
A Praia da Lagoinha, em Paraipaba, está sendo atingida por uma forte ressaca do mar neste início de janeiro de 2026.
No sábado, 3, ondas avançaram sobre a faixa de areia, alcançaram a orla e destruíram estruturas de barracas e equipamentos usados por comerciantes locais.
Moradores e trabalhadores da praia relataram que esta foi a maior ressaca registrada na região nos últimos 20 anos.
Moradora de Paraipaba desde que nasceu, Kaylane Garcia afirma que nunca havia presenciado um episódio dessa intensidade. Segundo ela, em 2024 também houve ressaca, mas com impactos bem menores.
“Nunca tinha visto algo parecido. Os moradores mais antigos contam que uma ressaca assim, dessa proporção, só tinha acontecido há uns 20 anos”, relata.
A força do mar assustou moradores, turistas e comerciantes. Barracas tiveram coberturas arrancadas, equipamentos foram danificados e parte da estrutura montada na orla precisou ser retirada às pressas.
O cenário evidenciou a intensidade das ondas e reacendeu o debate sobre os riscos do avanço do mar em áreas com ocupação próxima à linha d’água.
Ondas avançaram sobre a orla
Durante o episódio, o mar ultrapassou completamente a faixa de areia e atingiu áreas normalmente ocupadas por estruturas comerciais. A paraipabense descreve que espaços antes usados por banhistas simplesmente desapareceram.
“O que antes era areia, onde as pessoas colocavam guarda-sóis e caminhavam, agora é só água. O mar avançou de tal forma que está batendo direto na orla”, afirma.
O avanço ocorreu de forma repetida ao longo do dia, especialmente nos horários de maré mais alta, ampliando os prejuízos e dificultando qualquer tentativa de contenção.
O medo de novos episódios também passou a fazer parte da rotina dos moradores. “Isso impossibilita muita coisa e a gente fica com medo do que pode acontecer a mais”, diz.
Impactos no turismo e no comércio local
Conhecida pelas barracas e restaurantes próximos ao mar, a Praia da Lagoinha teve suas atividades praticamente paralisadas durante o período de ressaca.
Segundo a moradora, o acesso à orla ficou inviável. “A água tomou conta de tudo. Não tem como as pessoas continuarem a prestar serviço, nem turistas ou moradores irem até lá”, relata.
O prejuízo se estende a pequenos comerciantes e artesãos que dependem do fluxo de visitantes. “Quem vende artesanato ou produtos na praia não tem como trabalhar. Isso prejudica muito o comércio local, porque Paraipaba é uma cidade turística por causa da Lagoinha”, afirma.
O que é a ressaca do mar e por que acontece
A ressaca do mar é caracterizada pelo aumento anormal da altura e da força das ondas, que passam a avançar com mais intensidade sobre a costa.
O fenômeno ocorre principalmente em função de ventos fortes em alto-mar, sistemas de baixa pressão atmosférica e frentes meteorológicas que geram grandes ondulações no oceano.
Embora tenha origem em processos naturais, especialistas alertam que a ação humana contribui diretamente para intensificar os impactos das ressacas.
Estudos do Serviço Geológico do Brasil (SGB) apontam que intervenções na faixa costeira, como a construção de espigões, quebra-mares e muros de contenção, alteram o transporte natural de sedimentos ao longo do litoral, favorecendo a erosão em áreas vizinhas.
A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) destaca que a ocupação da orla muito próxima à linha d’água reduz a capacidade natural da praia de dissipar a energia das ondas.
Kaylane também chama atenção para a perda de proteções naturais da praia, como as dunas. “O desaparecimento do morro da Praia da Lagoinha é muito preocupante. As dunas ajudam a absorver a energia das ondas e protegem o interior da praia. Sem elas, a gente fica sem essa proteção natural”, afirma.
Alerta para o litoral cearense
Episódios como o ocorrido na Praia da Lagoinha reforçam a necessidade de planejamento costeiro e de medidas preventivas. A moradora defende que a resposta do poder público vá além da infraestrutura.
“A gente espera que a prefeitura e os órgãos municipais tenham cuidado não só com o comércio, mas principalmente com o meio ambiente. Tem lugares com risco de desabamento”, alerta.
Por fim, Kaylane reforça que a preservação da praia é essencial para o futuro da região. “Muitas vezes quem mais cuida dali são os próprios moradores, que convivem diariamente com a praia e sabem da importância que ela tem, não só de forma turística, mas com respeito ao meio ambiente”, conclui.
G1











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