A quadra chuvosa no Ceará terminou com 53,82% da capacidade total armazenada nos 144 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh),
destacando um cenário considerado positivo para a segurança hídrica do
estado. Além do volume acumulado, 27 açudes seguem sangrando e o aporte
registrado ao longo de 2026 alcançou 6,95 bilhões de metros cúbicos, o
terceiro melhor resultado dos últimos dez anos.
O desempenho
reforça a recuperação observada em diversas regiões cearenses e supera
os números registrados em 2025, quando os reservatórios receberam 6,13
bilhões de metros cúbicos de água. Ao longo da quadra chuvosa
deste ano, 48 açudes atingiram capacidade máxima. Entre os destaques
está o Açude Orós, segundo maior reservatório do Ceará, que voltou a
sangrar pelo segundo ano consecutivo, reflexo do bom volume de chuvas
registrado na bacia do Alto Jaguaribe.
Quadra chuvosa no Ceará termina com mais da metade da capacidade dos açudes
O
percentual superior a 53% representa uma reserva estratégica para
enfrentar os meses de estiagem e garantir o abastecimento humano, a
atividade econômica e o funcionamento dos sistemas hídricos espalhados
pelo estado.
Apesar do resultado positivo, os níveis de
armazenamento seguem distribuídos de forma desigual. Enquanto algumas
regiões operam próximas da capacidade máxima, outras ainda apresentam
índices que exigem acompanhamento permanente.
Ceará registra terceiro maior aporte hídrico dos últimos 10 anos
Os
reservatórios monitorados pela Cogerh receberam 6,95 bilhões de metros
cúbicos de água durante a quadra chuvosa de 2026. O resultado supera o
registrado em 2025 e fica atrás apenas dos volumes observados em 2024,
quando os aportes alcançaram 10,2 bilhões de metros cúbicos, e em 2023,
que registrou 7,1 bilhões de metros cúbicos. Os números não incluem os
reservatórios do sistema integrado metropolitano, composto pelos açudes
Pacoti, Pacajus, Riachão e Gavião, que também recebem água por meio de
transferências entre bacias.
Regiões Norte e Centro-Sul lideram armazenamento de água
As
melhores condições de armazenamento concentram-se no Norte do Ceará. A
Bacia do Litoral apresenta 98,8% da capacidade total. Em seguida
aparecem as bacias do Coreaú, com 94,7%, e do Acaraú, com 86%.
Na
Serra da Ibiapaba, os reservatórios acumulam 83,9% da capacidade total.
No Centro-Sul, a Bacia do Alto Jaguaribe registra 96,6% de
armazenamento, cenário que contribuiu para a sangria de reservatórios
estratégicos da região, incluindo o Açude Orós.
Castanhão e Banabuiú ainda operam abaixo da média estadual
Mesmo
com os avanços registrados em 2026, algumas áreas permanecem em
situação de atenção. Na Bacia do Médio Jaguaribe, onde está localizado o
Açude Castanhão, o maior reservatório do estado, o armazenamento atual
corresponde a 33,5% da capacidade total. Já a Bacia do Banabuiú registra
32,3%. Apesar disso, houve avanços importantes. Em Mombaça, o Açude
Serafim Dias voltou a sangrar após 15 anos sem atingir a capacidade
máxima.
Sertões de Crateús seguem com o menor volume acumulado do Ceará
A
situação mais delicada permanece nos Sertões de Crateús. A bacia
hidrográfica da região registra apenas 20,9% da capacidade total
armazenada, o menor percentual entre todas as bacias do estado. O
cenário mostra que os benefícios da quadra chuvosa não ocorreram de
forma homogênea, mantendo a necessidade de monitoramento constante e
planejamento para garantir a oferta de água nos próximos meses. No
Cariri, a Bacia do Salgado acumula 72,7% da capacidade total. Já a Bacia
do Curu registra 62,5%.
Transferência de água reforça abastecimento da Grande Fortaleza
Embora
as Bacias Metropolitanas apresentem atualmente 60,8% da capacidade
total armazenada, a situação do sistema responsável pelo abastecimento
de Fortaleza e municípios vizinhos segue sendo acompanhada de perto.
Ao
final da quadra chuvosa de 2025, os açudes Pacoti, Pacajus, Riachão e
Gavião acumulavam cerca de 91% da capacidade total. Em 2026, o índice é
de 58%. Diante desse cenário, a Cogerh iniciou ainda em fevereiro
operações de transferência hídrica para reforçar a segurança do
abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza.
As ações
incluem a condução de água pelo sistema Jaguaribe, utilizando
reservatórios estratégicos como Orós e Castanhão. Também está em
andamento a transferência de água do Açude Aracoiaba para o Açude
Pacajus. Outra medida envolve a operação da Estação de Bombeamento de
Itaiçaba, que encaminha cerca de 800 litros por segundo do Rio Jaguaribe
pelo Canal do Trabalhador em direção ao sistema metropolitano.
As
intervenções buscam reforçar a garantia hídrica da capital e dos
municípios vizinhos durante o segundo semestre, período marcado pela
redução das chuvas e pela maior dependência da água armazenada nos
reservatórios.
(GC+)