O Ceará avançou em uma faixa do Índice de Vulnerabilidade Social (IVS)
no período entre 2011 a 2015. Os dados são do relatório lançado pelo
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta quarta-feira (23).
Em 2011, o Estado apresentava IVS de 0,304, indicando nível 'médio'
quanto à condição de fragilidade dos indivíduos diante de riscos
produzidos pelo contexto econômico-social. Já em 2015, houve uma redução de cerca de 6%,
ou seja, passou para 0,286, ficando na categoria 'baixa'. O IVS é
composto pela média aritmética de 16 indicadores divididos em três
dimensões, a saber: Infraestrutura Urbana, Capital Humano e Renda e Trabalho, as quais compõem o cálculo final do IVS com o mesmo peso.
Os valores apresentados pelo Índice variam entre 0 (menor situação de
vulnerabilidade) a 1 (máxima situação de vulnerabilidade) e são
compreendidos como muito baixa vulnerabilidade social (valores entre
0,000 e 0,200), baixa (entre 0,201 e 0,300), média (entre 0,301 e
0,400), alta (0,401 e 0,500) e, por fim, muito alta quando apresentam
valores entre 0,500 e 1.
No Nordeste, o Ceará apresentou o 2º melhor resultado, ficando atrás somente do Piauí,
que apresentou IVS de 0,285. Além disso, somente ambos estados mais a
Bahia avançaram para nível baixo para vulnerabilidade social. Os demais
estados ficaram ou evoluíram para o nível médio.
A pior situação da região foi verificada no Maranhão,
que apresentou IVS 0,353, mesmo obtendo a maior redução percentual. O
estado era o único do NE que, em 2011, estava na falta 'alta' de
vulnerabilidade social.
Macrorregiões
De acordo com o Ipea, a tendência de diminuição da vulnerabilidade se
mantém entre 2011 e 2015, mas alguns pontos merecem destaque. Ao
contrário do observado entre 2000 e 2010, em que a região Sul foi a que
mais melhorou seus dados de vulnerabilidade, quando se analisa os dados
da Pnad entre 2011 e 2015, essa região reduziu apenas em 2% sua
vulnerabilidade, ao passo que o Norte e Sudeste alcançaram redução de
mais de 10%, seguidos do Nordeste (8%) e Centro-Oeste (5%).
Os dados apresentados pela região Sul se devem, sobretudo, à dimensão
Infraestrutura Urbana – que reflete as condições de acesso a serviços de
saneamento básico e de mobilidade urbana. No ano de 2015, percebem-se
dois extremos: enquanto a região Sul teve aumento nessa dimensão em 36%,
a região Nordeste conseguiu diminuir sua vulnerabilidade em 37%.
Segundo Bárbara Marguti, "é possível perceber que as políticas de
redução da desigualdade no Norte e Nordeste parecem ter mais sustentação
nesse período de inflexão que as implementadas no Sul do país".
RMs
Entre as nove Regiões Metropolitanas que tiveram IVS calculado para o
período de 2011 a 2015 – Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza,
Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo –, além da
Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno, o pior desempenho foi a de Recife.
Naquela área de Pernambuco foi registrado crescimento de 16% na
vulnerabilidade social. Junto a São Paulo (2,4%) e Porto Alegre (0,4%),
Fortaleza também teve alta de 3,9% também tiveram piora no IVS. Os
melhores resultados no período de cinco anos foram de Salvador (-15,5%),
Belém (-14,3%) e Belo Horizonte (-10,9).
O que chama atenção é que a Região Metropolitana de Fortaleza, de 2000 a
2010, havia registrado a maior redução de vulnerabilidade no período
anterior, de 28%.
Diário do Nordeste



