A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
em um evento no interior de São Paulo, sobre uma possível candidatura
de Camilo Santana neste ano, voltou a agitar os bastidores da política
cearense. Ao afirmar que o ministro da Educação, que vai deixar o cargo
nos próximos dias, poderá ser candidato “se for necessário”, Lula
reacendeu uma especulação que coloca o governador Elmano de Freitas em
uma saia justa, às vésperas da campanha de sua reeleição.
A hipótese em questão é de que Camilo poderá disputar o Governo do
Estado, em caso de um cenário de dificuldades para o PT, com o nome de
Elmano. Essa hipótese passou a ser ventilada em janeiro quando o próprio
ministro declarou que iria deixar o Ministério em abril para, segundo
ele, ajudar nas campanha de Lula e Elmano.
De imediato, a fala passou a repercutir entre aliados e opositores
como possibilidade de Camilo ser o candidato em vez de Elmano. Essa
possibilidade cresceu nas conversas após a consolidação do nome de Ciro
Gomes (PSDB) como pré-candidato na oposição, mesmo que ele próprio ainda
não tenha confirmado oficialmente a possibilidade.
"O Camilo não é candidato, mas vai se afastar para ficar de olho, na
expectativa. Se precisar, ele é candidato e vai ajudar o Brasil, ajudar
as coisas pelo Brasil", disse o presidente.
A declaração de Lula, no contexto local, alimenta a hipótese de um
plano alternativo, apesar das reiteiradas declarações de Camilo e
aliados de que o candidato ao governo é Elmano.
Necessidade de votos na disputa nacional
Nacionalmente, analistas vêm considerando a possibilidade de Lula
lançar mão de aliados mais fortes em estados estratégicos para manter a
alta margem de votos que o levou ao Planalto na última eleição contra
Jair Bolsonaro, em 2022. Essa realidade aparece mais fortemente na Bahia
e no Ceará, dois dos maiores resultados de Lula por estado no último
pleito.
O ponto central nos dois estados seria as dificuldades que Elmano, no
Ceará, e Gerônimo Rodrigues, na Bahia, teriam diante de uma oposição
Fortalecida com Ciro Gomes, aqui, e ACM Neto, lá. Camilo e Rui Costa
seriam os nomes substitutos, caso Lula faça uma imposição.
Especulações geram dificuldades
Como as definições sobre as candidaturas majoritárias só devem
ocorrer em julho, quando começar o prazo das convenções, a declaração de
Lula pode ter esticado até lá as dúvidas sobre a reeleição do
governador, em meio às tratativas para formalizar as alianças.