Dois delegados de Polícia Civil se tornaram alvos de Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) que visa apurar a conduta dos agentes na possível falha de custódia da plantação de 290 mil pés de maconha encontrados em Acopiara, no interior do Ceará. O Diário do Nordeste solicitou um posicionamento à CGD, mas não obteve retorno.
Nesta quinta-feira (2), o governador Elmano de Freitas confirmou a investigação e
disse que a CGD vai "apurar responsabilidades". "Se o delegado tem
responsabilidade ou não, quem vai dizer é a apuração", pontuou, em
coletiva de imprensa na sede da Delegacia Geral, durante evento de
entrega de celulares furtados e roubados.
Censo de justiça exige prudência e serenidade para apurar fatos,
para a gente julgar com justiça. Evidentemente que nós temos questões a
serem apuradas; elas serão apuradas, elas serão esclarecidas e, se
tiver, claro, o responsável por algum ato ilegal, será punido por isso
Além disso, o governador defendeu que eventuais condutas erradas de
alguns agentes não devem "macular a imagem da instituição". Ele reforçou
ainda "absoluto apoio" às forças de segurança e destacou resultados
recentes positivos dos indicadores criminais.
A Assessoria Jurídica da Associação dos Delegados de Polícia Civil do
Ceará (Adepol-CE) informou, em nota, que solicitou acesso aos autos.
"Não nos pronunciaremos sobre a questão de fundo enquanto não obtivermos
amplo acesso, mas adiantamos estranhar que se tenha instaurado já um
procedimento administrativo-disciplinar ao invés de uma sindicância,
que, na nossa percepção, seria mais adequada. A apuração ainda está numa
fase germinativa e compreendemos que o PAD representa, data venia, uma
precipitação, afinal, não se deve meramente se encontrar um culpado, mas
esclarecer o fato em toda sua amplitude sob todos os seus ângulos. Não
admitiremos que transformem determinado associado no para-raio do evento
em apuração", disse o advogado Leandro Vasques, assessor Jurídico da
Adepol.
Governador foi ao local da plantação
Uma denúncia feita pelo deputado federal André Fernandes iniciou a
investigação no último domingo (28). Ele publicou vídeos que mostravam
diversos pés de maconha ainda preservados, quando a lei obriga a
custódia e incineração da droga.
Nesta semana, o governador Elmano de Freitas foi presencialmente na
última segunda-feira (29) ao local onde a droga foi encontrada, em uma
fazenda de Acopiara, para supervisionar o terreno e a destruição da
droga. O terreno foi arrendado para um terceiro por um fazendeiro e empresário da região. Ambos já estão identificados pela Polícia Civil.
"Houve uma denúncia e, no meu entender, a denúncia é muito grave, de
que, aqui, teria havido negligência para que o crime pudesse atuar e até
levar algum bem daqui. Nós vamos apurar absolutamente tudo. Não vamos
passar a mão na cabeça de ninguém. E quero pedir ao deputado que ele
tenha a honra de poder, em depoimento, dizer que autoridade teria ligado
para suspender o trabalho da Polícia Civil aqui. [...] Nossa
determinação é enfrentar o crime de maneira implacável", disse Elmano.
O governador disse, no dia, que a "Polícia não sai daqui enquanto não destruir toda essa plantação”.
Associação de delegados defendeu 'apuração rigorosa'
Em nota, após a divulgação da investigação da custódia dos
procedimentos, a Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado do
Ceará (Adepol/CE) informou defender uma "apuração rigorosa, pautada pela
legalidade e pela transparência, bem como guiada pela imparcialidade,
serenidade e razoabilidade, visando à busca da verdade, e não somente à
identificação de um culpado".
"É preciso que a falha institucional, admitida pela Delegacia-Geral
da Polícia Civil, não seja particularizada, devendo haver claro
discernimento sobre a natureza sistêmica, e não individual, do problema.
É notório que a custódia de um elevado volume de entorpecentes e de uma
extensa área de plantação demanda considerável aparato estrutural e
humano, não sendo viável a atribuição de tal responsabilidade a um
pequeno contingente local", pontuou nota.
(Diário do Nordeste)