Pães e massas mais caros em setembro

O aumento sucessivo da saca do trigo nas últimas semanas deve refletir nos bolsos dos consumidores cearenses logo no início do próximo mês, segundo a avaliação dos dois presidentes das entidades que representam os industriais de massas e trigo, assim como os da indústria de panificação do Estado. A expectativa anunciada por eles é que o pão carioquinha salte, "pelo menos", 10%, enquanto massas e biscoitos fiquem entre 6% e 10%.

"Nós estamos esperando estabilizar a situação, pois os aumentos da farinha de trigo vêm sendo gradativos há três semanas e ainda devem permanecer acontecendo nas próximas duas", contou o presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Estado do Ceará (Sindipan-CE), Lauro Martins.

Todo o reajuste da saca do trigo, segundo ele, deve somar 45% de alta, o que, na previsão de Lauro, deve resultar em, no mínimo, 10% de reajuste (para mais) no preço do pão carioquinha no Ceará. "E o nosso (aumento), infelizmente, é de uma vez só, pois não dá para esperar ou ter um desgaste de aumento gradual", afirmou. Atualmente, o preço do quilo do pão mais barato, o carioquinha, em Fortaleza, gira entre R$ 5,50 e R$ 10,29 (variação de 87%), de acordo com pesquisa direta feita pela reportagem, ontem.

Justificativa
A justificativa para a subida em cadeia dos produtos deste setor, de acordo com o presidente do Sindipan, é desconhecida. "O trigo usado no Ceará é todo importado e não existe falta de trigo no mercado internacional, além do mais, o dólar está estabilizado", argumentou Martins.

Nos últimos meses, uma seca nos Estados Unidos e na Rússia, maiores abastecedores de trigo no mundo, foram apontadas como principal motivo para o aumento do preço da saca do produto no Brasil e no Ceará.

O mesmo problema é mencionado pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Massas Alimentícias e Biscoitos do Estado do Ceará (Sindmassas-CE) e do Sindicato das Indústrias do Trigo nos Estados do Pará, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte (Sindtrigo), Eugênio Pontes.

Ele reconhece a falta da matéria prima de pães e massas em geral e explica que a falta do produto junto aos produtores faz com que as especulações aumentem no mercado e, assim, prejudica a previsão de quando e a quanto o preço estacione. "O que acontece é que a compra de estoque faz com quê a especulação aumente e isso acaba prejudicando a previsão do preço", afirma. Ambos os representantes ainda revelam estimativas de aumento maior, segundo sentem no mercado.

Massas entre 6% e 10%
O repasse para o consumidor final no que diz respeito às massas e biscoitos, no entanto, tem previsão de ficar entre 6% e 10%, na avaliação do presidente do Sindmassas-CE. Já sobre quando isso vá ocorrer, ele não arrisca uma data, alegando a instabilidade do mercado atualmente.

"Em cerca de 60 e 90 dias, a saca do trigo passou de US$ 240 para US$ 360 e o dólar passou de R$ 1,80 a R$ 2,00", destacou.

R$ 330 mi para trigo
Na noite de ontem, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou a aplicação de R$ 330 milhões "para a realização de leilões públicos de equalização dos preços do trigo com o objetivo de contemplar a Política de Garantia de Preço Mínimo (PGPM) para o produto". A nota ainda afirma que a decisão "foi tomada de forma preventiva para tranquilizar os produtores frente a possíveis oscilações futuras". O secretário de Política Agrícola, Caio Rocha, explica que os leilões só serão realizados caso o preço de mercado fique abaixo do valor mínimo (fixado pelo governo federal). Ele informou que, nos últimos anos, o Rio Grande do Sul foi o mais contemplado.

Diário do Nordeste

Postagens mais visitadas do mês