Após 13 horas de sessão, o Conselho de
Sentença do Tribunal do Júri da Comarca do Eusébio (Região Metropolitana
de Fortaleza), condenou a 16 anos de prisão o procurador de Justiça
aposentado, Ernandes Lopes Pereira. Ele é acusado de ter assassinado um
delegado da Polícia Civil do Ceará. O crime ocorreu há nove anos. A
defesa do réu recorreu contra a sentença e ele permanecerá em liberdade
até o julgamento do recurso pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).
O crime ocorreu em agosto de 2008. O
procurador foi preso em flagrante logo após disparar um tiro de pistola
na cabeça do delegado Cid Júnior Peixoto do Amaral, que, na época, era o
titular do 19º DP (Conjunto Esperança). Desde então, Ernandes alega que
o crime não foi intencional, que sua pistola disparou acidentalmente e
atingiu o amigo.
O inquérito policial chegou à Justiça 10
dias após o assassinato do delegado e se transformou em um processo que
tramitou com um vai-e-vem de recursos judiciais da defesa e da
acusação. Somente nove anos depois, o procurador sentou no banco dos
réus e seus advogados continuaram sustentando a tese de um disparo
acidental.
Desembargador
Várias testemunhas e informantes foram
ouvidos ontem durante a sessão de julgamento. Uma perita da Pefoce
prestou esclarecimentos, assim como um ex-motorista do acusado do
acusado do crime. No total, seis testemunhas foram ouvidas em plenário
pelo presidente da sessão, juiz de Direito Henrique Botelho Romcy.
Entre eles, o irmão do delegado assassinado, o desembargador Jucid
Peixoto do Amaral.
Logo após ser anunciado o veredito, o
advogado de defesa do procurador, Maurício Pereira, anunciou que iria
recorrer contra a decisão do Júri. Por conta disso, o réu deve
permanecer em liberdade até o julgamento do recurso.
Jornalista Fernando Ribeiro



