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"As famílias dos estudantes envolvidos na agressão solicitaram transferências e foram atendidas",
confirmou a Seduc, em nota. A Pasta também garantiu que "a vítima e a
família foram atendidas em procedimento que envolve acolhimento, escuta e
mediação, com suporte psicológico"
O adolescente forçado por um grupo de colegas a comer ao menos sete
pedaços de bolo, dentro de uma escola em Fortaleza, convive com uma
síndrome rara que causa fome insaciável, atraso no desenvolvimento e
alterações hormonais: a Síndrome de Prader-Willi (SPW).
O caso ocorreu em uma escola estadual no Bairro Dom Lustosa, na
capital, no último dia 26 de fevereiro. O jovem de 16 anos também foi
filmado enquanto usava o banheiro do colégio. A Secretaria da Educação
repudiou o ato e disse que prestou apoio à família da vítima (relembre o caso abaixo).
Mas o que é a Síndrome de Prader-Willi (SPW)? A condição é a mesma que afeta uma criança de 2 anos no Acre.
Melinda Paulo Lima Machado pesa 15 quilos, o que é considerado acima da
média para a idade, e precisa de acompanhamento médico
multidisciplinar. Abaixo, entenda o que é a síndrome rara.
A SPW é causada por uma alteração genética no cromossomo 15,
geralmente por uma perda de material genético herdado do pai. Essa
falha afeta o funcionamento de áreas do cérebro responsáveis por regular
o apetite, o crescimento, o tônus muscular e o desenvolvimento físico e
cognitivo.
De acordo com a Associação Brasileira da Síndrome de Prader-Willi, a
condição afeta 1 a cada 15 mil nascimentos de forma aleatória e,
raramente, recorre na mesma família.
- A SPW causa: alteração genética no cromossomo 15 (origem paterna);
- Tem como sintomas principais: fraqueza muscular (hipotonia), atraso motor e cognitivo, fome insaciável, ganho de peso precoce;
- O diagnóstico: ocorre por teste genético (metilação do DNA).
Infográfico: síndrome de Prader-Willi (SPW) afeta 1 a cada 15 mil nascimentos — Foto: g1
Ainda de acordo com a Associação Brasileira de Síndrome de Prader-Willi, outras características que demandam atenção são:
- Atraso no desenvolvimento neuromotor
- Dificuldade na articulação de palavras
- Problemas de aprendizagem
- Constante sensação de fome
- Interesse compulsivo por comida (hiperfagia)
- Obesidade
- Baixa estatura
- Mãos e pés pequenos
- Pele mais clara que a dos pais
- Boca pequena com lábio superior fino
- Fronte estreita e olhos amendoados
- Inatividade
- Diminuição da sensibilidade à dor
- Possível estrabismo
As intervenções precoces são de extrema importância para evitar
obesidade e os problemas de saúde associados, tais como diabetes,
hipertensão arterial e problemas respiratórios - as principais causas de
morte dos indivíduos com a SPW.
A Associação que acompanha a doença afirma que o tratamento com hormônio do crescimento (GH) é
a terapia mais eficaz: "Já foi atestado que, quanto mais cedo ela for
iniciada, maior é o ganho na vida dos indivíduos com a SPW".
O adolescente obrigado a comer várias fatias de bolo em um episódio de
bullying no CAIC Raimundo Gomes de Carvalho, em Fortaleza, foi
diagnosticado com a síndrome quando era criança, informaram familiares
ao g1.
Família denuncia episódios de bullying em escola pública de Fortaleza
contra adolescente com síndrome. — Foto: Instagram/ Reprodução
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS)
informou que o Grupo de Segurança Escolar (GSE), vinculado ao Comando de
Proteção e Apoio às Comunidades (Copac), da Polícia Militar, enviou uma de suas equipes até a escola logo que tomou conhecimento da situação de bullying.
As circunstâncias do caso serão investigadas pela Polícia Civil, que
reforçou a importância de familiares da vítima comparecerem a uma
unidade policial para repassarem mais informações sobre o ocorrido.
Já a Secretaria da Educação afirmou que a Superintendência das Escolas
Estaduais de Fortaleza (Sefor), desde o primeiro momento do caso, adotou "as providências necessárias no sentido de sensibilizar todas as turmas sobre o bullying".
"Na manhã da sexta-feira (27), uma equipe da escola reuniu os
estudantes para tratar sobre o ocorrido. A vítima e a família foram
atendidas também, em procedimento que envolve acolhimento, escuta e
mediação, com disponibilização do suporte psicológico", garantiu a
Seduc.
Ainda segundo a Pasta, "os alunos envolvidos na agressão foram convocados com seus respectivos responsáveis
para deixá-los cientes do que aconteceu e suas possíveis consequências
escolares e legais, levando em consideração o regimento da escola".
A Secretaria reforçou que a comunidade docente fortalecerá ações
envolvendo a temática do bullying durante todo o ano letivo e que a
escola segue contando com o suporte psicológico da Sefor, reforçando o
acompanhamento e o acolhimento aos estudantes e profissionais.
g1