Com o comando da federação União Progressista, Ciro participou de um jantar
viabilizado pelo deputado federal Danilo Forte (União) na última
terça-feira (3), ao lado do presidente do PP, Ciro Nogueira, do
presidente do União Brasil no Ceará, Capitão Wagner (União), além de
Roberto Cláudio (União) e ACM Neto. A pauta do encontro foi o cenário
político, principalmente do Ceará, conforme sinalizou Ciro ao PontoPoder.
“Sobre candidaturas, a gente, não só eu, tem uma certa perplexidade,
porque eles não consideram ainda fechado o quadro de alternativas, como
de fato não está fechado. Então, não falamos de nada a não ser sobre o
Ceará. E aqui, no Ceará, voltei com a esperança renovada de que eles vão
nos ajudar”
Já no momento com ACM Neto, Ciro Gomes participou do evento “S.O.S
Bahia”, em Irecê-BA, como palestrante, ao lado do ex-prefeito de
Salvador. O objetivo foi discutir políticas públicas voltadas ao
semiárido baiano.
As agendas ocorreram dias antes dos eventos de Ciro em Juazeiro do
Norte, no último sábado (7). Na ocasião, o ex-ministro recebeu a Comenda
do Mérito Legislativo da Câmara Municipal e liderou o 1º Encontro Regional da Oposição no Cariri.
Ao ser questionado pelo PontoPoder no evento de Juazeiro, Ciro Gomes comentou a ofensiva da oposição no Nordeste, que deve receber o apoio do ex-ministro.
“Não sei o Nordeste como um todo, mas, na Bahia, com certeza nós
estamos numa mesma situação e vamos trabalhar juntos”, pontuou Ciro. “Eu
estive lá, participei de vários encontros", acrescentou.
O caso da Bahia tem destaque pela semelhança com o Ceará: os dois estados registram o avanço do campo opositor
e a sinalização da participação direta de Rui Costa (PT) e Camilo
Santana (PT) — ministros do Governo Lula (PT) e ex-governadores — na
campanha eleitoral pela manutenção dos respectivos aliados no Governo,
Jerônimo Rodrigues (PT) e Elmano de Freitas (PT).
UNIÃO E A OPOSIÇÃO
A União Progressista vive um cenário de divisão interna no Ceará, em
meio ao processo de formalização do arranjo partidário junto à Justiça
Eleitoral. Enquanto uma ala é formada por opositores declarados, outro
campo é aliado ao Governo Elmano, representado pelos deputados federais
Fernanda Pessoa (União), Moses Rodrigues (União) e AJ Albuquerque (PP) —
a parte governista tem defendido que a posição da federação ainda não
está fechada.
Membro da oposição, o deputado federal Danilo Forte comentou a
relação entre Ciro e os dirigentes do União Brasil, reforçando a
expectativa por apoio mútuo. A declaração foi dada em entrevista durante
a agenda de Ciro em Juazeiro, no sábado.
“É o fato da gente estar aqui, o fato desse evento que aconteceu lá
em Brasília, o fato do Ciro ontem lá na Bahia, ao lado do deputado
Antônio Carlos Magalhães Neto (ACM Neto), que é uma das maiores
lideranças do partido, toda a relação política que foi construída desde
2002 entre a família do deputado Magalhães e Ciro Gomes; tudo isso traz
consigo uma força muito grande. E o que foi dito na minha casa foi que
marcharemos juntos, e aí precisa criar as condições para formalizar esse
processo”
Também durante entrevista em Juazeiro do Norte, Capitão Wagner
sinalizou o teor das articulações durante o jantar com o Rueda. “Na
conversa ficou muito claro a posição da federação aqui, no estado do
Ceará, de apoiamento à pré-candidatura do Ciro, e logicamente o compromisso do Ciro com a federação é o fortalecimento da bancada de deputados federais, colocando nomes que vão disputar o cargo de deputado federal aqui no União Brasil e no PP”
Ao mesmo tempo, Roberto Cláudio enfatizou que os dirigentes da
federação mostram o desejo de compor a oposição em uma frente liderada
pelo Ciro. “A gente tem ouvido isso repetidas vezes e, claro, tem
tratado isso com delicadeza, porque há outros membros do partido que
pensam diferente, que a gente tem que conviver de forma harmoniosa”,
evidenciou.
‘PALANQUE MÚLTIPLO’
Por outro lado, Ciro Gomes evitou cravar posição quanto à situação
nacional. Durante o discurso no Encontro da Oposição, o ex-ministro
criticou que, em meio à disputa polarizada entre Lula e Bolsonaro, os
problemas do Ceará correm o risco de ficarem em segundo plano.
"Aí a gente entra pelo cano, mas entra redondo pelo cano. Nós temos
que trazer essa eleição para cá, para o chão do Ceará. Vota em quem
quiser, vota no presidente A, no presidente B. Esse sistema brasileiro
apodreceu, 63 milhões de reais de emenda, judiciário corrompido, ou pelo
menos parte importante, eu perdi completamente a crença nisso daí,
enquanto isso não mudar por dentro profundamente. Mas aqui a gente dá
jeito”
Já em entrevista coletiva, ao ser questionado pelo PontoPoder
se havia “liberado” o voto para presidente, Ciro negou. "O que eu estou
dizendo é que o nosso movimento vai dar centralidade à questão local do
Ceará", rebateu.
“Eu mesmo tenho uma simpatia pelo Aldo
(Rebelo — pré-candidato à presidência pelo DC), que é um amigo de 30
anos e o palanque é múltiplo. Se o PL vier, tem lá o candidato dele, se o
União Brasil tiver outro candidato, infelizmente, é da vida
brasileira”, finalizou Ciro.
(Diário do Nordeste)