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Os outros dois tripulantes, europeus, têm visto para andar no Brasil. O holandês está hospedado em um hotel, com recursos próprios. Enquanto o albanês continua no navio, junto dos africanos, apurou a TV Verdes Mares.
➡️ O grupo passou quase dois meses à deriva no Oceano Atlântico até ser
rebocado ao cais cearense pela Marinha do Brasil. Na última
quinta-feira (2), eles receberam atendimento médico na UPA da Praia do
Futuro.
De acordo com a Polícia Federal, os tripulantes foram resgatados com condições mínimas de higiene, restrições no acesso à água potável, elevado nível de estresse psicológico e falta de comunicação com familiares.
Sem visto, os africanos precisam de uma concessão de desembarque condicional, segundo a Polícia Federal (PF). Entretanto, o órgão aguarda um oficio da Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará.
A Secretaria informou à TV Verdes Mares
que acompanhou o atendimento dos tripulantes na UPA até 19h da última
quinta-feira (2), sendo feito um atendimento clínico completo. Em
seguida, eles receberam cestas básicas para se alimentarem durante o feriadão.
A Política Estadual para Migrantes e Refugiados, ligada à Secretaria
dos Direitos Humanos do Ceará, participa do acolhimento aos tripulantes
do navio africano no Ceará. De acordo com a coordenadora do órgão,
Jamina Teles, eles foram encontrados com problemas de saúde.
"Homens
hipertensos que estavam há mais de 40 dias sem a medicação, com
problemas também de diabetes e outras patologias. Desde o momento que
fomos acionados, a gente já está cuidando em dar essa manutenção com
alimentação, no âmbito da saúde com a medicação, também no atendimento
nas questões burocráticas migratórias", informou Teles.
Segundo ela, a Política Estadual para Migrantes e Refugiados atua junto da Polícia Federal para resolver problemas burocráticos dos tripulantes, que incluem a falta de visto para os ganenses.
Navio africano ficou quase dois meses à deriva — Foto: Divulgação/Marinha do Brasil
Embarcação ficou à deriva
A embarcação partiu do Senegal com destino a Guiné-Bissau, na África,
onde seriam providenciadas atualizações documentais relacionadas ao novo
proprietário do navio.
O navio teve um problema hidráulico,
e a tripulação encontrou dificuldades para se comunicar. Já não era
possível a comunicação satelital e via rádio High Frequency (HF -
comunicação de maior alcance e independente de satélite).
A única forma de contato com o navio era por Very High Frequency (VHF) -
ou seja, era possível apenas receber informações de navios próximos. A
embarcação passou mais de 50 dias em alto-mar.
No dia 9 de março, o Navio-Patrulha Oceânico Araguari, da Marinha do
Brasil, foi enviado para interceptar o navio africano, a fim de
estabelecer comunicações, avaliar o estado da tripulação e, caso
necessário, prestar apoio com suprimentos.
Ao mesmo tempo, o navio Corveta Caboclo saiu de Salvador (BA) e chegou em Fortaleza (CE) para também encontrar o navio africano.
Alguns dias depois, o Navio Rebocador de Alto-Mar Triunfo desatracou do porto de Natal (RN), resgatou o navio estrageiro e o levou para o Porto de Fortaleza. O navio chegou na capital cearense dia 27 de março.
"As
ações referentes às atividades de Busca e Salvamento desenvolvidas pela
Marinha do Brasil resultaram no salvamento do navio, na manutenção da
segurança da navegação e na prevenção da poluição hídrica. Porém, o
êxito no cumprimento da missão reside na integridade física e
psicológica dessas 11 vidas que poderão, em breve, voltar para os seus
lares”, afirmou o Comandante do 3º Distrito Naval, Vice-Almirante Jorge
José de Moraes Rulff.
Desde então, a Polícia Federal atua na verificação da situação
migratória dos tripulantes, bem como na adoção das medidas
administrativas cabíveis, em articulação com a Marinha do Brasil e
demais órgãos competentes, observando os preceitos humanitários e a
legislação vigente.
g1