
A partir do próximo dia 24 de abril, mais de 1,4 milhão de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Ceará começam a receber a antecipação do 13º salário.
A expectativa do Ministério da Previdência Social é de uma injeção de R$ 2,6 bilhões na economia do Estado. O pagamento da primeira parcela antecipada do 13º vai até 8 de maio, enquanto a segunda metade será paga entre 25 de maio a 8 de junho.
O calendário considera o número final do cartão de benefício — sem
contar o último dígito verificador, que aparece depois do traço — e a
renda do beneficiário.
Segundo o cronograma, quem ganha apenas o salário mínimo começa a receber antes de quem recebe acima do piso nacional.
Veja, na tabela abaixo, o calendário para o pagamento das duas parcelas.
Cearenses devem usar o dinheiro para pagar dívidas
Para o economista Pedro Rafael Lopes Fernandes, conselheiro do
Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), os beneficiários
devem direcionar parte desse recurso para o pagamento de dívidas, além do consumo imediato, considerando o elevado nível de endividamento das famílias.
Dados de fevereiro do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil, da Serasa, apontam que 51,71% da população adulta do Ceará estava inadimplente naquele mês, indicando um cenário amplo de endividamento no Estado.
Quais itens de consumo devem ser os mais buscados?
Para o economista, uma vez que parte dos aposentados e pensionistas
brasileiros, principalmente no Nordeste, estão enquadrados nas faixas mais baixas de renda, o pagamento de dívidas, para essas pessoas, é “um meio de destravar o consumo”.
Ele aponta que, historicamente, os setores de serviços e de bens de consumo
de vestuário e do segmento linha branca — utensílios domésticos de
grande porte ligados a limpeza, conservação e preparo de alimentos — são
os mais beneficiados por esse tipo de injeção de recursos na economia.
“A razão é simples: dada a estagnação da renda brasileira em níveis
baixos, itens da linha branca como geladeiras, máquinas de lavar e
fogões, apesar de básicos, ainda são itens relativamente difíceis de
adquirir para o brasileiro médio. Então, historicamente, o décimo
terceiro é utilizado para a realização dessa demanda ainda muito
reprimida”, avalia.
Apesar do estímulo ao consumo no curto prazo, o economista destaca que a antecipação do 13º tem um alto custo financeiro para o governo, sem que o benefício econômico seja perceptível.
Isso porque, por se tratar de uma antecipação, e não de um aumento de
renda, o impacto econômico proporcionado pela transformação desse
recurso em consumo apenas se desloca no tempo, sem efeito na economia ao se considerar o ciclo anual como um todo.
“São bilhões de reais adiantados que poderiam ser aplicados e
remunerados até 20 de dezembro, que é a data limite para o pagamento”,
pondera o economista.
Quem tem direito ao 13º do INSS
Em todo o Brasil, cerca de 35,2 milhões de pessoas terão direito ao 13º, com uma transferência total de R$ 78,2 bilhões.
Segundo o decreto nº 12.884/2026, publicado em edição extra do Diário
Oficial da União (DOU) no dia 19 de março, tem direito ao pagamento do
abono anual quem recebeu, ao longo de 2026:
- Auxílio por incapacidade temporária;
- Auxílio-acidente;
- Aposentadoria;
- Pensão por morte;
- Auxílio-reclusão.
Para casos em que o fim do benefício está programado para antes de 31
de dezembro, será pago o valor proporcional do abono anual.
Pessoas contempladas pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC),
pago a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência que
comprovem baixa renda e beneficiários de Renda Mensal Vitalícia não
recebem o 13º salário.
DN