Líderes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) defenderam, durante
conferência estadual, neste sábado (21), em Fortaleza, a formação de uma
“frente ampla”, liderada pela esquerda, para as eleições de 2018. O
partido, que não descarta lançar candidato próprio à Presidência da
República, sugeriu que os atuais pretensos candidatos ao cargo, Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PDT) se “sentem numa mesa e
discutam uma solução” para o País, para evitar que a esquerda “sofra uma
derrota”.
O partido aproveitou o encontro para selar apoio à reeleição do
governador Camilo Santana (PT) e lançou o nome da deputada estadual,
Augusta Brito, para a senatória. No entanto, isso ainda será definido
com os demais partidos que se coligarão ao governador, já que há
interesse do PDT de destinar uma vaga ao Senado para Cid Gomes e, caso o
PMDB forme aliança com Camilo, conforme foi publicado por este jornal, o
senador Eunício Oliveira deverá disputar a reeleição no cargo.
Ciente disto, o presidente estadual do PCdoB, Luiz Carlos Paes, disse
que essa definição será “um processo de debate e discussão entre as
forças políticas e a sociedade”. Mas defendeu a candidatura de Augusta
Brito, por ser “uma liderança feminina, jovem e com boa experiência
política”. Ele aposta também na ampliação de representantes da sigla nas
bancadas federal e estadual.
“Pretendemos aumentar mais um deputado estadual, trabalhando uma chapa
mais forte do que a anterior. Pra Câmara, tivemos dois deputados
federais no período anterior ao atual e estamos pensando em lançar
candidatos com condições e, além do Chico Lopes, eleger um outro nome”.
Sobre uma possível aproximação do presidente do Congresso, senador
Eunício Oliveira (PMDB), com o governador Camilo Santana (PT), ambos,
até o momento, adversários políticos e de partidos opositores, Luiz
Carlos disse que esse movimento é “natural”, principalmente, no âmbito
regional, porque não há, ainda, uma cultura partidária no País.
“Um governador como qualquer governador precisa ter relação
institucional com qualquer Poder da República, é preciso ver como isso
vai se desenvolver. O problema que acontece no Brasil, normalmente, é
que as eleições são desvinculadas, a cultura política partidária ela não
levou até hoje a um fortalecimento da instituição do partido”.
Para o secretário de Relações Internacionais do Comitê Central do PCdoB,
José Reinaldo de Carvalho, o partido não deve descartar “nada” do ponto
de vista local, diferente do plano nacional em que o PMDB, na visão
dele, se tornou um partido de direita. Ele defendeu que os partidos de
esquerda se unam e façam frente às candidaturas de direita. Quanto aos
presidenciáveis Lula e Ciro Gomes, ele avalia como bons nomes que devem
dialogar, para evitar uma derrota da esquerda.
“Talvez a questão da frente ampla não se restrinja ao período eleitoral,
talvez vá além. Eu acho que vai ter que chegar um momento em que as
candidaturas da esquerda, concretamente, Ciro, Lula, uma do PCdoB e
eventuais candidaturas, vão ter que se sentar, porque se não vai ficar
fragmentado e a esquerda vai sofrer uma derrota. Seria terrível se nas
eleições de 2018 tivéssemos o segundo turno entre um candidato de
extrema direita ou de centro-direita. O Brasil já está num caminho
ruinoso e a única forma que há pra deter este caminho é eleger um
governo democrático e popular”.
Diário do Nordeste Online


