Criado a partir da palavra em latim empregada ao gado, vacum,
"vaqueiro", em geral, é o termo empregado para identificar os indivíduos
que trabalham no manejo do gado. No Brasil, o surgimento dessa
profissão se dá a partir da instalação das fazendas no Interior do
Nordeste, no século XVII. No sertão, a figura do vaqueiro adquiriu uma
importância social, do homem viril e valente, que executa suas tarefas
em grandes extensões de terra, sem ter nenhuma morada fixa.
Na Vila Real do Crato, as primeiras fazendas se instalam na beira dos
rios Granjeiro e Batateira, no fim do século XVII, época em que o
vilarejo avança. Agora, o vale do Cariri, de índios e lendas, de
escravos e senhores, ganha um novo personagem com coragem e valentia: o
vaqueiro. Além da identidade cultural criada em volta da figura, ele se
torna um importante mecanismo para economia e integração entre Ceará e
Pernambuco, durante as trocas de gado. Também é este "trabalhador livre"
que inspira os cangaceiros no sertão.
Ao longo dos anos, por herança, o vaqueiro se mantém, mas o trabalho
vai mudando. Se antes costurava seu chapéu e gibão com couro de bode, no
início do século XX estes acessórios são vendidos "Casas de Couro". O
aboio que acompanhava o gado tangido, dá lugar ao ronco da moto, que
hoje cumpre o papel do cavalo. Se por um lado, as vaquejadas inspiram
pelo dinheiro e fama, nas periferias, muitos garotos tentam, mas não
alcançam o sonho de correr profissionalmente.
"É uma profissão sofrida", muitos afirmam, mas que se mantém há quatro
séculos, sempre se renovando pelo sangue. Todas estas gerações e todos
os tipos de vaqueiros, do esportista ao afamado, do trabalhador ao
aspirante, se encontram anualmente na Festa da Santa Cruz Baixa Rasa, em
Crato, na Chapada do Araripe, para celebrar a profissão. É neste
momento que a vaidade ou a nostalgia dão lugar a uma só paixão: a de
viver montado no cavalo.
Diário do Nordeste



