
A conta de energia dos moradores do Ceará passará por um novo reajuste tarifário em 2026, seguindo as regras de atualização anual. O percentual de reajuste não foi definido oficialmente, mas já há indicativos em relação a uma decisão tomada de 2025.
O reajuste médio da Enel Distribuição Ceará previsto para este ano é uma alta de 1,63% nas tarifas. O valor é definido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com base em leis e regulamentos federais.
A alta poderia ser bem maior, mas em 2025 a Aneel permitiu que a Enel realizasse um diferimento tarifário, mecanismo que antecipa ou posterga montantes financeiros.
A Enel teria direito a utilizar um montante de R$ 532 milhões para suavizar o reajuste tarifário de 2025, mas decidiu atrasar o uso dos créditos financeiros para este ano.
Sem o diferimento, as contas teriam uma redução de 8,75% em 2025, e uma alta de 17,6% em 2026. Com o mecanismo, o reajuste passado foi de -2,1%, e o deste ano deve ser uma alta de 1,63%.
O percentual previsto foi divulgado pela empresa na época do último reajuste. A Enel e a Aneel não se posicionaram oficialmente sobre o reajuste de 2026.
A expectativa é que o percentual previsto se mantenha, avalia Erildo Pontes, presidente do Conselho de Consumidores da Enel Distribuição Ceará.
“Tivemos um reajuste mais próximo do zero ano passado, num acordo de que também fosse próximo do zero esse ano. Se não, ano passado teria sido muito negativo e esse ano bem positivo, o que não é bom para ninguém. Manter a tarifa equilibrada é bom para o planejamento”, comenta.
O percentual é uma média dos reajustes definidos para as diferentes classes consumidoras. Há índices distintos para clientes residenciais, rurais e industriais.
POSSÍVEL ALTA OCORRE APÓS DOIS ANOS DE REAJUSTE NEGATIVO
A possível alta nas contas dos consumidores cearenses neste ano vem após dois anos seguidos de reajustes negativos. Antes da retração média de 2,1% em 2025, houve uma queda de 2,8% em 2024.
Veja os últimos reajustes tarifários da Enel Distribuição Ceará:
- 2025: -2,1%
- 2024: -2,8%
- 2023: +3,06%
- 2022: +24,85%
- 2021: +8,95%
- 2020: +3,9%
A alta na conta de luz pressiona o orçamento familiar, principalmente das famílias mais pobres, aponta Thiago Holanda, do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE). Além disso, pode gerar efeito inflacionário.
“Primeiro, reduz o poder de compra das famílias. E eleva s custos de empresas, comércio, indústrias, já que a energia elétrica é um insumo básico para quase toda atividade econômica. Isso afeta o consumo, pressiona a competitividade e acaba gerando efeito em escala sobre os preços”, aponta.
Alesandra Benevides, doutora em economia e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), aponta que a menor oscilação tarifária é benéfica para consumidores residenciais, comerciais e industriais.
“Os consumidores precisam ter uma previsibilidade maior de preço, de custos. Então manter uma oscilação reduzida ajuda no orçamento. Já o impacto da alta não ser tão sentido, caso fique abaixo da inflação [que foi de 4,26% em 2025]”, aponta.
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A especialista lembra que famílias de baixa renda beneficiárias do CadÚnico têm direito a descontos na conta de luz com a tarifa social de energia.
“Para as outras famílias, é preciso planejar o orçamento, planejar inclusive uma oscilação muito maior por conta das bandeiras tarifárias. Quando entrarmos em um período mais complicado, a Aneel deve estabelecer bandeira amarela ou vermelha 1 e 2”, orienta.
COMO O REAJUSTE TARIFÁRIO É DEFINIDO?
A tarifa de cada distribuidora de energia no Brasil passa por reajuste anual, que entra em vigor no dia do aniversário do contrato de concessão - no caso do Ceará, em 22 de abril. O mecanismo busca manter o equilíbrio financeiro das concessionárias.
Para definir o percentual de reajuste, a empresa repassa as variações dos custos de compra de energia, da transmissão da energia e dos encargos setoriais.
Já os custos com a distribuição da energia são corrigidos pelo Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), da Fundação Getulio Vargas.
O cálculo também considera o Fator X, que estima ganhos potenciais de produtividade da empresa e os retira do reajuste.
Legenda: Enel Distribuição Ceará atende 3,8 milhões de unidades consumidoras em 184 municípios cearenses.
Segundo o regulamento da Aneel, o reajuste remunera os investimentos das empresas considerados prudentes e estimula a melhora na qualidade dos serviços, sem distinção geográfica ou de renda.
Além do reajuste anual, das concessões passam por revisões tarifárias periódicas, que costumam ocorrer a cada quatro anos. Neste caso, há redefinição dos níveis dos custos operacionais e da remuneração dos investimentos.
Uma vez definido o valor eficiente dos custos relacionados à atividade de distribuição, eles passam apenas por reajuste nos anos seguintes, até a próxima revisão. A próxima revisão tarifária da Enel Distribuição Ceará deve ocorrer em 2027.
DN








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