O Presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou nesta sexta-feira (5) que não
haverá Horário de Verão neste ano. O adiantamento nos relógios em
grande parte do Brasil estava programado para voltar a acontecer em
outubro. O objetivo da ação é aproveitar melhor a luz do sol durante o
verão e evitar o sobrecarregamento do sistema elétrico em horários de
pico. Mas também é alvo de críticas.
A decisão foi baseada após um estudo realizado pelo Ministério de Minas e
Energia. O Horário de Verão foi adotado pela primeira no Brasil em 1931
e está em vigor, sem interrupção, há 35 anos.
A decisão de acabar com o Horário de Verão foi anunciada durante um café realizado com jornalistas, em Brasília.
Polêmica vem de outros governos
Em 2017, houve uma grande discussão sobre manter ou extinguir o horário
de verão. Na ocasião, a Presidência da República recebeu um documento
que mostrava que o horário de verão “deixou de se justificar pelo setor
elétrico”, mas ressaltando que a manutenção do modelo ainda exige uma
avaliação mais ampla. Na gestão de Michel Temer (MDB), a decisão foi por
manter o horário para o ciclo 2017/2018. Já este ciclo que se encerra
no próximo sábado, o 2018/2019, foi encurtado a pedido do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE), que solicitou alteração na data de início do
horário de verão.
Mudanças no padrão de consumo mudam efetividade
O padrão de consumo de energia elétrica dos brasileiros vem mudando ao
longo dos anos. Antes, a adoção do horário de verão evitava uma
sobrecarga no sistema no fim da tarde – as pessoas passavam mais tempo
fora de casa e os setores produtivos (comércio e indústria) encerravam o
expediente ou diminuíam o volume de produção. Com o tempo, o pico de
consumo mudou de horário e é no meio da tarde em que os brasileiros
“gastam” mais luz – o ar-condicionado é apontado como um dos fatores
para esse boom de consumo.
Dados do Ministério de Minas e Energia e do Operador Nacional do Sistema
(ONS) mostram que, embora haja um alívio aos cofres da União pela
adoção do horário de verão, essa economia vem diminuindo. Em 2013, por
exemplo, foram poupados R$ 405 milhões – o equivalente a 2.565
megawatts. A partir daí, a economia só diminuiu: no ano passado, esse
número caiu para cerca de R$ 140 milhões.
Gazeta do Povo



