Rota da magreza: contrabando de canetas emagrecedoras passa a usar o corredor do tráfico de drogas em MS

Medicamentos emagrecedores e drogas são apreendidos nas rodovias de MS. — Foto: Divulgação 

Desde 2025, as forças de segurança registram aumento nas apreensões. Apenas no ano passado, mais de 3 mil caixas — cerca de 12 mil doses — de canetas emagrecedoras foram apreendidas no estado, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Já até a primeira quinzena de janeiro deste ano, foram 1,4 mil caixas, o equivalente a quase 6 mil doses. De acordo com a pasta, a maioria dos produtos vem do Paraguai.

⚠️ Desde novembro de 2025, a entrada no Brasil destes medicamentos vindos de países estrangeiros sem registro no Brasil é considerada contrabando. A determinação foi da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que proibiu a entrada das canetas emagrecedoras no país.

Nesta reportagem, o g1 mostra como Mato Grosso do Sul se tornou uma das principais portas de entrada ilegal de canetas emagrecedoras. A combinação de três fatores ajuda a explicar esse cenário:

  1. ➡️Estar na região de fronteira com o Paraguai;
  2. ➡️Uso de rotas já utilizadas pelo tráfico de drogas;
  3. ➡️Alta procura pelas canetas emagrecedoras.

O alto número de apreensões e os relatos das forças de segurança indicam que o contrabando passou a adotar a mesma logística do tráfico internacional de drogas. Além de gerar lucro para criminosos, a prática oferece riscos à saúde pública, já que os produtos entram no Brasil sem controle sanitário.

Apreensões em rodovias ligadas ao Paraguai

Segundo a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e a Receita Federal, os medicamentos saem de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, entram no Brasil por Ponta Porã (MS) por uma fronteira seca e seguem pelas estradas até os destinos.

Entre as rotas usadas, estão as rodovias BR-463, MS-164 e MS-162, além de estradas vicinais próximas a áreas de indústrias, segundo as fontes de força de segurança ouvidas pelo g1. As apreensões, com base nos dados da PF, PRF, DOF e Receita Federal, são contabilizadas de forma geral, considerando rodovias federais, estaduais e as estradas vicinais.

  • 🚙🛣️ MS-164 — A rodovia, já conhecida como rota do tráfico de drogas, também vem sendo usada para o contrabando de canetas emagrecedoras. Em 17 de janeiro deste ano, mais de 200 canetas foram apreendidas em um ônibus intermunicipal que fazia a linha entre Ponta Porã e Três Lagoas. No mesmo trecho, dias antes, em 12 de janeiro, foram apreendidos 267 quilos de maconha.
  • 🚙🛣️ BR-463 — A rodovia federal também aparece em apreensões de medicamentos ilegais. Em 19 de janeiro deste ano, durante um bloqueio policial, foram encontrados mais de 1,8 mil tonelada de maconha em uma caminhonete roubada que tentou furar a fiscalização. No mesmo corredor, em 4 de agosto do ano passado, equipes apreenderam 189 canetas emagrecedoras em um veículo que vinha de Ponta Porã.
  • 🚙🛣️ MS-162 — Em 22 de dezembro de 2025, o DOF apreendeu um veículo furtado em São Paulo que transportava 1,1 mil tonelada de maconha. Já em 6 de janeiro deste ano, no mesmo trecho, a Polícia Militar Rodoviária (PMR) encontrou 20 caixas de canetas emagrecedoras em um dos veículos abordados.

Infográfico — Foto: Arte/g1

O delegado adjunto da Receita Federal, Henry Tamashiro, afirma que parte do esquema começa em Pedro Juan Caballero. Já o superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Mato Grosso do Sul, João Paulo Pinheiro Bueno, explicou que os contrabandistas e narcotraficantes atravessam a avenida Internacional, entram em Ponta Porã (MS) — onde não há barreiras físicas que separem os dois países — e seguem pelas rodovias até levar a carga a outros estados do país.

"A gente tem uma fronteira extensa que, no total, chega por volta de 1.500 quilômetros. Boa parte é de fronteira seca, então, a gente não tem nenhuma barreira natural para esse tipo de crime. Os traficantes e contrabandistas usam diversas rotas aqui, para todos os cantos, para evitar a fiscalização", disse Bueno.

Segundo o subdiretor do DOF, major Eduardo Garcia, para além de cidades de Mato Grosso do Sul, as canetas paraguaias são levadas para estados do sudeste do Brasil, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Contrabando e crime contra saúde pública

O chefe da Delegacia de Repressão aos Crimes Fazendários da Polícia Federal, Anezio Andrade, explica que antes da nova regra da Anvisa era possível adquirir os produtos estrangeiros para uso próprio. Com a mudança, a entrada dos medicamentos virou crime de contrabando e contra a saúde pública.

“Tanto a importação quanto a comercialização desse medicamento em território nacional podem se enquadrar nesses crimes”, afirmou Anezio Andrade.

As autoridades que atuam nas fronteiras ouvidas pelo g1 apontam que o aumento das apreensões está ligado a dois fatores:

  • 🤑ao alto lucro da venda ilegal;
  • 🚗à facilidade de circulação pelas rotas já usadas pelo tráfico de drogas.
“As pesquisas têm identificado que se aprende apenas 5% de tudo que passa. Então, este mercado possivelmente é de R$ 600 milhões”, diz o presidente do IDESF - Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteira, Luciano Stremel Barros.

Apreensões de medicamentos emagrecedores

Além dos dados da Sejusp, o g1 procurou as forças de segurança para obter informações mais detalhadas. Os números de 2024 não foram incluídos porque, naquele período, a importação desses medicamentos ainda não era considerada crime e, por isso, não havia registros de apreensões.

  • A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 5.281 unidades em 2025 e 1.269 unidades apenas nos primeiros 15 dias de 2026;
  • Já o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) apreendeu 1.610 caixas em 2025, contabilizadas com outros medicamentos, e 55 caixas na primeira quinzena de janeiro;
  • A Polícia Militar Rodoviária (PMR) apreendeu 1.213 caixas ao longo de 2025 e 134 caixas nas duas primeiras semanas de 2026.

O subdiretor do DOF, major Eduardo Garcia, explica que o custo desses medicamentos no Brasil é alto, o que leva os criminosos a buscar esses produtos no país vizinho.

"A compra desse material no Paraguai é bem mais barata. No Brasil, a legislação é bem mais rígida e a gente tem poucos produtos que já foram liberados pela Anvisa. Já no país vizinho, já tem uma gama de produtos e alguns que ainda não passaram pelos trâmites legais do Brasil. A maioria do que apreendemos é de caneta vinda do Paraguai", afirma.

Fronteira extensa e rotas alternativas para canetas emagrecedoras

As principais rotas usadas para o transporte de canetas emagrecedoras ilegais passam por rodovias estaduais, federais e estradas vicinais na região de fronteira. A Polícia Militar Rodoviária (PMR) atua nas rodovias estaduais, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) nas federais, e o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) monitora áreas de usinas, fazendas e estradas vicinais.

Segundo o superintendente da PRF em Mato Grosso do Sul, João Paulo Pinheiro Bueno, o contrabando de medicamentos tornou-se mais uma fonte de renda para organizações criminosas, que aproveitam a estrutura do tráfico de drogas para cometer esse tipo de crime.

"É um medicamento que tem uma demanda muito grande, o consumo no mercado interno aqui no Brasil é muito grande. Então, as organizações têm um lucro elevado com esse tipo de medicamento", explica.

No Brasil, medicamentos não podem ser vendidos com bula ou orientações em língua estrangeira. Segundo especialistas, isso pode trazer riscos aos pacientes, como dificuldade de compreensão e erros na administração. Além disso, produtos falsificados, adulterados ou clandestinos ficam fora do controle das autoridades brasileiras, já que estão sob regulação de outros países.

O subdiretor do DOF, major Eduardo Garcia, explica que o preço mais baixo das canetas no Paraguai facilita a compra pelos criminosos, já que o custo no Brasil é elevado e a legislação mais rigorosa.

"Com certeza as organizações criminosas começam a mirar esse tipo de crime, porque conseguem obter uma grande vantagem financeira."

Para o DOF, a quantidade de estradas vicinais exige ajustes no trabalho policial, já que a fronteira é bastante permeável. Apesar do policiamento, a extensão do território facilita a atuação das organizações criminosas.

No entanto, com o surgimento dessas novas mercadorias, os policiais passam a adotar uma abordagem mais técnica em suas operações. "O policial passa a tomar ações, como fiscalizar locais onde ele não fiscalizava e indagar na entrevista policial situações que possam elucidar esse tipo de delito", explica o major Eduardo Garcia.

Destino das mercadorias apreendidas

O delegado adjunto da Receita Federal, Henry Tamashiro, explica que os produtos apreendidos são levados aos depósitos do órgão. Quando não é possível identificar a origem, os medicamentos são destruídos.

"A maioria das coisas que a Receita Federal apreende, o objetivo é fazer uma destinação ecologicamente correta, para que a gente não prejudique o meio ambiente, porque a gente apreende em excesso."

Riscos à saúde

Medicamentos contrabandeados podem ser transportados sem refrigeração adequada e conter substâncias diferentes das informadas ou em doses incorretas. O g1 reuniu em uma lista as canetas que possuem registro sanitário no país, ou seja, que podem ser vendidas legalmente.

No caso das canetas emagrecedoras, que são termossensíveis e exigem refrigeração contínua, a falta de controle sobre transporte e armazenamento impede a garantia de conservação adequada, mesmo quando se trata de produtos originais.

Segundo a presidente do Conselho Regional de Farmácia, Daniely Proença, o uso desses produtos pode causar problemas gastrointestinais, reações alérgicas e complicações mais graves, como:

  • Pancreatite;
  • Desidratação;
  • Alterações hormonais.

O médico Marcelo Santana Silveira alerta que a pancreatite pode levar à morte. "É um quadro muitíssimo grave, com necessidade de internação e monitoramento."

"A gente pode ter dentro dessas canetas substâncias que não é só a molécula tirzepatida, a gente pode ter adição de hormônios, de insulinas, a gente não sabe o que pode ter dentro, então isso é um risco", explica.

Caso haja contaminação, o paciente pode ser infectado ao aplicar o produto.

"A gente não sabe se tem vírus, se tem bactérias, pode fazer abscesso no local da aplicação, então outra questão que tem que ser considerada é a questão infecciosa", afirma.

⚠️ A importação, venda ou distribuição de medicamentos sem registro na Anvisa pode resultar em pena de 10 a 15 anos de prisão e multa, conforme o artigo 273 do Código Penal. Se houver substâncias de controle especial, a pena pode ser a mesma do tráfico de drogas.

Automedicação

O médico Marcelo afirma que a automedicação agrava a situação e ressalta que existem outros tratamentos indicados para o controle do peso. Segundo ele, o problema começa pelo fato de que a maioria das pessoas não tem acompanhamento médico, iniciando muitas vezes com doses incorretas ou até superdosagens.

"A gente tem todo um critério para estabelecer a dosagem para cada pessoa, então, elas ficam realmente muito expostas por fazer uma automedicação e ainda, com medicação que a gente não sabe qual é a origem e o que tem dentro dela."

"A gente começa a ver que toda a cadeia de uso dessa medicação no Brasil já está sendo feita de uma forma totalmente inadequada", finaliza.


 G1

Mulher é denunciada pelo MPCE por tentar matar enfermeira dentro de hospital em Fortaleza



Uma enfermeira foi vítima de tentativa de homicídio dentro do hospital Frotinha da Parangaba, em Fortaleza, no dia 29 de dezembro de 2025. O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) denunciou a suspeita do crime nesta segunda-feira, 26.

A vítima trabalhava na unidade e a acusada acompanhava um familiar. A agressão ocorreu quando a mulher pediu uma informação à enfermeira, que a orientou a apertar a campainha de uma determinada sala para ser atendida.

Vítima foi atingida com uma garrafa de metal 

"Não satisfeita com a resposta, a ré utilizou de violência desmedida e injustificada para golpear a enfermeira na cabeça com uma garrafa de metal", aponta a denúncia.

De acordo com o documento, a vítima foi atingida diversas vezes, o que ocasionou uma ferida aberta na cabeça, sendo socorrida no próprio hospital. 

A suspeita foi presa em flagrante na ocasião, mas teve a liberdade concedida durante a audiência de custódia.

Para a acusação, a mulher cometeu o crime por motivo fútil, em razão do inconformismo com a resposta da funcionária sobre a forma de obter atendimento.

"Trata-se de uma reação desproporcional ao modo de funcionamento do hospital, que não justificaria agressão à vida de uma funcionária, por mais ríspida que parecesse à ré ou a qualquer outra pessoa. A futilidade diz respeito à desproporção entre o motivo e o valor inestimável da vida", aponta a denúncia. 


G1

Guerra entre facções e feminicídios: Ceará lidera assassinatos

 Guerra de facções desafia as forças de segurança do Ceará. — Foto: Thiago Gadelha/SVM

No Ceará, a média é de 32,6 mortes violentas para 100 mil habitantes - mais que o dobro da taxa do Brasil, que é de 15,97%. O indicador é considerado preocupante por especialistas e vai na contramão da redução nacional, de 11% no comparativo com 2024. (veja no infográfico abaixo)

☠️Ao todo, foram registrados 3.022 assassinatos no Ceará em 2025, dos quais 96,9% correspondem a homicídios dolosos — quando há intenção de matar. Em todo o país foram 34.086 mortes violentas e a taxa nacional por 100 mil habitantes é de 15,97.

♀️Outro dado que chama atenção é o crescimento dos feminicídios. O estado registrou um aumento de 14,63%, com um total de 47 mulheres mortas no ano passado.

De acordo com pesquisadores ouvidos pelo g1, a alta taxa de mortes violentas no Ceará é resultado da sobreposição de diferentes dinâmicas de violência, com destaque para os feminicídios e os assassinatos associados à guerra entre facções criminosas. (entenda os motivos abaixo)

O Governo do Estado não divulga a estatística detalhada com as mortes ligadas à disputas entre criminosos, mas em entrevista ao g1, o coordenador da Coordenadoria Integrada e Planejamento Operacional (Copol) da Secretaria da Segurança Pública do Ceará, Harley Filho, afirma que "a ampla maioria dos homicídios no estado do Ceará estão vinculados ao conflito entre grupos criminosos rivais".

A fala de Harley vai ao encontro com o que o governador Elmano de Freitas (PT) declarou em entrevista à TV Verdes Mares, afiliada da Globo no Ceará, em julho de 2025. Segundo ele, 90% das mortes violentas no Estado eram resultado de conflitos entre grupos criminosos que disputam território.

Violência contra as mulheres

O número de feminicídios registrado no Ceará em 2025 foi o maior desde 2018, ano em que este tipo de crime passou a ser contabilizado nas estatísticas da Secretaria da Segurança Pública do Ceará.

Segundo Artur Pires, professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (UFC), o alto número de feminicídios no estado está diretamente relacionado ao machismo.

"Os feminicídios têm relação com a nossa histórica estrutura machista no Brasil e no Ceará. Uma estrutura na qual, sobretudo, os homicídios ocorrem nos lares, nas famílias. São eventos nos quais os companheiros têm uma ideia de posse sobre aquele corpo. Isso aqui no Ceará é muito forte ainda, sobretudo pelo histórico nosso de patriarcalismo", diz o pesquisador.

🔎 A tipificação de feminicídio foi criada em 2015. O crime ocorre quando uma mulher é assassinada pelo fato de ser mulher.

Em janeiro de 2025 três mulheres foram assassinadas vítimas de feminicídio no Ceará. Em junho do mesmo ano foram 11, o maior número do ano para um único mês. Um destes crimes vitimou uma jovem de 18 anos de Trairi, que teve a cabeça decapitada por um homem que a importunava.

A pesquisadora Fernanda Naiara, também do Laboratório de Estudos da Violência (LEV/UFC), destaca que os dados sobre feminicídio indicam que, na maioria dos casos, os crimes são cometidos por homens que mantinham ou mantêm vínculos afetivos com as vítimas, como namorados, ex-namorados, maridos ou ex-maridos.

Segundo ela, trata-se de um crime marcado pela proximidade e por relações de poder, além de apresentar, em muitos casos, elementos de crueldade que atingem de forma específica os corpos das mulheres. (leia mais abaixo)

Infográfico mostra os indicadores de violência no CE comparados ao Brasil 

Conforme Artur Pires, o elevado número de assassinatos está diretamente relacionado aos conflitos entre facções criminosas, como Guardiões do Estado (GDE), Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP) e Massa ou Tudo Neutro (TDN), que disputam o controle de bairros, comunidades e rotas do tráfico.

Artur explica que alguns fatores aumentaram a disputa entre as facções, como:

  • O fim da Guardiões do Estado (GDE) no 2° semestre do ano. A facção de origem cearense foi praticamente dissolvida e perdeu lugar para outro grupo, o Terceiro Comando Puro (TCP);
  • O TCP é uma facção de origem carioca. A chegada do bando no CE mexeu com o controle do Comando Vermelho (CV) em algumas áreas, e os dois passaram a duelar;
  • Apesar disso, o CV conseguiu fechar 2025 com certa "hegemonia" na Região Metropolitana e hoje encontra pouca resistência de grupos rivais;
  • Um desses grupos rivais é a Massa ou Tudo Neutro (TDN), que ainda tem uma 'ilha' de resistência na Região Metropolitana de Fortaleza.

Um dos locais marcados por briga de facção em 2025 foi o bairro Vicente Pinzón.

Ainda segundo Artur, a violência no Estado aumenta à medida que os grupos criminosos buscam diversificar sua atuação. Antes concentrados no tráfico de drogas, agora as facções estão expandindo para outras áreas consideradas 'lucrativas', como extorsão de comerciantes e monopólio de serviços básicos, como água, gás de cozinha e internet.

Famílias do distrito de Uiraponga, na cidade de Morada Nova, a 167 quilômetros de Fortaleza, foram expulsas por criminosos em meio a guerra de facções. — Foto: Meu País Uiraponga/ Reprodução

Também em 2025, o Ceará registrou a expulsão de centenas de famílias de suas próprias casas por causa da 'guerra' entre criminosos. Dois casos se destacaram:

  • Uma vila de casas na cidade de Pacatuba, Região Metropolitana de Fortaleza, que tornou-se um “território fantasma” após cerca de 30 famílias serem expulsas da área por facções criminosas;
  • E o distrito de Uiraponga, na cidade de Morada Nova, que ficou completamente vazio após a violenta disputa entre membros de facções na região.

Grande Fortaleza concentra mais da metade das mortes

Cidades com mais mortes violentas no Ceará em 2025

Município nº de vítimas
Fortaleza 742
Caucaia 246
Maracanaú 200
Sobral 112
Maranguape 106

Os dados mostram que a Grande Fortaleza concentrou 1.645 homicídios em 2025, o que representa aproximadamente 54% de todas as mortes violentas registradas no Ceará. A capital lidera o ranking estadual, com 742 homicídios, seguida por Caucaia e Maracanaú. (veja ranking acima)

Outros municípios da Região Metropolitana também aparecem com números expressivos, como Maranguape e Pacatuba (63), além de Trairi (35), Cascavel (34), Horizonte (33) e Pacajus (31). A expansão dos grupos criminosos para outras cidades não é à toa. Nos novos locais, eles tentam estabelecer poder e domínio sobre as comunidades, além de ter acesso a melhores armas e drogas.

Harley Filho admite que as facções "brigam por território" no Ceará, mas o integrante do governo do Estado é categórico ao dizer que "nenhum grupo criminoso domina territórios no Ceará".

"Hoje, uma viatura com três policiais entra em qualquer local do estado do Ceará", garantiu o coordenador.

Violência x futuro

O pesquisador Artur Pires avalia que a dinâmica da violência na região pode sofrer alterações nos próximos anos. Para ele, a organização das facções nos territórios influencia diretamente os índices de homicídio. Segundo ele, quando um grupo criminoso consegue se impor sobre os demais, os confrontos armados tendem a diminuir.

"Como o Comando Vermelho conseguiu uma certa hegemonia na Região Metropolitana de Fortaleza, há uma tendência em 2026 de baixa nesses números de homicídio. Isso já foi verificado em São Paulo quando o PCC, no começo dos anos 2000, conseguiu a hegemonia no Estado. Na época, as taxas de homicídio caíram drasticamente em São Paulo e se mantém baixas até hoje", reflete Artur.

O que preocupa o pesquisador, no entanto, é que a aparente "tranquilidade" e redução de assassinatos esperada para 2026 esteja mais relacionada à hegemonia do CV, que agora perde rivais, do que a atuação efetiva do Governo do Estado.

Combate ao crime

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) do Governo do Ceará destacou por meio dos indicadores que, em relação a 2024, houve redução de 7,7% nos Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLI) no Estado.

Na entrevista ao g1, o coordenador Harley Filho elencou ações práticas que já vêm sendo adotadas para combater as ações criminosas no Ceará:

  • Combate à rede de contatos e articulação desses grupos criminosos: De acordo com a SSPDS, foram realizadas mais de 240 prisões interestaduais em 2025, focando em criminosos que tentam fugir do Ceará ou operar de outros estados.
  • Combate financeiro: atuação direta contra a extorsão a provedores de internet, com a apreensão de 2.800 quilos de material irregular (cabos, etc.), gerando um prejuízo de R$ 3 milhões ao crime organizado.
  • Investimento em equipamentos e profissionais com a entrega de 73 equipamentos de proteção à mulher/ aumento da frota da Patrulha Maria da Penha/inauguração de delegacias especializadas de homicídios na Região Metropolitana para acelerar as investigações.
  • Retomada de territórios: foram 61 prisões ligadas a deslocamentos forçados, permitindo o retorno de moradores a distritos como Uiraponga (Morada Nova) e à Vila em Pacatuba.
  • Remoção de pichações em ruas do Ceará: uso da mão de obra de detento para apagar símbolos de facções das comunidades de Fortaleza, Região Metropolitana, entre outras cidades.

O coordenador acredita que a segurança pública precisa trabalhar em conjunto com outras áreas, como saúde, educação, lazer e moradia. Por isso, a SSPDS diz estar sempre em contato com pastas como a Secretaria da Proteção Social, Saúde e Mulheres.

O Ceará lidera o ranking nacional de assassinatos por 100 mil habitantes em 2025, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública — Foto: José Leomar/SVM

"Isso impacta positivamente na diminuição do crime local, seja uma poda de árvore, uma remoção de pichação, coleta regular de lixo. Quando você leva a estrutura do Estado para um local carente, você consegue, sim, obter dados positivos", considera.

A longo prazo, a SSPDS espera aumentar a integração com forças de segurança de outros estados e municípios, dar celeridade às investigações e investir nos profissionais de segurança e equipamentos de proteção à mulher. Para Harley, a chave de tudo é um "trabalho intersetorial", em que a Segurança não atua sozinha.

"A gente não vai conseguir o ideal em um ano. Tem que ser construído, par a par, ano a ano (...) As coisas não se resolvem da noite para o dia, infelizmente. Mas eu acho que estamos no caminho certo. Eu tenho muita esperança que a gente vai resolver. Se eu não tivesse, não estaria nem aqui".

Segundo ele, polícia cearense faz um trabalho de inteligência e de cooperação com equipes dos outros estados para "sufocar" o crime organizado. Segundo ele, apesar dos 2.883 homicídios ocorrido no ano passado na RMF, houve um aumento de 40% das prisões desses suspeitos. Cresceu também a taxa de apreensão de armas de fogo na Região Metropolitana, totalizando '1.592 armas de fogo retiradas de circulação'.

De acordo com o coordenador, cidades como Caucaia, Maracanaú, Maranguape e Pacatuba receberam novas delegacias - o que, na análise do delegado, representa maior presença do Estado nos territórios.

"As investigações estão mais céleres, estão sendo concluídas. Com relação à temática de descolamentos forçados e ataques a provedores de internet, eu digo que o Ceará deu um salto de qualidade, saiu na frente em relação aos demais estados".

Ainda conforme Harley, 85 prisões foram realizadas desde 2025 contra envolvidos nos ataques a provedores de internet. Já sobre a expulsão de moradores de suas casas, o delegado disse que foram realizadas 61 prisões.

Facções e a violência de gênero

No Ceará, dos 3.022 assassinatos registrados no ano passado, 304 foram de mulheres. Desse total, 47 são considerados feminicídios, representando uma alta de 14,63% em relação à 2024.

Segundo a pesquisadora Fernanda Naiara trata-se de um crime marcado pela proximidade e por relações de poder, além de apresentar, em muitos casos, elementos de crueldade que atingem de forma específica os corpos das mulheres.

A forma como se mata também fala sobre esse tipo de crime e sobre esse tipo de violência, porque não é um tipo de morte que a gente vê de forma tão rotineira quando pensa nos homens, que também são as maiores vítimas de homicídios.

Ao analisar áreas dominadas por grupos faccionados, a pesquisadora aponta que ainda não há evidências suficientes para afirmar que o risco de feminicídio seja maior nesses territórios. No entanto, ela destaca que a presença dessas organizações dificulta a chegada do Estado e da rede de proteção às mulheres.

"No Ceará, a gente acompanha o aumento de prisões por feminicídio, mas, ao mesmo tempo, não acompanha a diminuição dos casos, o que indica que as políticas de proteção não estão conseguindo chegar a esses territórios", pondera Fernanda.

Em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma lei que aumentou as penas para quem comete feminicídios, que podem variar de 20 a 40 anos de prisão.

Sobre o tema, o titular da Coordenadoria Integrada e Planejamento Operacional (Copol), Harley Filho, afirma que o cenário nacional é preocupante e que a investigação de feminicídios é uma das prioridades da polícia cearense:

"Somente em relação aos equipamentos entregues pelo Governo do Estado, já são da ordem de 73 equipamentos, como Casa da Mulher Cearense, Salas Lilás, 50 viaturas da patrulha Maria da Penha. Outro dado importante é a medida protetiva de urgência online. É mais uma medida que faz com que as mulheres se empoderem, possam denunciar. Em 2025, foram 1.200 casos de medidas protetivas online requeridas".

Rosto por trás dos números

Clarissa Costa era enfermeira de neonatologia e trabalhava em hospitais públicos de Fortaleza — Foto: Arquivo pessoal

Uma das vítimas que engrossou as estatísticas de feminicídio no Ceará foi a enfermeira Clarissa Costa Gomes, de 31 anos. Ela foi assassinada com 34 golpes de facada pelo então namorado, Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, de 26 anos. O crime foi em julho em Fortaleza e a família não se conforma com a brutalidade com que a vida da jovem foi interrompida.

"A única coisa que eu pergunto a Deus é: por que dessa forma? Porque a gente sabe que vai perder um ente da gente. Logicamente, não é natural um pai enterrar a filha, sempre é o contrário. Mas eu poderia ter perdido ela de uma forma diferente, não de uma forma tão violenta, de uma pessoa que a gente, de uma certa forma, tinha uma confiança", lamentou Luciano Gomes, pai de Clarissa.

"Uma pessoa que chegou com um sorriso na cara, que ludibriou toda a família e apunhalou a gente pelas costas. Ele não só apunhalou minha filha, ele apunhalou a família todinha. Ele matou a família todinha. Foi 34 facadas para cada familiar que ele espalhou", complementou.

Luciano disse que a morte brutal da filha tirou "o equiílibro da família". "Ela está fazendo falta de uma forma tão agressiva quanto foi a forma dela morrer. Se Deus me desse a oportunidade de trocar minha vida pelo lado dela, eu trocaria. Eu não pensaria duas vezes. ", lamentou o pai da enfermeira.

g1

Dono de barraca salva três jovens de afogamento em praia de Fortaleza

 

Homem salva trio de amigos que se afogava em praia de Fortaleza

Homem salva trio de amigos que se afogava em praia de Fortaleza

Três jovens, de 17, 18 e 19 anos, foram salvos de afogamento na Praia de Iracema, em Fortaleza, na madrugada desta sexta-feira (30). Eles pularam da Ponte dos Ingleses no mar, que estava agitado, e começaram a se afogar. Um amigo do trio viu a situação e correu para pedir ajuda.

O dono de uma barraca próxima ao local, José Wilton Nascimento da Silva, de 31 anos, ouviu o pedido de socorro enquanto atendia clientes. Ele pegou uma boia de salvamento e correu até a ponte, de onde pulou para resgatar os jovens.

“Quando o rapaz gritou, só pensei em salvar eles”, contou José Wilton. Ele é ex-triatleta, mas treina diariamente e diz que está acostumado a nadar. Segundo ele, já realizou outros quatro resgates desde que a ponte foi reinaugurada. Ele e a esposa trabalham na barraca há quase dois anos.

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Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi acionada e chegou ao local às 4h21. Quando os agentes chegaram, as vítimas já haviam sido retiradas da água por José Wilton.

Conforme os bombeiros, após o resgate, os jovens estavam conscientes, orientados e responsivos, apresentando apenas escoriações leve.

Três jovens, de 17, 18 e 19 anos, foram salvos de afogamento na Praia de Iracema, em Fortaleza, na madrugada desta sexta-feira (30).

g1

Motorista em alta velocidade invade palco de Carnaval e atropela vigia

 

Motorista em alta velocidade invade palco de Carnaval e atropela vigia no Crato, CE


Um motorista em alta velocidade colidiu contra um palco de Carnaval montado na Rua 21 de Junho na cidade do Crato, Cariri cearense, e atropelou duas pessoas que estavam no local. O caso ocorreu na manhã deste sábado (31). Após o acidente, o condutor fugiu da rua e não prestou socorro, mas foi preso horas depois, conforme nota atualizada da Polícia Civil.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi até o local e atendeu os feridos, que sobreviveram. Uma das vítimas era o vigia. Vídeos de câmeras de segurança mostram o momento em que o carro cinza avança sobre a estrutura montada e arrasta os equipamentos.

O acidente deixou duas vítimas feridas. De acordo com organizadores do bloco, os colabores estão estáveis. — Foto: Reprodução

O acidente deixou duas vítimas feridas. De acordo com organizadores do bloco, os colabores estão estáveis.

De acordo com a polícia, as vítimas têm 69 e 35 anos. O condutor, de 28 anos, foi preso e apresentava sinais de embriaguez. "Com ele foi apreendido o veículo que envolvido no crime. O automóvel e o homem foram encaminhados a Delegacia de Polícia Civil do Crato, onde o ele foi autuado por tentativa de homicídio. Agora, ele está à disposição da Justiça".

Em nota, o bloco carnavalesco De Juarez a Juarez, ao qual pertence a estrutura, disse que "todas as providências necessárias já foram adotadas para solucionar as consequências do acidente".

"O estado de saúde dos colaboradores é estável, e ambos estão recebendo assistência médica nos hospitais de referência São Raimundo e Hospital Regional do Cariri".

Ainda na nota, o bloco afirma que a programação da festa está mantida, apesar do acidente. 

G1

Dupla invade condomínio e furta bicicletas em Fortaleza

 

Criminosos são flagrados furtando bicicletas em condomínio

Criminosos são flagrados furtando bicicletas em condomínio

Câmeras de segurança flagraram o momento em que dois homens invadem um condomínio no Bairro Dionísio Torres, em Fortaleza, e furtam duas bicicletas da garagem. O caso ocorreu nesta sexta-feira (30).

No vídeo, a dupla força o portão principal do prédio e consegue abrir uma brecha para entrar. Em seguida, eles correm até a garagem e pegam os veículos. Os homens fugiram pedalando do condomínio.

Em nota, a Polícia Civil disse que investiga um furto qualificado ocorrido no bairro Dionísio Torres. "O caso foi comunicado por meio de Boletim de Ocorrência (BO). A 4ª Delegacia de Polícia Civil da Capital é a unidade da PCCE que está a cargo dos trabalhos investigativos acerca do caso".

A síndica do prédio foi alertada pela empresa de monitoramento que cuida do local e acionou equipes policiais. Um Boletim de Ocorrência (B.O) foi registrado.

Em entrevista à TV Verdes Mares, a síndica revelou que esta foi a primeira vez que um caso de furto ocorreu no prédio. Cada bicicleta custa cerca de R$ 1.500,00, totalizando um prejuízo de R$ 3 mil. O portão do condomínio também foi danificado.

G1

Prefeitos do Ceará se unem contra altos cachês de bandas: 'Aumento absurdo'

 

 Foto aérea do São João de Maracanaú.

Prefeitos do Ceará têm relatado dificuldades para arcar com os custos de eventos públicos por conta dos altos cachês para contratação de artistas, que sobem a cada ano. Os gestores já articulam medidas conjuntas para tentar conter os impactos desses gastos.

O aumento dos valores é considerado abusivo pelos prefeitos. Eles afirmam que o patamar é incompatível com a realidade fiscal dos municípios e se dizem “reféns” de produtoras que negociam as apresentações das atrações musicais.

A elevação coincide ainda com um cenário de queda na arrecadação, principalmente por conta de mudanças no Imposto de Renda e do reflexo financeiro negativo provocado pelo reajuste do salário mínimo deste ano.  

Ao PontoPoder, nesta quinta-feira (29), o presidente da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), Joacy Júnior, informou que uma reunião “entre todos os presidentes das associações estaduais” já está sendo marcada para debater o assunto de forma ampla.  

“Isso deve acontecer, no máximo, na próxima semana, para a gente tomar uma ação conjunta, cirúrgica, que possa ter um efeito concreto e que esses valores possam realmente baixar”, pontuou, afirmando ainda que o aumento expressivo nos valores de um ano para o outro pelos empresários “não tem justificativa”.

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‘Valores abusivos’ 

Numa assembleia realizada pela Aprece, na última terça-feira (27), os gestores aprovaram medidas articuladas para tentar evitar o comprometimento de investimentos em áreas essenciais em benefício dos eventos. 

Os prefeitos decidiram pela intensificação do diálogo com associações municipalistas de outros estados, especialmente da região Nordeste, para construir uma posição unificada sobre a problemática, e pela elaboração de um instrumento jurídico que estabeleça parâmetros justos e equilibrados para a contratação de atrações artísticas.

Na ocasião, o prefeito de Amontada, Flávio Filho (PT), mencionou situações nas quais os valores saltaram de R$ 300 mil para R$ 500 mil, ou de R$ 1 milhão para R$ 1,5 milhão. Já Renan Guedes (MDB), prefeito de Catarina, levantou a necessidade de critérios, limites e maior transparência entre os próprios governantes.  

Ao PontoPoder, o prefeito de General Sampaio, João Paulo (PT), afirmou que, na cidade, o cenário dificulta ainda mais a viabilidade de eventos promovidos pela gestão. “O poder financeiro do Município não acompanha esse ritmo, aliás, às vezes faz é regredir”, disse o gestor se referindo ao aumento exponencial de cachês.  

Entre as alternativas buscadas estão parcerias com órgãos de outras esferas ou instituições do terceiro setor. “Tirando isso, o nosso poder financeiro fica muito reduzido”, relatou.

'Entre a cruz e a espada'

“Esse ano a gente vai realizar Carnaval, mas praticamente sem nenhuma banda grande. Vamos contratar 'paredão', fazer festa, mas bandas mesmo, contratadas, como fizemos no ano passado, esse ano está praticamente impossível”, detalhou. 

Segundo João Paulo, existe uma “pressão” popular pela realização de eventos. “E a gente fica entre a cruz e a espada, porque, quando o orçamento é pequeno, temos que fazer escolhas. Não podemos deixar de fazer cirurgia, não pode deixar de ter um atendimento no posto de saúde para fazer festa”, concluiu.

Foto de prefeitos cearenses reunidos na Aprece.

O prefeito de Aratuba, Joerly Victor (Republicanos), reforçou a necessidade desses festejos públicos. “Sabemos que, quando a gente faz um evento, ele gira a economia, gera renda — sobretudo os ambulantes —, gera entretenimento e cultura para a população”, evidenciou o político. 

“Não sou contra as festas. Pelo contrário, gosto de fazer evento e faço aqui três festas anuais. Mas isso tem nos preocupado, logicamente”, salientou Joerly, que disse ter o receio de que ocorra um “colapso” nos municípios.

“Às vezes a gente passa quatro meses para poder pagar. Acertamos com os empresários e eles concordam”, complementou, relatando que algumas festas tradicionais não podem deixar de acontecer porque isso geraria “insatisfação da população”. 

Aumentos acima da inflação

O prefeito de Uruoca, Kennedy Aquino (PT), informou que, em sua cidade, há dois eventos realizados anualmente pelo governo municipal. Um deles, o Festival de Quadrilhas Juninas, realizado em julho, é “o que mais pesa para o Município do ponto de vista financeiro”, conforme alegou o gestor. 

“E venho notando aumentos que não são conforme uma inflação, ou de uma situação, digamos assim, mais equilibrada”, salientou. “Quando chegou no ano passado, a gente sentiu muita dificuldade na execução do evento. E, mesmo fazendo, com grandes dificuldades para entregar com a mesma qualidade que a gente sempre teve”, completou.

Foto do Festival de Quadrilhas de Uruoca.

Legenda: Festival de Quadrilhas de Uruoca poderá ter um dia a menos de show em 2026 por conta dos altos cachês, revelou o prefeito Kennedy Aquino (PT).

Foto: Reprodução / Prefeitura de Uruoca.

Pelo que disse Kennedy, as elevações progressivas seguem uma média de R$ 150 a R$ 200 mil a mais, quando comparado um ano com o outro. “É um aumento que considero, de certo modo, absurdo”, reclamou. 

Devido à problemática, o petista disse que está cogitando reduzir a quantidade de datas dos shows do Festival de Quadrilhas desse ano, fazendo com que passem de três para dois dias. A medida, explicou o governante, seria para promover o evento, democratizando o acesso ao entretenimento e à cultura, “dentro de um orçamento possível”. 

Cancelamentos de carnavais

Ao menos três prefeituras cearenses cancelaram seus festejos carnavalescos este ano por dificuldades financeiras e emergências: Caucaia, Jaguaretama e Tauá.

O município da Região Metropolitana de Fortaleza suspendeu a festa pelo segundo ano consecutivo. Segundo o prefeito Naumi Amorim (PSD), a medida foi tomada para priorizar investimentos em áreas consideradas essenciais, como saúde e educação.

Já a gestão da região do Vale do Jaguaribe cancelou o Carnaval alegando uma “grave situação de seca” e a morte de um dos secretários. O prefeito Marcos Cunha (PSB) disse que a ideia é concentrar os recursos municipais nos investimentos contra a seca, como contratação de maquinários e construção de poços profundos e adutoras.

Por fim, a cidade do Sertão dos Inhamuns, comandada pela prefeita Patrícia Aguiar (PSD), decidiu cancelar a programação argumentando que seria uma forma de buscar “equilíbrio financeiro” e realizar investimentos em saúde, educação e outras áreas.

Participação de órgãos de controle

Uma proposta de firmamento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) foi apresentada na reunião da terça-feira, porém não obteve apoio suficiente dos prefeitos presentes. Ela é considerada como uma alternativa, se não obtiverem sucesso com as medidas deliberadas.

“Caso seja necessário, a gente também tem como sugestão procurar o Ministério Público para fazer um Termo de Ajustamento de Conduta onde as bandas expliquem os custos que estão tendo para haver essa elevação de valores”, explicou o presidente da Aprece. 

Foto da fachada do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).

Legenda: Municípios cogitam acionar o MPCE para formulação de um TAC.

Foto: Thiago Gadelha.

Segundo Joacy Júnior, houve um diálogo com o Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE-CE), mas não foi apresentada uma solução devido à impossibilidade jurídica do órgão atuar de outro modo que não seja a partir das fiscalizações existentes.  

“O TCE é apenas um órgão fiscalizador. Eles vão ser parceiros nisso, não concordam com essa situação. Mas o que podem fazer é apenas verificar se as contratações estão seguindo os critérios da Lei de Licitações”, falou. 

Para o período carnavalesco, a Corte de Contas lançou o “Portal Carnaval Transparente” e uma cartilha com o mesmo nome para orientar as gestões municipais na aplicação de recursos na promoção de festas. 

Foto do plenário do TCE-CE.

Legenda: TCE-CE lançou instrumentos de transparência para o Carnaval e orientação para gastos em outros festejos.

Foto: Reprodução / Tribunal de Contas do Estado do Ceará.

A plataforma centraliza documentos e resultados do acompanhamento das contratações e gastos públicos pelo órgão, já o guia reúne orientações sobre boas práticas e elenca exigências legais relacionadas às contratações realizadas em períodos festivos, além de shows e outras comemorações. 

No quesito atrações musicais, até a tarde desta sexta-feira (30), com base na declaração de 32 municípios que registraram seus gastos de Carnaval, o somatório de cifras investidas no já era de R$ 47,7 milhões, pagos em cachês, shows e contratações artísticas. 

O PontoPoder contatou o Ministério Público estadual e o Tribunal de Contas do Ceará para poderem comentar sobre o tema. Ambos os órgãos não responderam aos pedidos enviados até a última atualização deste texto. O conteúdo será atualizado caso haja alguma devolutiva.

Legislação que possa regular contratações 

A articulação em defesa da criação de uma legislação específica também tem sido considerada pelos prefeitos cearenses por intermédio da Aprece. Atualmente, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que estipularia um teto de gastos para shows públicos baseado em critérios como o número de habitantes e a receita do município. 

De autoria do senador Alessandro Vieira (MDB), o PL 1.551/2022 busca alterar a Lei de Licitações para evitar gastos desproporcionais em eventos financiados com dinheiro público, especialmente em cidades pequenas. Hoje, ele está na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, aguardando a designação de um relator. 

Entre os principais pontos da proposta estão: 

  • O estabelecimento de um teto proporcional, de modo que o valor máximo que um ente público poderia pagar por um show seria limitado a um percentual da sua receita corrente ou baseado na faixa populacional. 
  • A exigência de divulgação detalhada dos valores em portais de transparência, comparando o cachê pago com a média de mercado do artista. 
  • A obrigação de que uma fatia do orçamento para eventos deve ser obrigatoriamente destinada à contratação de artistas locais. 
  • E a proibição da contratação de shows luxuosos em municípios que tenham decretado estado de calamidade pública ou que estejam com atrasos em salários de servidores e serviços essenciais. 

DN

Delegado e três policiais civis são investigados por crimes em Maracanaú

 Foto de apoio ilustrativo (fachada da CGD).CDG instaurou processo administrativo para apurar policiais

Um delegado e quatro policiais civis são investigados por uma série de crimes cometidos no município de Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD) instaurou um processo administrativo para apurar a conduta dos agentes.

A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE), nessa quinta-feira, 29. O processo é contra o delegado Paulo André Maia Cavalcante e os policiais civis Antônio da Silva Moraes, Ayslan Rielle Gonzaga Nunes e Ângelo Sampaio Pessoa.

Eles são acusados de crimes entre usurpação de função pública, violação de domicílio, tortura psicológica voltada para obtenção de confissão, corrupção passiva, coação no curso do processo e associação criminosa.

Confira cada crime que os agentes foram denunciados:

Paulo André Maia Cavalcante
- Usurpação de função pública
Antônio da Silva Moraes
- Violação de domicílio
- Tortura psicológica voltada para obtenção de confissão
- Corrupção passiva
- Coação no curso do processo
Ayslan Rielle Gonzaga Nunes
- Violação de domicílio
- Associação criminosa
Ângelo Sampaio Pessoa
- Violação de domicílio
- Tortura psicológica voltada para obtenção de confissão
- Associação criminosa

De acordo com o órgão, o procedimento busca apurar as infrações disciplinares no âmbito da Polícia Civil. Para a condução do processo, foi designada a 1ª Comissão Civil Permanente, composta pelos delegados de Polícia Civil. A comissão será responsável pela instrução regular do processo.

O Povo

Aos 8 anos, cearense superdotado é premiado em olimpíada internacional

 

 Augusto de Paula Bezerra alcançou a medalha de bronze na olimpíada Copernicus Global Round 2026
Augusto de Paula Bezerra alcançou a medalha de bronze na olimpíada Copernicus Global Round 2026

A medalha de bronze na olimpíada Copernicus Global Round 2026, recebida no último domingo, 25, representou mais um passo na trajetória do cearense Augusto de Paula Bezerra. Aos 8 anos, sua participação internacional em Houston (Texas), nos Estados Unidos, recebeu apoio do Governo do Ceará.

A rodada global da competição de ciências aconteceu após seleção nacional. Ainda com sete anos, Augusto foi classificado durante a primeira prova da Copernicus, realizada em setembro de 2025.

Ao relembrar os primeiros anos do filho, Vaneuda de Paula relata que Augusto já demonstrava “habilidades acima da média” desde bebê. Com um ano e oito meses, já sabia o alfabeto completo e, aos dois anos, iniciou o processo de leitura.

“No infantil quatro, a leitura dele estava extremamente avançada, nível de criança do quarto ano. Isso foi sinalizado pela professora, logo no início do ano, e foi nesse momento que ele realmente demonstrou uma recusa escolar, onde se negava a ficar na sala de aula, pois ele sabia o que estava sendo ensinado, e isso lhe causava um grande sofrimento”, descreve.

Nas escolas em Fortaleza, a mãe explica que Augusto enfrentou grandes desafios, incluindo violência escolar. A decisão da família foi morar em um sítio no município de Baturité, a 85,05 km da Capital, para proporcionar ao filho mais qualidade de vida.

“Na busca de crianças semelhantes a ele, como forma de pertencimento, o matriculei em um clube de olimpíadas voltado para o ensino fundamental. No clube, a gente começou a entrar nesse mundo e ele realizou várias olimpíadas nacionais e internacionais”, explica Vaneuda. “No total foram 20 olimpíadas, onde ele medalhou em 16”.

Uma área que sempre chamou a atenção de Augusto foram as Ciências: compreender o funcionamento do mundo e como as coisas são feitas. A predileção veio a partir de livros de ciências e vídeos voltados à temática, englobando astronomia, física, química e biologia.

Aos 8 anos, cearense é premiado em olimpíada internacional: vivências na competição

Augusto de Paula Bezerra participou da rodada global da competição de ciências após seleção nacional
Augusto de Paula Bezerra participou da rodada global da competição de ciências após seleção nacional Crédito: Reprodução/Arquivo Pessoal

A história do cearense, que estuda na rede municipal de ensino de Baturité, foi apoiada pelo Governo do Estado e pelo próprio município, com a cobertura de passagens, inscrições, ajuda de custo, hospedagem e traslado.

“As olimpíadas representaram pro Augusto pertencimento. O importante não são as medalhas, mas a vivência, fortalecendo a autoestima que uma criança com altas habilidades perde por ser diferente”, diz a mãe.

No ambiente escolar, Vaneuda aponta um cotidiano de dificuldades, além da recusa de adaptações das instituições de ensino: “O sistema muitas vezes é engessado, eles se vêem à margem e isso causa muito sofrimento, pois são apenas crianças que sentem o mundo com muita intensidade”.

É no universo das olimpíadas que vê o filho e outras crianças receberem o acolhimento e o estímulo que necessitam. Como Augusto é fluente em inglês, o processo de comunicação com as outras delegações também foi facilitado, permitindo trocas de presentes entre as crianças.

“Foi muito legal, porque as crianças iam explicar a lembrança que traziam do seu país e o Augusto também pôde explicar o que a gente levou para as outras crianças, então houve essa troca e isso foi um dos pontos altos na olimpíada”, destaca.

A organização do evento também proporcionou passeios científicos, voltados à temática da olimpíada. Em uma das visitas, feita à Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa), viram de perto o foguete Saturno V e uma réplica do ônibus espacial.

O Povo

Fortaleza inaugura Centro de Hemodiálise na Santa Casa

 Santa Casa de Misericórdia, em Fortaleza, Ceará

A Prefeitura de Fortaleza, em parceria com o Governo do Estado, inaugurou neste sábado, 31, o Centro de Hemodiálise da Santa Casa de Fortaleza.

A solenidade contou com a presença do prefeito Evandro Leitão e do governador Elmano de Freitas.

Com a entrega do equipamento, o hospital passa a oferecer o primeiro serviço próprio de hemodiálise da rede municipal, com capacidade para realizar cerca de duas mil sessões por mês e atender, simultaneamente, até 20 pacientes.

O atendimento será totalmente gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Paciente da Santa Casa desde 2021, Cleyson Fabrício, de 29 anos, destaca a melhoria nas condições do tratamento em relação à clínica anterior.

"Aqui, o espaço melhorou cem por cento, tanto em relação às máquinas quanto aos funcionários e aos medicamentos", relata.

A unidade conta com uma equipe multiprofissional formada por médicos nefrologistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, assistente social, psicólogo, nutricionistas e equipes administrativas. (Colaborou George de Sousa)

O Povo

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