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Um levantamento feito pelo g1
com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostra que
Baixio não registrou mortes violentas entre os anos de 2015 e 2025. Esse
período pode ser maior, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública
do Ceará (SSPDS). Conforme a pasta, o último crime violento na cidade
ocorreu em 21/10/2010.
No
Ceará, a média é de 32,6 mortes violentas para 100 mil habitantes -
mais que o dobro da taxa do Brasil, que é de 15,97%. Ao todo, foram
registrados 3.022 assassinatos no Ceará em 2025, dos quais 96,9%
correspondem a homicídios dolosos — quando há intenção de matar. Em todo
o país foram 34.086 mortes violentas e a taxa nacional por 100 mil
habitantes é de 15,97.
Baixio fica a cerca de 415 quilômetros de Fortaleza, é a terceira menos populosa do estado:
tem 5.821 habitantes, de acordo com dados de 2025 do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fica atrás apenas de Granjeiro e São João do Jaguaribe. Ela faz divisa com o estado da Paraíba e as cidades cearenses de Umari, Ipaumirim e Lavras da Mangabeira.
A principal atividade econômica da cidade é a agricultura e lá não tem delegacia. Três agentes da Polícia Militar fazem revezamento para monitorar a cidade 24 horas.
"Desde
a minha infância nunca tive privação em relação à brincadeira na rua.
Sempre foi tranquilo, sempre fui livre. Aqui na cidade tem uma cultura
forte em relação ao esporte, principalmente futebol e corrida", diz João
Pedro, estudante de 20 anos.
"Você
anda tranquilo, não tem o risco de ser abordado por um assaltante. Aqui
na minha rua mesmo, a vizinhança costuma ficar sentada até 23h. As
crianças brincam tranquilamente", diz Ana Meyrice, agente administrativa
de 44 anos.
🤔 Mas como é possível uma cidade manter-se por tanto tempo sem registrar assassinatos? De acordo com a Prefeitura, os resultados positivos estão relacionados a um conjunto de fatores, como:
- Trabalho integrado entre as políticas públicas;
- Ações de prevenção à violência doméstica;
- Fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários;
- Parceria com outras áreas e instituições.
Harley Filho, da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do
Estado do Ceará (SSPDS), explica que o investimento em profissionais e
tecnologia e a integração entre a polícia cearense e a paraibana também
ajudam a manter os índices positivos.
Especialistas consultados pelo g1
apontam que investimentos em políticas de educação, saúde, esporte,
lazer e cultura contribuem para a redução da violência. Ainda assim, o
município não está isento da chegada das facções criminosas e das drogas
(entenda mais abaixo).
Três pontos para entender números
O coordenador da Coordenadoria Integrada e Planejamento Operacional
(Copol) da Secretaria da Segurança Pública do Ceará, Harley Filho,
explica que a 'receita de sucesso' está em três elementos principais: a
população pequena de Baixio, que fortalece a ideia de que 'todo mundo se
conhece', o investimento em segurança pública e o trabalho integrado
com a polícia da Paraíba.
"Baixio, Umari e Ipaumirim são oriundos do município de Lavras da
Mangabeira. Ao longo dos anos 40/60, eles foram se emancipando. Uma
expressão utilizada pelo comandante local [para se referir às três
cidades] é 'Três Marias', porque costuma ser muito tranquilo", revela
Harley.
De acordo com o representante da SSPDS, a baixa taxa populacional de
Baixio facilita a comunicação entre os moradores e os policiais da
cidade, fortalecendo um vínculo de confiança.
"Se chega alguém de fora, por exemplo, ligeiramente chama a atenção.
Foi o que aconteceu em Umari, onde teve uma intervenção recente. Duas
pessoas oriundas da Paraíba, da facção Okaida, estiveram no município e a
população já identificou como gente de fora. Em Baixio, não é
diferente: toda e qualquer pessoa estranha já gera essa dúvida e o
pessoal faz essa comunicação imediata com os policiais".
Baixio conta, atualmente, com um destacamento da Polícia Militar, uma
viatura e três policiais que atuam 24 horas. Para Harley, a equipe é
suficiente, embora os agentes possam contar também com a polícia das
cidades vizinhas e com apoio de uma base do RAIO instalada em Ipaumirim.
Eles também estão em constante contato com profissionais da Paraíba.
"Todo mundo se conhece, todo mundo respeita e confia na Polícia
Militar. Qualquer dúvida, entram em contato até mesmo no telefone
particular do policial. Para se ter uma ideia, o sentimento de união é
tão grande que nesse dia da intervenção em Umari, os policiais de folga
[de Baixio] tomaram conhecimento, colocaram colete e foram para a
ocorrência [dar apoio]", exemplifica Harley Filho.
Outra estratégia revelada pela SSPDS é o trabalho preventivo realizado
nas escolas do município. Frequentemente, agentes da Polícia Militar vão
às salas de aula trabalhar o Programa Educacional de Resistência às
Drogas e à Violência (PROERD). Harley afirma que não há registros de
atuação de grupos criminosos em Baixio e policiais não identificaram,
até agora, locais de comercialização de drogas.
Ainda conforme o coordenador, a cidade tem apenas dois mandados de
prisão em aberto: um por estupro de 2012, e outro de 2017, por roubo. Os
suspeitos ainda não foram presos. A SSPDS não soube informar quanto foi
investido nos últimos cinco anos na cidade na área da segurança, mas
acredita que o trabalho de inteligência realizado em todo o Ceará
influencia na ausência de crimes em Baixio.
"A população meio que se acostumou a viver em plena tranquilidade.
Obviamente deve ter pequenos furtos de galinhas, outros animais, alguma
coisa de desentendimento [entre vizinhos]. Mas nada que vá afetar
realmente essa tranquilidade no município", reforça.
Para Harley, a cidade é um exemplo a ser replicado no estado do Ceará,
embora cidades mais populosas sejam grandes desafios. No estado, as
cidades de Fortaleza, Caucaia, Maracanaú, Sobrale Maranguape foram os
municípios com mais mortes violentas em 2025.
A Grande Fortaleza concentrou 1.645 homicídios em 2025, o que
representa aproximadamente 54% de todas as mortes violentas registradas
no Ceará. A capital lidera o ranking estadual, com 742 homicídios,
seguida por Caucaia e Maracanaú.
Acho que o que está dando certo a gente não altera. Baixio tem um
trabalho de prevenção muito forte e a quantidade de policiais está sendo
suficiente para a quantidade de população (...) É um case de sucesso,
mas não podemos deixar de apontar que temos 13 municípios sem o registro
de CVLIs há mais de dois anos. São casos que realmente merecem a
atenção do Estado para saber o porquê do sucesso e nós tentarmos ampliar
as boas práticas em outros municípios.
Municípios sem registro de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) no Ceará
| Cidade | Data do último crime violento |
| Baixio | 21/10/2010 |
| Granjeiro | 15/04/2020 |
| Umari | 07/04/2023 |
| Ereré | 12/07/2023 |
| Alcântaras | 24/12/2023 |
| Guaramiranga | 14/04/2024 |
| Palhano | 18/05/2024 |
| Ipaumirim | 20/07/2024 |
| Hidrolândia | 24/07/2024 |
| Penaforte | 01/08/2024 |
| Moraújo | 06/09/2024 |
| Caririaçu | 08/09/2024 |
| Antonina do Norte | 21/09/2024 |
| Abaiara | 09/12/2024 |
Trabalho entre setrores no município fortalece segurança
Cidade de Baixio é a terceira menos populosa do Ceará. — Foto: Divulgação e Cícero Coutinho
Ivana Ferreira Farias , titular da Secretaria de Assistência Social de
Baixio, corrobora com os pontos apontados pelo delegado. Para ela, os
bons índices de segurança do município são atribuídos ao 'trabalho intersetorial' em que a família e a comunidade são o centro de tudo.
"É um conjunto de fatores, é claro: o trabalho integrado entre as
políticas públicas, a atuação em rede, ações de prevenção e,
principalmente, o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
A gente tem uma parceria muito bacana, tanto com a Saúde, como com o
Conselho Tutelar, a Educação também, e Cultura", pontua.
Eum ano em que o Ceará teve 47 feminicídios, Baixio não é responsável por nenhum deles.
➡️ Há 10 anos, a cidade cearense não registra nenhum caso do crime que já vitimou 281 mulheres entre 2018 e 2025 no estado.
De acordo com Ivana, um dos fatores que contribuem para que mulheres
não sejam assassinadas é o acompanhamento preventivo que a secretaria
faz com as famílias de Baixio, especialmente as mais vulneráveis.
Nas visitas, temas como violência doméstica, uso de drogas, gravidez na adolescência,
entre outros, são trabalhados. A pasta também faz um trabalho em
conjunto com a polícia, a fim de identificar mulheres vítimas de
agressão física ou de qualquer outro tipo de violência:
"A
gente entra na casa das famílias fazendo esse acompanhamento não só com
a vítima, mas com o violador. Temos que trabalhar não só com as
mulheres (...) Em 2025 começamos a investir na parentalidade. A gente
quis trazer o público masculino para trabalhar a afetividade e não jogar
a responsabilidade só para a mulher. Hoje ainda temos essa ideia de que
educar e criar é papel da mulher. Mas o homem também tem esse papel
fundamental dentro da família (...) Ano passado também fizemos um
trabalho muito bacana com as crianças, porque às vezes elas crescem
reproduzindo comportamentos que não são delas, mas que viram no pai",
exemplifica Ivana.
Conforme a secretária, a violência patrimonial
é a mais identificada entre mulheres acompanhadas na cidade. Em 2025,
foram seis casos acompanhados. Ela é definida pelo Instituto Maria da
Penha (IMP) como "qualquer conduta que configure retenção, subtração,
destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho,
documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos,
incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades".
"A gente faz esse trabalho voltado [para conscientização sobre
violência doméstica] durante todo o ano, mas intensifica no mês de
agosto, quando tem a campanha Agosto Lilás. Estamos sempre mostrando às
famílias aqui no município que a violência não é só bater, não é só o ato físico; é também a patrimonial, a psicológica", pontua Ivana.
O trabalho com crianças e adolescentes é outra frente da gestão da cidade. Segundo Ivana, o ideal é manter esses públicos conectados com os esportes e as artes.
O futebol, o vôlei, a pintura e a corrida são atividades que fazem
parte do dia a dia dos baixienses, afirma a titular da pasta de
Assistência Social.
"A gente tenta ocupar eles o máximo possível para que eles não fiquem
vulneráveis a entrar no mundo das drogas, a praticar algum tipo de
violência. Por mais que seja um município pequeno e que a gente se
orgulhe [do fato de] ele não estar dentro desses dados [de mortes
violentas], aqui existe sim violência, existem as drogas, infelizmente".
Com quase 6 mil habitantes, Baixio tem um clima tropical quente
semiárido, caracterizado por temperaturas mais altas durante boa parte
do ano ano e chuvas irregulares. — Foto: Divulgação/Prefeitura de Baixio
Para isso, a prefeitura conta com o Serviço de Convivência e
Fortalecimento de Vínculos (SCFV), um projeto do Centro de Referência de
Assistência Social (Cras) do município. Através dessa política, a
gestão oferta atividades esportivas, rodas de conversa, momentos de
lazer e ações educativas para o público jovem de Baixio, "prevenindo
situações de vulnerabilidade e risco social".
A cidade conta, atualmente, com cinco escolas municipais, uma estadual e uma particular. Segundo o IBGE, em 2022 a taxa de escolarização de 6 a 14 anos de idade no município era de 98,68%. Conheça detalhes:
Indicadores educacionais de Baixio de 2022 a 2024
| Indicador | Valor |
| Taxa de escolarização de 6 a 14 anos de idade [2022] | 98,68 % |
| IDEB – Anos iniciais do ensino fundamental (Rede pública) [2023] | 6,1 |
| IDEB – Anos finais do ensino fundamental (Rede pública) [2023] | 4,5 |
| Matrículas no ensino fundamental [2024] | 654 matrículas |
| Matrículas no ensino médio [2024] | 222 matrículas |
| Docentes no ensino fundamental [2024] | 61 docentes |
| Docentes no ensino médio [2024] | 20 docentes |
| Número de estabelecimentos de ensino fundamental [2024] | 5 escolas |
| Número de estabelecimentos de ensino médio [2024] | 1 escola |
'Não tem o risco de ser abordado por um assaltante': como é morar na cidade
João Pedro Ramalho, de 20 anos, nasceu em uma maternidade na Paraíba,
mas mora em Baixio desde o primeiro dia de vida. Com esforço, ele
consegue lembrar da última vez em que um crime mais grave assustou a
cidade: Em 2017, um grupo criminoso atacou um caixa eletrônico do Banco do Brasil, mas não levou dinheiro algum.
O único ponto negativo da cidade para João é a falta de oportunidades de emprego na sua área. Por isso, o jovem planeja se mudar após a formatura, um caminho seguido também por colegas seus:
"Eu acho que a grande maioria, depois que se forma, infelizmente busca
outro lugar para viver. Aqui, por ser uma cidade de porte pequeno, para
uma pessoa que tem nível superior, não é tão legal".
Ana Meyrice, no centro da foto, com sua família. A agente
administrativa tem 44 anos - todos vividos na cidade de Baixio. — Foto:
Arquivo pessoal
Diferentemente de João, a agente administrativa Ana Meyrice, de 44
anos, nunca pensou em mudar de Baixio. Ela celebra os baixos índices de
violência no município, apesar de reconhecer que vez ou outra surge um
caso que tira a paz da cidade.
"Há muitos anos, lembro que teve um caso de tentativa de feminicídio.
Um esposo tentou contra a vida da esposa, mas ela não morreu. Isso
chocou bastante a cidade. Foi na zona rural", relembra. Mesmo assim, ela
se sente segura na cidade.
"Eu
que sou mulher, já houve necessidade de ir no hospital à noite,
sozinha. E você abre seu portão, tira a sua moto, vai no hospital,
recebe um atendimento, volta pra casa. Então, eu me sinto bem em saber
que Baixio é uma cidade que trabalha essa prevenção e traz
esclarecimentos [sobre o assunto]".
Ana tem três filhos: uma jovem de 23 anos, um adolescente de 13 e o
menor, de quatro anos. Segundo a mãe, todos cresceram brincando na rua e
nas pracinhas da cidade.
A moradora define Baixio como uma 'grande família'. A ideia de que todo mundo se conhece aumenta a sensação de segurança, assim como a rede de assistência social citada e o fortalecimento do laço comunitário. Esse tripé faz da cidade uma solitária - mas intrigante - 'ilha de paz' em meio a um cenário de incertezas:
"Às
vezes, quando você está em uma roda de conversa, termina descobrindo
que fulano é parente do outro. Baixio é tranquilo mesmo. A gente até
comenta o quanto ainda é bom viver aqui. Falo 'ainda' porque o futuro a
Deus pertence, não é? A gente não sabe como vai ser daqui uns anos. Mas
hoje morar aqui é tranquilo. Você anda tranquilo, não tem o risco de ser abordado por um ltante", comenta.
Infográfico - Conheça Baixio, cidade do Ceará sem registro de assassinatos há mais de dez anos.
Relembre: Operação da polícia cumpre mandados de prisão contra facção criminosa em Baixio e Ipaumirim.
Longe de ser um paraíso sem crimes, Baixio também vive seus problemas. Em 2025, o município registrou três tentativas de homicídio e uma morte no trânsito. Lá
também houve, ainda no ano passado, buscas da Polícia Federal durante
operação contra fraudes em licitações e desvio de emendas.
Ao todo, a PF cumpriu 15 mandados autorizados pelo ministro Gilmar
Mendes, do STF. As ações ocorreram - além de Baixio - nas cidades de
Fortaleza, Nova Russas, Eusébio e Canindé.
A presença de facções criminosas na cidade também preocupa a população. Em junho de 2024, uma operação da Polícia Civil cumpriu 46 mandados judiciais, sendo 22 prisões preventivas e 24 buscas e apreensões no município pacato e em Ipaumirim, cidade vizinha.
A operação
investigava uma facção criminosa de origem paraibana que atua no
tráfico de drogas, homicídios, delitos patrimoniais, dentre outros,
no interior do Ceará e Paraíba. Conforme a polícia disse à época, a
investigação descobriu que a o grupo criminoso tentava se instalar no
estado do Ceará.
"Nosso
trabalho de investigação descobriu que existiam pessoas da facção
dentro de presídios em contato com outras pessoas planejando expandir a
facção primeiramente para a cidade de Ipaumirim no Ceará. Foram
apreendidos armas e drogas", explicou o diretor do Departamento de
Polícia Judiciária do Interior Sul, Pedro Viana.
A expansão de grupos criminosos paraibanos para outros estados
brasileiros não é novidade. O tema é trabalho central do pesquisador
Eduardo Jorge Porto, que em 2025 defendeu a monografia 'Evolução das
organizações criminosas na Paraíba'.
Segundo ele, um dos grupos que se originou na PB e está presente em
outros três estados do Nordeste - Ceará, Pernambuco e Rio Grande do
Norte - é a 'Nova Okaida':
A Okaida se compara a outras facções criminosas do Nordeste em termos
de estrutura organizacional, alianças e estratégias de expansão. No
entanto, cada facção possui suas especificidades, influenciadas pelo
contexto local, pela história da criminalidade na região e pelas
dinâmicas de poder em cada estado. Algumas facções se destacam pelo
controle do tráfico de drogas, outras pela violência extrema e outras
pela sofisticação na lavagem de dinheiro, por exemplo
— Eduardo Jorge Porto Carneiro Sobrinho.
O sociólogo e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) César
Barreira, que também coordena o Laboratório de Estudos da Violência
(LEV), concorda com o estudo de Eduardo. Segundo César, pesquisas do LEV
têm observado a chegada desse grupo criminoso no Ceará.
Ele ainda pontua que é preciso analisar com cuidado os dados sobre a
ausência de mortes violentas na cidade de Baixio. Isso porque, de acordo
com pesquisador, "os dados não dizem tudo". "É muito mais interessante a
gente ver porque aquilo ocorreu e o que impulsionou [essa ausência de
dados]. Todos nós torcemos para que as coisas diminuam, para que a gente
tenha uma sensação de segurança melhor", diz César.
O especialista explica que a chegada de facções no Ceará tem ocorrido,
principalmente, por pequenas cidades, e não mais por grandes centros. E
uma aparente sensação de "tranquilidade" nessas regiões pode esconder um
problema maior, conforme César: quando um território tem a atuação de apenas uma facção, é provável que os conflitos e mortes sejam menores. "Na
hora que chega outra facção é que, provavelmente, começa a haver
disputa e homicídios", revela o pesquisador. Ele complementa:
"Isso
é um procedimento normal das facções, que não é de hoje. Eles não
chegam aqui em Fortaleza, eles chegam em outras cidades. Isso é no
Brasil todo. Estou lembrando do Pará, que é a mesma história. [As
facções] não entram por Belém, entram por outras cidades. E é assim em
outros estados também", exemplifica.
A prefeitura de Baixio nega que alguma facção tenha se consolidado na
cidade, embora reconheça a presença de poucos 'suspeitos que podem ser
faccionados'.
Cidade pacata e com forte tradição religiosa ⛪
🚃 Município autônomo desde outubro de 1956, Baixio foi construído na
região onde antes habitavam indígenas da etnia Kariri. A história da
cidade está completamente entrelaçada à chegada da estrada de ferro na
região, em 1922.
Na época, Baixio ainda não tinha esse nome e era apenas uma fazenda
localizada na cidade de Umari - hoje município vizinho desmembrado da
cidade de Lavras da Mangabeira. Com a construção do ramal da estrada de
ferro da Rede de Viação Cearense (RVC), que ligou o Ceará à Paraíba, o
território tornou-se o mais populoso da região inteira.
Com forte tradição religiosa, um dos meses mais visitados da cidade é
setembro, quando acontece a festa do padroeiro da cidade, São Francisco.
O Carnaval e as festas juninas também rendem atenção, além da vaquejada
que atrai público jovem de cidades vizinhas. Por fazer divisa com a
Paraíba, moradores de Baixio acabam utilizando alguns serviços do estado
vizinho, como faculdades e hospitais.
Religiões mais praticadas em Baixio
| Religião | Pessoas |
| Católica apostólica romana | 4.338 |
| Evangélicas | 614 |
| Outras religiosidades | 98 |
| Sem religião | 10 |
Cidade é ponto fora da curva do Ceará. O estado registrou mais de 3 mil
mortes violentas em 2025, liderando ranking por 100 mil habitantes.
De acordo com o IBGE, a religião mais praticada da cidade é a católica
apostólica romana, com 4.338 pessoas adeptos.
Um dos principais pontos turísticos da cidade é a imagem de São
Francisco esculpida perto de cachoeira. — Foto: Imagens cedidas por
Cicero Coutinho, Luiz Felipe e João Pedro Ramalho.
G1