/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/3/h/YjobVFSaAKsjsnyBOxXA/842620e0-a20a-11f1-ac57-b5f31f9074ef.jpg.webp)
As operações de resgate foram suspensas diversas vezes desde
sexta-feira devido ao mau tempo e à preocupação de que um lago formado
na fronteira entre o Nepal e a China, por um deslizamento de lama
resultante do colapso de uma geleira na quarta-feira, possa provocar
novas inundações, após ter começado a transbordar para rios no Nepal.
A Cruz Vermelha estima que mais de 90.000 pessoas provavelmente foram afetadas pelo desastre, que a China atribuiu aos efeitos das mudanças climáticas.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse ao seu
homólogo nepalês em um telefonema no sábado que o deslizamento de terra
foi o "desastre transfronteiriço mais grave" ocorrido entre os dois
países nos últimos anos e que as operações de resgate apresentaram
dificuldades e complexidades sem precedentes, informou a emissora
estatal chinesa CCTV.
Túneis se tornam foco dos esforços de resgate
Os esforços de resgate no Nepal estão agora concentrados em centenas de
pessoas que se acredita estarem presas em túneis de usinas
hidrelétricas após uma torrente de gelo, rochas, lama e detritos ter
descido pelos rios do Himalaia.
O número de mortos no Nepal subiu para 734, com 2.498 desaparecidos e
7.514 resgatados, informou a autoridade nacional de gestão de desastres.
Na China, 16 pessoas morreram no condado de Gyirong até a noite de
sábado e 546 estavam desaparecidas, disseram autoridades do Tibete em
uma coletiva de imprensa.
Entre os 261 estrangeiros de 23 países desaparecidos no lado tibetano,
estavam 104 do Nepal, 49 da vizinha Índia, além de 33 letões, 18
americanos e 15 britânicos, segundo o primeiro levantamento divulgado
pela China por nacionalidade.
Pequim e Katmandu estão trabalhando juntas para identificar cidadãos e
estrangeiros desaparecidos, além de fortalecer a cooperação na prevenção
e mitigação de desastres e na resposta às mudanças climáticas, informou
a CCTV.
O nível da água no rio Trishuli subiu no domingo após novas chuvas,
levando moradores e equipes de resgate a buscarem terrenos mais altos,
informou a polícia nepalesa à Reuters.
O Nepal afirma não precisar de ajuda estrangeira para resgates em
geral, mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lok
Bahadur Chhetri, disse que o país precisa de assistência em áreas como
resgate em túneis, testes de DNA, armazenamento refrigerado de corpos e
identificação forense de restos mortais em decomposição.
Especialistas indianos e chineses estão no local auxiliando nos esforços para abrir os túneis, disse Chhetri.
O lago que se formou rio acima e ameaçava as operações de resgate havia
praticamente desaparecido no final da tarde de sábado, segundo a CCTV.
No entanto, drones detectaram um deslizamento de terra no final da noite
de sábado, a 2,8 km (1,7 milhas) rio abaixo do lago, formando uma nova
barragem e um novo reservatório de água, informou a CCTV.
As autoridades realocaram as equipes de resgate para um local seguro
próximo à passagem de fronteira de Gyirong, informou a emissora.
A inundação foi "causada pela instabilidade das geleiras sob os efeitos
a longo prazo do aquecimento global", informou a CCTV, afirmando ser
uma "característica nova e proeminente dos desastres da criosfera" no
planalto tibetano.
O deslizamento de lama vindo do lado nepalês levou de seis a sete
minutos para atingir a passagem de fronteira de Gyirong, informou a
CCTV, citando descobertas de cientistas chineses. Imagens dramáticas de
câmeras de segurança, compartilhadas em todo o mundo, mostraram
torrentes de água e detritos engolindo prédios enquanto pessoas tentavam
fugir.
A China mobilizou mais de 2.100 socorristas e destinou pelo menos 220
milhões de yuans (US$ 32,7 milhões) para apoiar os esforços de socorro. O
país também está fornecendo ajuda emergencial em dinheiro, suprimentos
para desastres, dados de satélite e hidrológicos, além de especialistas
em resgate em túneis para o Nepal, informou a CCTV.
A China utilizou drones de grande porte enquanto helicópteros começaram
a lançar equipamentos e suprimentos para as equipes de resgate na linha
de frente perto da fronteira. Soldados têm usado equipamentos de
detecção de sinais vitais, drones e um sistema de navegação para
continuar a busca pelos desaparecidos.
Nepal volta atrás e passa a aceitar ajuda internacional
Um policial com um cão farejador observa os danos deixados pelas
enchentes repentinas em Devighat, no distrito de Nuwakot, no Nepal, na
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Após afirmar inicialmente que conseguiria conduzir sozinho as operações
de busca e salvamento, o governo do Nepal voltou atrás e passou a
aceitar ajuda da comunidade internacional para acelerar os resgates.
Na sexta-feira (28), o Ministério das Relações Exteriores havia
informado que o país não precisava de equipes estrangeiras para as
operações gerais de busca.
Índia,
China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e
Bangladesh haviam manifestado interesse em enviar socorristas, segundo o
Kathmandu Post.
Horas depois, porém, as autoridades mudaram de posição diante da
dimensão da tragédia. Equipes especializadas da Índia já chegaram ao
país para auxiliar nas buscas, enquanto outro grupo é aguardado da
China.
Nepal pede apoio técnico para resgates e identificação de vítimas
Casas encontram-se parcialmente submersas em águas barrentas à beira de
um rio após inundações repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de
Nuwakot, no Nepal — Foto: Prabin Ranabhat/AFP via Getty Images
Segundo o ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, embora o
Nepal agora aceite ajuda internacional, o país necessita principalmente
de apoio técnico especializado.
- 🔎
Entre as prioridades estão o resgate de pessoas que podem estar presas
em túneis de usinas hidrelétricas, a recuperação das comunicações e do
transporte em áreas onde pontes foram destruídas, a identificação de
corpos, a realização de exames de DNA e a ampliação da capacidade de
armazenamento de vítimas.
"Já
fizemos pedidos por serviços especializados e assistência técnica em
áreas onde não temos expertise e conhecimento técnico suficientes",
afirmou Khanal à Reuters.
Equipes de resgate recuperaram corpos em Chitwan e Nawalparasi, nas
planícies do Nepal, a cerca de 100 quilômetros do epicentro do desastre.
Segundo Khanal, mais vítimas devem ser encontradas nos próximos dias.
Ele afirmou que hospitais da região estão sobrecarregados e sem
refrigeradores suficientes para armazenar os corpos.
A enchente devastou áreas próximas à fronteira com a China, destruindo cidades e danificando usinas hidrelétricas.
Autoridades informaram que escolas, hospitais, estradas, pontes e
outras estruturas foram severamente afetados. Cerca de duas dezenas de
pontes foram destruídas, comprometendo o transporte e as comunicações.
O governo pediu à Índia e à China que antecipem a reabertura de rotas de transporte e comunicação nas áreas atingidas.
Reconstrução deve custar até US$ 5 bilhões
O ministro das Finanças estimou que o Nepal precisará de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões (cerca de R$ 20,8 bilhões a R$ 26 bilhões) para reconstruir as áreas destruídas.
Segundo o governo, além das operações de resgate, o país também deverá
depender de apoio internacional para recuperar a infraestrutura
devastada pelas enchentes provocadas pelo colapso da geleira na
quarta-feira (26).
g1