O secretário de articulação política do município de Pacatuba, na
Região Metropolitana de Fortaleza, e outras seis pessoas foram presas
por integrarem uma quadrilha que trabalhava com um esquema de lavagem de
dinheiro, agiotagem e sonegação fiscal. O esquema movimentou cerca de
R$ 23 milhões, segundo a polícia. As prisões foram realizadas na última
sexta-feira (14), mas a divulgação ocorreu na manhã desta quarta-feira
(19) por delegados da Delegacia de Repressão as Ações Criminosas
Organizadas (Draco).
De acordo com a polícia, o responsável por comandar a quadrilha é
Antônio Fábio da Silva Araújo, de 41 anos. Conhecido como “Bim Araújo”,
ele é secretário de articulação política na Prefeitura Municipal de
Pacatuba.
O G1 entrou
em contato com a secretária e com a Prefeitura de Pacatuba, mas, até as
12h40 desta quarta, os órgãos ainda não haviam se pronunciado sobre o
ocorrido.
Segundo a polícia, a função de Bim na prefeitura facilitava as ações
criminosas do grupo. A polícia acredita que a quadrilha tenha cerca de
80 imóveis.
As investigações iniciaram há seis meses. De 2008 a 2016 a evolução
patrimonial de Bim chegou a dois mil por cento no período, de acordo com
o delegado Alisson Gomes.
Parque aquático e carros de luxo
A operação intitulada “Proprietarius” terminou com a apreensão de 51
imóveis e 52 veículos, incluindo dois automóveis de luxo. Ainda segundo
apuração da polícia, cinco contas bancárias foram bloqueadas.
Dentre os imóveis apreendidos estão casas, apartamentos, quitinete,
salas comerciais, terrenos em loteamentos, espaços para eventos, parque
aquático, óticas, concessionária de motos, salão de beleza, igreja
evangélica, autoescola e até um supermercado em construção, nos
municípios de Pacatuba, Maracanaú, Fortaleza, Cascavel, Pindoretama e
Russas. Sessenta e três cadernos também foram apreendidos com toda
movimentação financeira desde 2015.
De acordo com a polícia, nem todos os imóveis estão registrados no nome
de “Bim”, pelo fato dele usar laranjas. Bim utiliza seus perfis nas
redes sociais para negociar os aluguéis desses espaços. O mesmo número
que ele usava para alugar os espaços de entretenimento usava também para
alugar casas e apartamentos e quitinetes. Eles criaram três empresas
que eram usadas para camuflar o dinheiro ilícito.
Uma das empresas era de serviços de cobrar e locação de mão de obra e
era responsável reformas e benfeitorias nos imóveis comprados pelo grupo
criminoso. Outra empresa de venda de equipamentos era utilizada para
fazer cobranças de pagamentos de empréstimos a terceiros e uma outra, no
caso uma imobiliária, servia para administrar todos os imóveis da
organização criminosa. A polícia reforça que nenhum imóvel está no nome
de Bim.
(G1)



