José vive num barraco de pano e papelão embaixo de um viaduto de
Fortaleza, exposto a chuva e vento dia e noite, em plena Regional II, a
mais rica da cidade. Jesus, na Regional VI, uma das mais pobres, fez da
rua sua casa há décadas. No Centro, então, nem se fala: quando a lua
levanta, centenas de Marias e Joãos deitam no chão das praças. A
realidade de quem não tem teto é dura e revolta: ainda mais quando se
contabiliza 7.065 imóveis do Minha Casa Minha Vida inacabados no Ceará.
De acordo com a Secretaria das Cidades, 12 empreendimentos com
participação do Governo do Estado estão com conclusão pendente, somando
as mais de 7 mil residências a serem disponibilizadas para famílias
cearenses.
6.653. O total de imóveis inacabados em Fortaleza e 412 em municípios do
Interior. Cerca de 28 mil pessoas devem ser beneficiadas ao fim das
obras.
As construções dos residenciais começaram entre 2012 e 2018, de modo que
a implantação de parte delas já se arrasta por quase sete anos. Segundo
a Caixa Econômica Federal, responsável pela gestão dos contratos de
alguns dos empreendimentos, três unidades do programa habitacional no
Ceará estão com obras paralisadas e "com edital em andamento para a
escolha de nova construtora". A previsão, estima a instituição, é que o
processo de contratação termine ainda no primeiro semestre de 2019.
Em nota, a Caixa declarou "está atuando para tratar destes casos de
empreendimentos com obras paralisadas, a partir da criação de um grupo
de trabalho específico". O banco informou ainda que o programa está
passando por mudanças junto ao Ministério do Desenvolvimento Regional
com objetivo de corrigir situações críticas.
"Esclarecemos que todos os procedimentos necessários foram feitos:
negativação das construtoras, chamamentos públicos de concorrências via
DOU, etc", completou a Caixa, que disse estimar um prazo de 24 meses
para que "todos os procedimentos legais e de obras estejam finalizados".
Diário do Nordeste



