O Chile é um dos países mais
gravemente afetados pelo escândalo de abusos sexuais cometidos por membros da
igreja e pela gestão de suas autoridades eclesiásticas.
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Desde 2018, o Papa Francisco já
aceitou oito pedidos de demissão de arcebispos chilenos. Divulgação/Vaticano
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O papa Francisco aceitou
a renúncia do cardeal chileno Riccardo Ezzati, arcebispo de
Santiago e que em maio de 2018 anunciou sua demissão ao lado de todos cardeais
deste país em consequência de um escândalo abusos sexuais, anunciou o Vaticano
neste sábado (23).
A decisão coincide com a
confirmação na sexta-feira (22) do processo contra o cardeal Ezzati por um
tribunal de apelação chileno por não ter denunciado os abusos sexuais cometidos
por três padres. Ezzati, o principal nome da Igreja católica no país, foi
convocado em outubro por um promotor chileno e permaneceu em silêncio, apesar
de ter prometido colaborar com a justiça.
Durante a semana, o papa
rejeitou, em nome da presunção de inocência, a renúncia do cardeal
francês Philippe Barbarin, condenado em primeira instância a seis
meses de prisão com suspensão condicional da pena por não denunciar os abusos
sexuais de um padre.
Em outubro, Francisco aceitou com
relutância a renúncia do cardeal americano Donald Wuerl, arcebispo de
Washington, suspeito de acordo com um júri de ter ocultado agressões
sexuais na Pensilvânia, embora não estivesse sob a ameaça de uma condenação
direta.
O Chile é um dos países mais
gravemente afetados pelo escândalo de abusos sexuais cometidos por membros da
igreja e pela gestão de suas autoridades eclesiásticas. O papa Francisco fez
uma polêmica visita ao Chile em janeiro de 2018. Em abril enviou uma carta aos
bispos chilenos em forma de mea culpa, na qual reconhecia "erros de
avaliação" sobre o escândalo na igreja do Chile.
Depois de ouvir as vítimas, o
papa convocou todos os bispos chilenos ao Vaticano em maio de 2018 para três
dias de reflexão. Após o encontro, todos os bispos do país renunciaram. Desde
então, o papa aceitou sete pedidos de demissão. Em janeiro, ele recebeu cinco
religiosos chilenos no Vaticano, entre eles Ezzati, com o qual teve um
"diálogo muito fraternal", segundo a conferência episcopal chilena.



