O presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, pediu hoje (29)
cautela nas ações de investigação e punição dos responsáveis pelo
rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG).
“Eu acho que a gente tem que ter cautela nessa hora. Uma coisa é agir
pelos impulsos e pela situação que está ocorrendo, pela quantidade de
gente que perdeu a vida. Tem que apurar as responsabilidades, se houve
realmente imprudência, imperícia, negligência”, disse Mourão na saída da
Vice-Presidência, no anexo do Palácio do Planalto, onde fica seu
gabinete.
“Uma vez apurado, a gente vê o que pode ser feito. Isso o Ministério
Público vai agir. O próprio Ministério Público já tomou algumas atitudes
hoje, não sei se foram as mais corretas, mas foram tomadas”, completou.
Mourão citou a prisão de dois engenheiros suspeitos de fraudar laudos
técnicos da empresa Vale. O presidente em exercício destacou a
relevância das prisões e a importância de existir provas suficientes
para sustentá-las. “Não é que eu não concorde com as prisões. Não tenho
elementos para dizer se estão corretas ou não. Agora, você prender
preventivamente dois engenheiros por 30 dias, tem que ter provas ou
indícios muito fortes de que eles iriam apagar as provas”.
Mourão também confirmou a liberação de R$ 801,9 milhões, pelo Ministério
da Economia, para apoiar medidas de apoio emergencial em Brumadinho.
“Isso tá valendo. O recurso o Paulo Guedes [ministro da Economia] já
tinha liberado, agora não se sabe a totalidade que será utilizado
disso”.
Situação da Venezuela
Questionado sobre a possibilidade de Juan Guaidó, principal
oposicionista ao governo venezuelano, ser proibido de deixar a
Venezuela, e ter suas contas bloqueadas, Mourão afirmou que o Brasil não
fará nada a respeito.
“O Maduro tá lutando pela sobrevivência dele. Nós temos que aguardar
como vai terminar esse caso aí. Eu já falei, temos que assegurar uma
saída para o Maduro”, disse. Guaidó é reconhecido pelo Brasil e por
outros países como presidente legítimo da Venezuela.
Lula
O presidente em exercício também viu com naturalidade a possibilidade da
saída do ex-presidente Lula da prisão para acompanhar o enterro do
irmão. "É uma questão humanitária. A gente perder um irmão é sempre uma
coisa triste. Eu já perdi o meu e sei como é. Se a Justiça considerar
que está ok, não tem problema nenhum".
Genival Inácio da Silva, irmão do ex-presidente morreu hoje. A defesa de
Lula já pediu permissão à justiça para que ele vá ao enterro. A decisão
sai ainda hoje. O enterro de Genival está marcado para amanhã, no
cemitério Vila Paulicéia, em São Bernardo do Campo, com início previsto
para as 13h.
Agência Brasil



