O Ministério da Integração
disponibilizou R$ 28 milhões para revitalização da orla da Praia do Icaraí, em
2018. A Prefeitura de Caucaia diz que o recurso federal não foi liberado, fato
que compromete a rotina de quem vive na região.
A força da ressaca marítima é
causada por ventos fortes que fazem o nível do oceano subir e chegar, em
velocidade crescente, ao litoral. O avanço do mar pode fazer as ondas invadirem
a faixa de areia e até mesmo ruas próximas, como aconteceu na madrugada do 20, na Praia do Icaraí, em Caucaia, município situado na Região
Metropolitana de Fortaleza (RMF).
A situação, que ocorre
frequentemente ali, causa aflição aos moradores e comerciantes da localidade,
que se veem ameaçados pelo fenômeno natural, uma vez que atualmente está sendo
adotada uma medida paliativa que visa conter o avanço do mar. A Prefeitura do
Município diz que ainda está aguardando a liberação dos R$ 28 milhões que foram
aprovados pelo Ministério da Integração Nacional, em 2018, para a revitalização
da orla.
Proprietário de uma barraca na
Praia do Icaraí há 14 anos, Idelmir Feitosa afirma que a última ressaca do mar
causou uma degradação séria na via e quase atingiu o empreendimento dele.
Para conter o avanço da maré, uma
tecnologia chamada Big Bag Wall será implantada em uma extensão de 3.700
metros, no trecho entre o limite da Praia da Tabuba com Icaraí até o limite
deste último com a praia do Pacheco.
Prejuízo
Idelmir Feitosa acredita que os
serviços de aterramento da via e pavimentação asfáltica serão realizados, mas
presume que eles devem gerar um impacto financeiro negativo, pois o movimento
nas barracas tende a diminuir.
"Eu sei que vão conseguir
resolver, porque não é a primeira vez que isso acontece. Mas as consequências
ficam. A gente acha que de hoje para amanhã as ondas vão derrubar a
barraca", lamenta.
Morador da região e integrante do
Movimento SOS Icaraí, Alisson Paulineli diz que os moradores do bairro lutam
diariamente para sobreviver em uma área considerada de risco. Ele considera que
o quebra-mar não é adequado, mas defende a necessidade de mantê-lo.
"Avisamos que a manutenção deveria ser feita, mas infelizmente não nos
escutaram. Outro projeto deve ser feito em caráter de emergência, porque senão
vai ser uma catástrofe anunciada", pontua Paulineli.
O titular da Secretaria de
Infraestrutura de Caucaia, Kleber Correia explica que a Praia do Icaraí foi
afetada pela ressaca por faltar o serviço de drenagem. O dinheiro para a
requalificação não tem prazo definido para ser depositado, o que impede o
início do projeto mais amplo que a gestão municipal objetiva fazer.
Ele ressalta que os meios
adotados hoje são de contenção parcial. O gestor garante que o efeito final
será visto após a construção dos espigões que, de acordo com ele, não serão
construídos com base nos de Fortaleza. "Todas as construções de quebra-mar
que foram realizadas no litoral geram uma consequência para as praias próximas.
Vamos evitar o avanço no mar nessa região e nas outras praias", explica.
Diário do Nordeste



