teste do bafômetro em situações de interferência que
possam comprometer o resultado. Outra novidade é a implementação do
“drogômetro”, aparelho capaz de detectar substâncias psicoativas e
tóxicas.
A mudança busca diferenciar a presença de álcool efetivamente
absorvido pelo organismo de casos de álcool residual na boca, que pode
ocorrer após o consumo de determinados alimentos, como bombom de licor e
pão de forma, ou produtos de higiene bucal, como enxaguantes.
Na prática, quando houver suspeita de interferência no resultado, um
novo teste poderá ser realizado para confirmar a medição. A iniciativa
substitui a regulamentação de 2013 e também atualiza o Manual Brasileiro
de Fiscalização de Trânsito.
Os limites da Lei Seca, no entanto, não foram alterados.
A partir de 0,05 mg/L de álcool no ar alveolar, considerando a margem
de erro, há infração administrativa. A partir de 0,34 mg/L, também
observada a margem regulamentar, pode haver caracterização de crime de
trânsito.
Drogômetro
A resolução cria também a utilização de um equipamento chamado de
“drogômetro”, para detectar drogas usadas pelos motoristas. Embora já
fosse proibido fazer uso de entorpecentes e operar automóvel, a lei não
previa equipamentos para fazer a detecção.
A implementação do dispositivo nas
blitze, no entanto, ainda não tem data para ocorrer. As novas regras
devem entrar em vigor após sua publicação no Diário Oficial da União
(DOU).
Legenda: Cartaz informa fechamento de unidade da Casas Bahia no Bairro Montese, em Fortaleza. / Foto: Kid Jr.
Pelo menos três lojas da Casas Bahia foram fechadas no Ceará nos últimos dias,
em Fortaleza, Itapipoca e Pacajus. Os encerramentos ocorrem em meio ao
pedido de recuperação judicial da varejista, que fechou 298 unidades e
demitiu 3 mil funcionários em todo o Brasil na última semana.
A loja do bairro Montese, em Fortaleza, foi uma das
fechadas. Um aviso na porta do estabelecimento informa o encerramento
das atividades. "Para atendimento e continuidade dos serviços, por
favor, dirija-se à Loja Parangaba", diz o cartaz.
A empresa, contudo, não confirma quais unidades já foram e ainda
serão impactadas no Estado. Em maio de 2026, segundo informações do site
da companhia, eram 29 lojas no Ceará, onde a rede de eletrodomésticos, móveis e eletrônicos atua desde 2011.
As unidades no Centro e em shoppings da Capital não foram afetadas até o momento. Em resposta ao Diário do Nordeste,
os shoppings Parangaba, RioMar Fortaleza, RioMar Kennedy, Center Um,
North Shopping Fortaleza, Jóquei e Maracanaú informaram que não há
previsão de fechamento.
No País, eram 922 lojas Casas Bahia e 117 da bandeira Ponto Frio.
SEGUNDA FASE DA REESTRUTURAÇÃO
A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. O pedido foi justificado pelos juros elevados, pela restrição ao crédito, pelo aumento dos custos e pela queda no consumo.
O fechamento das lojas integra a segunda fase de um projeto de
reestruturação da empresa. Em 2023, foram encerradas 55 unidades, com
redução de postos de trabalho.
A continuidade das medidas se mostrou necessária diante do alto nível
de endividamento, segundo a companhia. Em 2024, a varejista já havia
recorrido a um processo de recuperação extrajudicial para renegociar
cerca de R$ 4 bilhões.
No segundo trimestre de 2026, registrou prejuízo líquido de
aproximadamente R$ 978 milhões. A receita líquida atingiu R$ 800
milhões.
A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas
físicas, do e-commerce e dos demais canais de venda, sem impacto
relevante para os consumidores neste momento.
Quais os impactos para o Ceará?
O impacto da crise no mercado cearense dependerá da disponibilidade
de caixa para sustentar estoques e aluguéis e das decisões apresentadas
no plano de recuperação judicial, segundo o presidente do Sistema
Fecomércio Ceará, Luiz Fernando Bittencourt.
A federação entende que o caso não representa a situação de todo o
comércio, já que tem como base um endividamento próprio elevado do
grupo.
"Ao mesmo tempo, a crise evidencia dificuldades que atingem o varejo de bens duráveis, como juros altos, crédito restrito e menor capacidade de consumo das famílias. Portanto, é um caso empresarial específico, mas inserido em um ambiente econômico desafiador", aponta.
Bittencourt ressalta que a recuperação judicial oferece proteção
temporária contra cobranças e pode reduzir o risco de interrupção
abrupta, mas não elimina os riscos nem os problemas operacionais e
financeiros.
A possível perda de empregos no Ceará dependerá da aprovação e da execução do plano de recuperação,
da capacidade de negociação com credores e da disponibilidade de
recursos para sustentar operações, bem como do desempenho dos negócios.
"Estamos acompanhando o caso com atenção, especialmente pelos
possíveis reflexos no comércio e no mercado de trabalho do Ceará. A
preocupação envolve a continuidade das lojas, a preservação dos empregos
e os efeitos sobre fornecedores, transportadores e prestadores de
serviços locais", afirma.
FORTE CONCORRÊNCIA COM E-COMMERCE
A necessidade de reestruturação acompanha um movimento de baixa nas
vendas do segmento varejista no Brasil, explica o economista e professor
da Universidade de Fortaleza (Unifor), Ricardo Coimbra.
"O segmento varejista não vem bem já há algum tempo, principalmente pela concorrência dos marketplaces. E algumas das empresas também estão se tornando marketplaces, como Casas Bahia e Magalu", aponta.
O especialista projeta que a tendência de redução de custos com
pontos fixos também deve abranger o Ceará, com eliminação das unidades
com baixa capacidade de gerar receita.
Segundo a empresa, a estratégia consiste em priorizar canais e
categorias de maior rentabilidade, reduzindo o capital empregado e o
custo de financiamento. Foram encerradas as lojas com pouca geração de
caixa. O plano também prevê otimizar o giro de estoque e reduzir o
mostruário das unidades.
Entre as oportunidades de crescimento apontadas pela companhia estão a
monetização de ativos, o crediário digital, a instalação de minilojas
parceiras dentro dos pontos físicos (store-in-store) e a terceirização
da operação de e-commerce.
Um trio encapuzado e armado assaltou quatro frentistas que trabalhavam
em um posto de combustíveis na Avenida Radialista João Ramos, no Bairro
Planalto Ayrton Senna, em Fortaleza, na noite desta segunda-feira (17).
As câmeras de seguranças do estabelecimento registraram o momento em
que os três criminosos chegaram correndo e renderam os trabalhadores.
Durante o assalto, as vítimas foram obrigados a deitar no chão. Um dos
suspeitos estava armado com uma faca.
Em determinado momento, os criminosos mandaram um dos frentistas abrir
uma gaveta onde estava o dinheiro. Após pegar uma quantia de cerca de R$ 350 e um aparelho celular, os homens fugiram do local.
A Polícia Civil informou que o caso é investigado pela 8ª Delegacia da
capital, que analisa as imagens das câmeras de segurança.
A corporação orientou ainda que as vítimas registrem boletim de
ocorrência, que pode ser feito presencialmente em qualquer unidade
policial ou por meio da Delegacia Eletrônica (Deletron).
Trio assalta frentistas de posto de combustíveis no Bairro Planalto Ayrton Senna, em Fortaleza. — Foto: Reprodução
Operação apreende mais de 1 tonelada de cocaína escondida em carga de peixes em Paracuru — Foto: Divulgação
A Polícia Militar do Ceará (PMCE) e a Polícia Federal (PF) apreenderam
1.051 kg de cocaína na madrugada desta terça-feira (18). A droga estava
distribuída em 948 tabletes e escondida em um caminhão que transportava
peixes.
A ação ocorreu na rodovia CE-085, na altura do km 71, entre os
municípios de Paraipaba e Paracuru. A abordagem foi motivada por um
levantamento conjunto das equipes de inteligência da PMCE e da PF. Os
agentes descobriram que uma carga de entorpecentes havia saído do Pará com destino ao Ceará e montaram um cerco na região.
O caminhão foi interceptado pelo Batalhão de Polícia de Trânsito Urbano
e Rodoviário Estadual (BPRE) e levado a um posto de fiscalização fixo
em Paracuru. O veículo era ocupado por dois irmãos, naturais do Pará.
A vistoria no compartimento de carga teve o apoio do Comando Tático
Motorizado (Cotam) e de cães farejadores do Batalhão de Choque. Mesmo
com a grande quantidade de gelo e peixes a granel, os cães Boris e Ayron
indicaram a presença do material suspeito.
Após a retirada do pescado, os policiais encontraram mais de uma tonelada de cocaína. Os dois ocupantes do caminhão receberam voz de prisão no local.
Os suspeitos e a droga foram encaminhados à sede da Polícia Federal,
responsável pelos procedimentos legais. Já a carga de peixes apreendida
foi destinada às ações de combate à fome do governo do estado.
Jailton Nergino de Oliveira, de 46 anos, teve o corpo localizado pela polícia na cidade de Itapetinga, na Bahia, no final da tarde de segunda-feira (17). — Foto: Arquivo pessoal
Um cearense que trabalhava como representante comercial de joias e
semijoias teve o corpo localizado pela polícia na cidade de Itapetinga,
na Bahia, no final da tarde de segunda-feira (17), após passar mais de
uma semana desaparecido.
Jailton Nergino de Oliveira, de 46 anos, morador de Juazeiro do Norte,
havia ido à cidade baiana para vender os produtos, atividade que
desempenhava há cerca de oito anos. No período em que estava viajando,
ele ligava diariamente para a família.
No entanto, desde o dia 8 de agosto, parou de manter contato e os parentes registraram um Boletim de Ocorrência por conta do desaparecimento do homem.
Morto ao reagir a assalto
Segundo a Polícia Civil da Bahia, imagens de câmeras de monitoramento e
depoimentos apurados ao longo do inquérito identificaram que, no dia do
desaparecimento, Jailton esteve nas imediações no bairro Nova
Itapetinga.
Na ocasião, ele transportava um mostruário de semijoias quando sofreu
uma tentativa de assalto e reagiu, correndo em direção a uma área de
difícil acesso, próxima às margens do Rio Catolé.
Os agentes realizaram buscas nas imediações e encontraram objetos
ligados à vítima, como manguitos de proteção e folhas de talão da marca
vendida pelo representante comercial.
Localização do corpo
Policias e bombeiros fizeram buscas na água e no entorno do Rio Catolé. — Foto: Reprodução
No decorrer dos dias, os policiais intensificaram as buscas nas margens do rio e dentro do reservatório.
A ação teve participação de mergulhadores Corpo Bombeiros Militar (CBM /
Itabuna) no ambiente aquático e de cães farejadores da Companhia
Independente de Policiamento Especializado de Vitória da Conquista em
terra.
"No final da tarde, as equipes terrestres localizaram um ponto com
forte odor e indícios de solo revolto no interior da mata. O
Departamento de Polícia Técnica (DPT) foi acionado de imediato para
isolamento, escavação pericial e remoção cadavérica, confirmando-se
tratar-se do corpo da vítima Jailton Nergino de Oliveira", disse a
Polícia Civil da Bahia.
A 1ª Delegacia Territorial de Itapetinga segue com as investigações para identificar e prende os envolvidos no crime.
Um veículo fugiu de uma abordagem policial na manhã desta terça-feira (18/08), na Avenida Abdoral Timbó, na sede de Ipu. A ocorrência foi registrada por câmeras de segurança.
Segundo a Secretaria de Segurança do Município, o automóvel estava estacionado há um longo período no local e chamou a atenção das autoridades. Durante a aproximação da equipe para averiguação, o condutor teria acelerado e fugido.
Posteriormente, o veículo foi visto no distrito de Várzea do Giló, na região serrana do município. As circunstâncias da ocorrência estão sendo apuradas.
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Mulher é resgatada de trabalho escravo após 55 anos sem salários em condomínio de luxo no Eusébio. — Foto: AFT/Divulgação
A idosa de 62 anos resgatada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) em condições análogas à escravidão de um imóvel localizado dentro de um condomínio de luxo, na cidade de Eusébio, Grande Fortaleza, não está mais na casa dos empregadores.
A informação foi confirmada ao g1 pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Ainda segundo o órgão, a vítima não trabalha mais no local e teve sua rescisão concluída.
O MPT não informou, no entanto, para onde ela foi. "O processo segue em
tramitação e está sob sigilo", acrescentou o órgão em nota.
A defesa da família empregadora disse, em nota, que a doméstica deixou a
residência no dia 27 de julho. "Assim como vinha ocorrendo nos últimos
anos, ela foi passar uma temporada na casa da irmã e de seus demais
parentes no interior do Estado". No momento, eles não possuem nenhum
vínculo de trabalho ativo.
O caso se desenrolou a partir de uma denúncia anônima ao Disque 100,
contato do Governo Federal para receber, analisar e encaminhar denúncias
de violações de direitos humanos. De acordo com a auditoria, a mulher
passou 55 anos sem receber salário. Ela chegou à casa da família ainda aos sete anos de idade e não estudou.
Após o resgate, a vítima chegou a ficar por um tempo na casa dos empregadores.
Isso ocorreu porque os órgãos competentes entendiam que ela não tinha
autonomia para morar sozinha. No entanto, o cenário mudou. O MPT
informou ao g1 na manhã desta segunda-feira (17) que ela não está mais no condomínio do Eusébio.
A idosa continua sendo assistida pela Secretaria dos Direitos Humanos
do Ceará, onde recebe "atendimentos multidisciplinares frequentes com
foco no incentivo à autonomia".
"O
acompanhamento seguirá de forma contínua, dando seguimento ao apoio
psicossocial necessário no pós-resgate e à articulação com os órgãos
competentes para acesso à rede de proteção e aos serviços públicos, a
partir das demandas que venham a ser identificadas", informou a pasta.
Maria Neuzeli, auditora fiscal do Trabalho responsável pela
fiscalização do caso, disse que a vítima era responsável pelos cuidados
cotidianos de duas crianças, de 11 e sete anos, além da preparação das
refeições e da execução de todas as atividades domésticas essenciais ao
funcionamento da residência.
O g1
também procurou o Ministério do Trabalho e Emprego para comentar o
caso. Em nota, o órgão disse que a força-tarefa coordenada pelo MTE, por
meio da Secretaria de Inspeção, resgatou uma trabalhadora doméstica
de 62 anos submetida a condições análogas à escravidão após mais de
cinco décadas de trabalho ininterrupto para o mesmo núcleo familiar, na
capital Fortaleza.
"O relatório da inspeção fiscal aponta também que durante toda a
trajetória, a trabalhadora permaneceu sem remuneração regular, sem
autonomia financeira e sem acesso às oportunidades educacionais e
patrimoniais desfrutadas pelos integrantes da família para a qual
trabalhou durante praticamente toda a vida", acrescentou o ministério.
"Enquanto
os empregadores estudaram, se profissionalizaram, constituíram
patrimônio e formaram suas próprias famílias, a trabalhadora permaneceu
analfabeta e em situação de completa dependência econômica", disse ainda
o órgão.
A família empregadora reforçou também, por nota, que há um Termo de
Ajustamento de Conduta (TAC) em cumprimento. "A defesa reitera que a
inexistência de qualquer situação análoga à escravidão será devidamente
demonstrada e comprovada pelos meios próprios, no âmbito das instâncias
competentes", concluiu.
O g1 destaca alguns pontos dessa história para entender até onde ela avançou e os desafios daqui para frente.
Momento antes do resgate da trabalhadora em condomínio de luxo na região metropolitana de Fortaleza — Foto: Divulgação
1. 'Dada pela mãe'
Lá, a ex-empregada da família teve seis filhos. Ao saber da informação,
depois de alguns anos, a matriarca da família empregadora, baseada na
suposta extrema pobreza que a ex-funcionária vivia, decidiu ir até lá
para buscá-la de volta. Nesta ida, a empregadora trouxe a ex-funcionária
e duas filhas (sendo uma delas, a mulher que viria a ser resgatada em
junho deste ano).
A mãe morreu, mas antes disso teria "dado" a menina de 7 anos a família empregadora. Sobre
esse período, a trabalhadora doméstica disse aos auditores fiscais que
"fazia coisa de criança: lavava roupa e limpava a casa".
A criança cresceu na primeira residência até o ano de 1982. Naquela
época, a irmã mais nova, que veio junto do Piauí, teria brigado com a
família e saído da casa. O paradeiro dela ainda é investigado pela Auditoria-Fiscal do Trabalho.
Em 1982, quando a vítima completou 18 anos, Aurora Dalva Bastos de
Alencar Brasil, filha da matriarca casou. Ela teve três filhos: Paulo
Martins Brasil Filho, Zaamarah Alencar Brasil Andrade e Nayarah Alencar
Brasil Magalhães. A vítima passou a trabalhar para esse núcleo familiar.
Em 2014, Zaamarah casou e teve o primeiro filho. Neste momento, a empregada foi levada para a casa dela para cuidar dos bisnetos da matriarca da família.
Após denúncia anônima e investigação, os
auditores concluíram que a trabalhadora permaneceu durante mais de 50
anos submetida a uma relação sem remuneração, marcada pela dependência
econômica, pela privação de oportunidades educacionais e pela
permanência contínua no mesmo núcleo familiar desde a infância,
"elementos que caracterizam grave violação à dignidade humana".
2. Operação de resgate
No momento do resgate, a trabalhadora estava na casa da neta da
primeira empregadora, e era responsável pelos cuidados cotidianos de
duas crianças, de 11 anos e sete anos, além da preparação das refeições e
da execução de todas as atividades domésticas essenciais ao
funcionamento da residência.
Mesmo sendo hipertensa e apresentando episódios recorrentes de mal-estar em situações de estresse, ela continuava desempenhando normalmente todas as atividades.
3. Acordo garante direitos
Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, no curso da fiscalização, o
empregador reconheceu a prestação de serviços sem formalização do
vínculo empregatício e admitiu que a remuneração não vinha sendo
realizada de forma regular. Foi firmado um Termo de Ajustamento de
Conduta (TAC).
O órgão estima que, considerados os salários não pagos, férias, 13º
salários, FGTS, verbas rescisórias e horas extras decorrentes da
supressão sistemática dos descansos semanais, os créditos trabalhistas
ultrapassam R$ 1,5 milhão.
O vínculo de emprego considerado, no entanto, foi o período iniciado a
partir de 21 de julho de 2014, quando a mulher chegou à última
residência em que prestou serviços.
Entre as obrigações firmadas com os empregadores, estão:
a regularização dos recolhimentos previdenciários relativos ao período reconhecido;
o pagamento de R$ 50 mil a título de verbas rescisórias, em dez parcelas mensais de R$ 5 mil;
a
aquisição de um imóvel residencial em favor da trabalhadora no valor
mínimo de R$ 150 mil, acrescido de mobiliário e eletrodomésticos
essenciais;
além do custeio das contribuições previdenciárias até a obtenção da aposentadoria.
O acordo também prevê complementação financeira de até R$ 12 mil caso
ela complete 64 anos sem acesso ao benefício previdenciário.
O próprio TAC estabelece que as obrigações assumidas não implicam
quitação integral dos direitos da trabalhadora, permanecendo possível a
cobrança judicial de créditos trabalhistas e indenizações eventualmente
não satisfeitos.
4. Como ela está hoje
A idosachegou
a continuar na casa dos empregadores mesmo após o resgate. Isso ocorreu
porque os órgãos competentes entenderam que a vítima não tinha
autonomia suficiente para morar sozinha e também porque ela havia criado
um laço com a família empregadora.
Na época, a AFT disse que a permanência temporária da trabalhadora na
residência não decorria de uma decisão da Auditoria-Fiscal do Trabalho
nem descaracterizava a situação constatada durante a fiscalização. "Em
casos como este, a prioridade é preservar a integridade física,
emocional e a autonomia da vítima", esclareceu a AFT.
Ainda de acordo com os fiscais do Trabalho, a vítima não tinha vida
pessoal. Ela não saía sozinha de casa, não sabe ler ou escrever, não
tinha conta bancária e passava parte do dia voltada para os afazeres
domésticos.
Maria Neuzeli disse que a doméstica nunca namorou e não possuía
amizades no condomínio onde morava. "Ela não sabe se locomover na
cidade, tem medo da violência lá fora. Ela se sentia 'paga' pelos
trabalhos porque recebia roupa, comida e moradia. Mas a rotina dela
ficava em torno das crianças", disse.
"Trata-se
de uma pessoa que viveu praticamente toda a vida naquele ambiente,
submetida a uma relação de extrema dependência. O desligamento imediato,
sem uma rede de apoio estruturada, poderia representar um novo fator de
vulnerabilidade. Por essa razão, a equipe psicossocial realizou
avaliação técnica e vem acompanhando a trabalhadora na construção de
alternativas pra sua autonomia, respeitando suas necessidades", disse a
AFT após o resgate.
A idosa foi acolhida pela Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará para
receber escolarização e ajuda para adaptar-se novamente ao "mundo
externo".
Em nota atualizada nesta segunda-feira (17), a pasta disse que uma uma
equipe técnica do Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH) segue
acompanhando o caso, por meio da realização de atendimentos
multidisciplinares frequentes com foco no incentivo à autonomia.
"O acompanhamento seguirá de forma contínua, dando seguimento ao apoio
psicossocial necessário no pós-resgate e à articulação com os órgãos
competentes para acesso à rede de proteção e aos serviços públicos, a
partir das demandas que venham a ser identificadas", informou a pasta.
Já a família confirmou que a doméstica não mora mais na casa e não possui, no momento, vínculo de trabalho ativo.
5. O que diz a família empregadora
A família empregadora da doméstica é composta por um casal aposentado
(sendo o homem um arquiteto e a mulher uma diretora escolar), um
advogado, um médico veterinário e duas funcionárias públicas.
Conforme o TAC, os empregadores da mulher foram identificados como:
Paulo Martins Brasil - aposentado, casado com Aurora;
Aurora Dalva Bastos de Alencar Brasil - aposentada, casada com Paulo;
Paulo Martins Brasil Filho - advogado;
Zaamarah Alencar Brasil Andrade - servidora pública, casada com Tiago;
Tiago Silva Andrade - médico veterinário, casado com Zaamarah;
Nayarah Alencar Brasil Magalhães, empregada pública.
Família empregadora de doméstica em situação análoga à escravidão. — Foto: Reprodução
Em nota, enviada quando o caso foi divulgado, a família empregadora da
doméstica negou "com veemência as acusações divulgadas até o momento,
que não retratam a relação de convivência, cuidado e afeto construída ao
longo de décadas com a senhora envolvida. Lamenta, ainda, que
julgamentos precipitados tenham sido tornados públicos".
Nesta segunda, a família esclareceu a atual situação, leia na íntegra:
A
defesa da família esclarece que a idosa não se encontra na residência
dos empregadores desde o dia 27 de julho. Assim como vinha ocorrendo nos
últimos anos, ela foi passar uma temporada na casa da irmã e de seus
demais parentes no interior do Estado. Ressalte-se, ainda, que há um
Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em cumprimento, cujas disposições
vêm sendo integralmente observadas.
A
defesa reitera que a inexistência de qualquer situação análoga à
escravidão será devidamente demonstrada e comprovada pelos meios
próprios, no âmbito das instâncias competentes.
6. Repercussões após divulgação
A Prefeitura Municipal de Fortaleza exonerou Zaamarah Alencar Brasil
Andrade do cargo que ocupava na Secretaria Municipal da Conservação e
Serviços Públicos (SCSP) desde 1º de março de 2017. A servidora pública é
citada como membro da família empregadora. A decisão foi assinada pelo
prefeito Evandro Leitão e publicada no Diário Oficial do Município.
A Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Ceará (OAB-CE) e a
Universidade Estadual do Ceará (Uece) se manifestaram, em julho, sobre a
situação envolvendo respectivamente o advogado e o professor membros
das instituições cearenses, que integram a família beneficiada por 55
anos do trabalho da doméstica resgatada em situação análoga à escravidão
em um condomínio de luxo no Eusébio, na Região Metropolitana de
Fortaleza.
São eles: o advogado Paulo Martins Brasil Filho e o médico veterinário e
professor universitário Tiago Silva Andrade. Entre os outros
integrantes da família, há uma diretora escolar aposentada e outras
funcionárias públicas.
Segundo a Uece, o médico-veterinário Tiago Silva Andrade é professor
temporário desde setembro de 2024 junto à Faculdade de Veterinária
(Favet). A instituição informou que o docente já concluiu a única
disciplina que ministrava neste semestre letivo e que o contrato
temporário tem vigência até este mês.
“A
Universidade informa que avaliará os procedimentos administrativos
cabíveis no âmbito institucional” , diz a instituição e que vai
considerar a legislação vigente e as normas internas da Universidade.
Assim como a Uece, a OAB-CE reforçou a necessidade de assegurar o
devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa durante todo o
processo. Neste caso, a Ordem se refere ao advogado Paulo Martins Brasil
Filho. “A instituição confia na atuação dos órgãos competentes”, disse a
seccional cearense.
“Destacamos
que, se confirmada a participação de um membro da advocacia em condutas
incompatíveis com a ética e a dignidade da profissão, serão adotadas as
medidas disciplinares cabíveis”, destacou a nota da OAB-CE.
Um acidente de trânsito envolvendo uma Volkswagen Parati e um veículo JAC foi registrado na manhã desta terça-feira (18/08), na Avenida Boulevard Sebastião Carlos, no bairro Alto dos 14, em Ipu.
Segundo informações, o motorista do JAC teria passado mal e acabou colidindo com o outro veículo. A ocorrência resultou apenas em danos materiais.
A Autarquia de Trânsito de Ipu esteve no local realizando o controle do trânsito.
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Polícia divulgou imagens borradas do suspeito. — Foto: Divulgação
Um homem foi preso na tarde desta segunda-feira (17) por perseguir e ameaçar a mãe de um colega de trabalho na cidade de Cascavel, Região Metropolitana de Fortaleza.
O suspeito também monitorava o filho da vítima e o procurou para avisar
que iria matar a mulher e, em seguida, tiraria sua própria vida.
Segundo a polícia, o homem se chama Carlos Renato Carneiro de Sousa.
Conforme as investigações, o suspeito não possuía nenhum vínculo com a
mulher. Mesmo assim, ele passou a persegui-la durante os últimos meses
após criar "interesse amoroso" pela vítima.
Após receber a denúncia, uma equipe da Polícia Civil fez a prisão na casa do suspeito, no Centro de Cascavel.
O homem foi autuado pelos crimes de ameaça, perseguição e violência psicológicacontra a mulher.