Recente estudo divulgado nos Estados Unidos, com cerca de 14 mil
crianças filhas de mães que beberam durante a gravidez, traz resultados
assustadores. As crianças de San Diego e outras três cidades americanas
foram acompanhadas durante anos e suas mães entrevistadas. Deste grupo,
somente duas tinham diagnóstico inicial de Síndrome Alcoólica Fetal. No entanto, após a pesquisa, concluiu-se que 222 eram portadoras da SAF.
Os médicos dos Estados Unidos já estão orientando as mães a não ingerir
álcool, seja de qual bebida for, não apenas durante a gestação, mas a
partir do momento em que decidem engravidar.
Não há dose de segura, conforme tem destacado constantemente a Sociedade de Pediatria de São Paulo.
O álcool atravessa a placenta e isso pode gerar transtornos
irreversíveis, dos mais graves a situações como atrasos de
desenvolvimento, de aprendizado, entre outros.
“Bebês com SAF podem ter alterações bastantes características na face,
as chamadas dismorfias faciais. Além disso, em alguns quadros ocorre
baixo peso ao nascer devido à restrição de crescimento intrauterino, e o
comprometimento do sistema nervoso central. Essas características são
altamente sugestivas para o diagnóstico no período neonatal”, comenta
Claudio Barsanti, presidente da SPSP.
No decorrer do desenvolvimento infantil, o dismorfismo
facial atenua-se, o que dificulta o diagnóstico tardio. Permanece o
retardo mental (QI médio varia de 60 a 70), problemas motores, de
aprendizagem (principalmente matemática), memória, fala, transtorno de
déficit de atenção e hiperatividade, entre outros. Adolescentes e
adultos demonstram problemas de saúde mental em 95% dos casos, como
pendências com a lei (60%); comportamento sexual inadequado (52%) e
dificuldades com o emprego (70%).
Características
O conjunto de efeitos decorrentes do consumo de álcool, em qualquer
dosagem ou período da gravidez, é chamado de “espectro de distúrbios
fetais relacionados ao álcool”, que inclui a SAF.
A frequência dessas
implicações varia conforme etnia, genética e até mesmo a quantidade
ingerida. Isso não significa que todos os bebês expostos serão afetados,
mas a probabilidade é alta.
Diário do Nordeste



