Chama-se Célio Marcelo da Silva, o “Bin Laden”, o bandido do alto
escalão da facção paulista PCC (Primeiro Comando da Capital),
responsável por ter ordenado a temporada de ataques criminosos no Ceará,
em janeiro último. Mais de 300 atentados contra coletivos, delegacias
de Polícia Civil, bases da PM e a explosão de pontes e viadutos foram
praticados em todo o estado por ordem direta do criminoso, mesmo ele
estando trancafiado em um presídio federal de segurança máxima na região
Centro-Oeste do País.
A descoberta foi feira durante a investigação sigilosa realizada pelo
Ministério Público do Estado do Ceará (MP-CE), através do seu Grupo de
Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Apontado como
homem de confiança do líder do PCC no País, Marcos Herrera Hebas
Camacho, o “Marcola”, e tido como um dos homens fortes da “Sintonia
Fina” do PCC (sua liderança), o bandido “Bin Laden” ordenava o
fornecimento de armas de grosso calibre e munição para vários estados
brasileiros, entre eles, o Ceará. Esta foi uma das suas funções no topo
da facção, delegada a ele diretamente por “Marcola”.
Nesta quinta-feira (15), mesmo sendo feriado em Fortaleza, o Gaeco se
juntou às polícias Civil e Militar e desencadeou em Fortaleza e mais
sete cidades do Ceará a operação que culminou na prisão de 26 pessoas no
Ceará. Entre as pessoas detidas em Fortaleza, Independência, Sobral,
Juazeiro do Norte, Groaíras, Aquiraz, Maracanaú e Pacatuba, uma teve
atenção especial das autoridades. Trata-se da mulher de “Bin Laden”, que
estava morando no Ceará e, em janeiro, serviu de “pombo-correio” para
fazer chegar ao braço do PCC em Fortaleza as ordens do marido, preso na
penitenciária federal de Porto Velho, no estado de Rondônia.
“Bin Laden”, conforme as investigações do MP, ordenou a temporada de
ataques criminosos no Ceará como parte de uma estratégia geral do PCC em
represália a qualquer tipo de punição ou isolamento das lideranças
locais (nos estados) dentro do Sistema Penitenciário. E foi a partir de
medidas disciplinadoras imposta às facções nos presídios locais, que o
alto comando do PC despachou um “Salve Geral” para o Ceará, com a ordem
de atacar de forma agressiva e dispersa, órgãos e autoridades locais e
promover atentados que tivessem conseqüência impactantes nas ruas.
Ataques em série
Os atentados começaram no dia 2 de janeiro, com a queima de vários
coletivos em Fortaleza. Logo depois, os ataques se espalharam pela
cidade, com delegacias sendo alvos de bombas e coquetéis molotov e
disparos de fuzis e metralhadoras. Depois, vieram as explosões em pontes
e viadutos, incêndios em garagens de órgãos públicos e até em
revendedoras e concessionárias de veículos particulares.
A sequência de ataques levou o governador do estado, Camilo Santana
(PT), mesmo a contragosto, pedir ajuda ao presidente da República,
Jair Bolsonaro, que tinha acabado de assumir a Presidência, a enviar ao
Ceará parte do efetivo da Força Nacional de Segurança FNS). Camilo
pediu ainda, ajuda aos governadores de seu partido para controlar o
avanço do crime organizado naquele momento, tendo recebido tropas da
Bahia, Piauí, Santa Catarina e de outros estados em socorro à PM
cearense.
Com o fim dos atentados, o MP debruçou-se na investigação sigilosa sobre
de onde partiu, quem ordenou e qual o objetivo da temporada de
atentados no Ceará, chegando, recentemente, ao nome do traficante e
seqüestrador Célio Marcelo da Silva, o “Bin Laden”, braço direito de
“Marcola”, o “Número Um” do PCC.
Em 2005, “Bin Laden” comandou, por ordem de “Marcola”, o sequestro da
mãe do jogador Robinho, do Santos e da Seleção Brasileira, na época. Por
conta disso, ganhou uma vaga na “Sintonia Fina” do PCC.
Fernando Ribeiro



