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Nestes 55 dias desde o início do conflito (sendo 38 até o cessar-fogo, que não foi totalmente cumprido), estima-se que Donald Trump já gastou pouco mais de US$ 20 bilhões em armamentos (cerca de R$ 100 bilhões), segundo dados estimados pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
Para efeito de comparação, o valor supera o PIB de alguns países ao
redor do mundo, como Guiana, Montenegro e outras nações de menor porte.
Na última terça-feira (21), o CSIS
fez um levantamento do estoque bélico dos EUA, analisando sete tipos de
armas consideradas essenciais e usadas na ofensiva contra os iranianos.
- Entre elas, estão os mísseis Tomahawk, de longo alcance e alta precisão, além de sistemas de defesa antiaérea.
- Segundo o levantamento, os EUA podem ter usado mais da metade do estoque pré-guerra em quatro dos sete modelos analisados.
- O estudo também aponta que os níveis anteriores ao conflito já eram considerados baixos para um eventual confronto com uma potência militar equivalente, como a China.
Veja abaixo a estimativa do instituto:
Estoque de armas essenciais dos EUA
| Arma | Tipo | Custo de uma unidade | Estoque antes da guerra | Unidades usadas contra o Irã | % usado |
| Tomahawk | Míssil de cruzeiro de longo alcance | US$ 2,6 milhões | 3.100 | cerca de 850 | cerca de 27% |
| JASSM | Míssil de cruzeiro de longo alcance | US$ 2,6 milhões | 4.400 | cerca de 1.000 | cerca de 22% |
| PrSM | Míssil balístico de curto alcance | US$ 1,6 milhão | 90 | de 40 a 70 | de 44,4% a 77,8% |
| SM-3 | Míssil de defesa antimíssil | US$ 28,7 milhões | 410 | de 130 a 250 | de 31,7% a 61% |
| SM-6 | Míssil de defesa antiaérea | US$ 5,3 milhões | 1.160 | de 190 a 370 | de 16,4% a 31,9% |
| THAAD | Sistema de defesa antimíssil | US$ 15,5 milhões | 360 | de 190 a 290 | de 52,8% a 80,6% |
| Patriot | Sistema de defesa antiaérea e antimíssil | US$ 3,9 milhões | 2.330 | de 1.060 a 1.430 | de 45,5% a 61,4% |
Fontes do The New York Times, no entanto, projetam que o gasto total dos norte-americanos com o conflito já ultrapassou US$ 28 bilhões (R$ 140 bilhões).
O Departamento de Defesa não divulgou oficialmente quantas munições foram utilizadas.
Apesar de já terem gasto boa parte de seu poderio bélico, segundo o
CSIS, os EUA ainda têm mísseis suficientes para sustentar a guerra, mas
podem ficar em posição vulnerável em caso de novos conflitos. Aliados
como a Ucrânia também podem ser afetados, já que dependem do
fornecimento de armamento norte-americano.
- O estudo aponta ainda que, mesmo com o esgotamento desses armamentos de ponta, o país poderia seguir operando com outros tipos de armas.
- Essas alternativas, porém, têm menor alcance, o que aumentaria o risco das operações, já que exigiriam lançamentos em posições mais próximas do alvo.
Antes mesmo do início da ofensiva, o nível dos estoques já preocupava
autoridades de defesa norte-americanos. Poucos dias antes da guerra, o
Washington Post revelou que o arsenal dos EUA estava em baixa por causa
do apoio aos conflitos na Ucrânia e em Israel.
No início de março, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu a escassez de armamentos de ponta, mas afirmou que o país tem estoques "praticamente ilimitados" de armas de médio e médio-alto alcance.
"Guerras podem ser travadas 'para sempre' e com muito sucesso, usando apenas esses suprimentos", disse.
O governo também fechou acordos recentes com a indústria de defesa para
ampliar a produção. Ainda assim, segundo o CSIS, a reposição é lenta.
Algumas armas levam meses para ficar prontas, e poucas unidades devem
ser entregues no curto prazo.
"Historicamente, esse prazo era de cerca de 24 meses, mas, como os
pedidos de munição passaram a superar a capacidade de produção nos
últimos anos, os prazos de entrega se estenderam para 36 meses ou mais. A
produção de todo o lote leva mais 12 meses. No total, são cerca de 52
meses — mais de quatro anos", diz.
Míssil iraniano cruza o espaço aéreo israelense em meio ao conflito
entre os EUA e Israel com o Irã, visto de Ashkelon, Israel, em 7 de
abril de 2026
Uma reportagem da rede americana CBS News publicada na quarta-feira
(22) apontou que o Irã pode ter mais capacidade militar do que os
Estados Unidos admitem publicamente. As informações foram obtidas com
fontes do governo americano com conhecimento no assunto.
- Oficialmente, Trump afirma que os EUA "aniquilaram" a Marinha e a Força Aérea do Irã.
- O secretário de Guerra, Pete Hegseth, disse no início de abril que os EUA tinham "dizimado" as Forças Armadas iranianas, deixando-as "ineficazes em combate por muitos anos".
- Os EUA afirmaram ter reduzido em 90% a capacidade de mísseis balísticos e drones do Irã, enquanto Israel diz ter atingido mais de 70% dos lançadores iranianos.
Autoridades ouvidas pela CBS News afirmaram, no entanto, que o Irã
ainda mantém metade do arsenal de mísseis balísticos e sistemas de
lançamento intacta. Não está claro o tamanho do estoque, mas há indícios
de que parte das armas esteja escondida em cavernas ou bunkers.
Na terça-feira, por exemplo, o Irã realizou um desfile militar em Teerã e exibiu mísseis balísticos nas ruas
(assista abaixo). Entre os modelos apresentados estava o
Khorramshahr-4, um dos mais avançados do arsenal do país, com alcance
estimado em cerca de 2.000 quilômetros.
Irã exibe mísseis balísticos em desfile militar em Teerã
Ainda assim, as forças iranianas têm demonstrado sinais de enfraquecimento.
- Dados obtidos pela emissora NBC News apontam que o número de lançamentos de mísseis e drones iranianos caiu drasticamente em relação aos primeiros dias da guerra.
- No fim de março, os EUA sobrevoaram o Irã com bombardeiros B-52, o que indica limitações na defesa aérea do país.
Ainda assim, um relatório feito pelo chefe da Agência de Inteligência
de Defesa dos EUA, o tenente-general da Marinha James Adams, aponta que o
Irã ainda tem capacidade de causar danos e continua representando um
risco. O documento foi entregue a um comitê da Câmara dos EUA.
"O
Irã mantém milhares de mísseis e drones de ataque de uso único capazes
de ameaçar forças dos Estados Unidos e de parceiros em toda a região,
apesar das perdas sofridas tanto por desgaste quanto pelo uso em
combate", diz.
Por outro lado, Adams afirmou que as forças terrestres e aéreas
iranianas têm equipamentos ultrapassados e treinamento limitado. Isso,
somado aos danos causados pelos ataques dos EUA e de Israel, as torna
"quase certamente incapazes de derrotar um adversário tecnologicamente
superior".
g1