O governo dos Estados Unidos está
profundamente preocupado com os incêndios na Amazônia, confirmou uma autoridade
da Casa Branca nesta sexta-feira, 23, a medida em que cresce a preocupação
internacional com o número recorde de queimadas registradas na maior floresta
tropical do mundo. “Estamos profundamente preocupados com o impacto dos
incêndios na Floresta Amazônica sobre as comunidades, a biodiversidade e os
recursos naturais da região”, afirmou a autoridade, que pediu para não ser
identificada.
O governo americano ainda não se
manifestou publicamente sobre as queimadas na Amazônia, nem em apoio ao governo
de Jair Bolsonaro. A atual administração se alinhou totalmente à política dos
Estados Unidos e o líder brasileiro não esconde sua admiração por Donald Trump.
Bolsonaro, que nega a mudança climática como seu contraparte americano,
anunciou que deixaria o Acordo de Paris para o clima antes mesmo de tomar
posse, assim como Trump divulgou que faria em 2018. Entretanto, o líder
brasileiro voltou atrás em suas afirmações, logo após assumir o cargo no começo
deste ano.
A pressão internacional sobre o
Brasil aumentou após a divulgação de informações sobre o aumento das queimadas
na Amazônia. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe),
as queimadas tiveram um acréscimo de 82% de janeiro a agosto de 2019 ante o
mesmo período do ano passado. Esta é a maior alta no índice em sete anos.
Reunião do G7
O presidente da França, Emmanuel
Macron, convocou os líderes do G7 a discutirem a preservação ambiental no
Brasil na cúpula anual que será realizada neste final se semana em Biarritz.
Segundo Jean-Yves Le Drian, o
ministro de Relações Exteriores francês, os chefes de Estado e Governo das
setes maiores economias do mundo devem se pronunciar neste sábado, 24, sobre
uma carta em defesa da biodiversidade para a promoção de uma ação contra a
extinção de espécies e a criação de um marco mundial.
Le Drian, que compareceu diante
da imprensa ao término de um almoço no Palácio do Eliseu com ONGs associadas à
preparação da cúpula nesta sexta, também disse que macron, como anfitrião do
evento, levará o tema da preservação da Amazônia a “diferentes reuniões” com os
outros líderes dos sete países mais ricos.
Entre as ONGs presentes na reunião
estava a Anistia Internacional (AI), cuja presidente na França, Cécile
Coudriou, indicou que cada vez fica mais clara a relação entre os problemas
ambientais e os direitos humanos.
Coudriou afirmou que pediu a
Macron que lembre diante do G7 que existe uma declaração da ONU para a proteção
dos defensores dos direitos humanos e que, no entanto, “muitos Estados fazem
pouco demais” para cumpri-la. A ativista se referiu, em particular, à “América
Latina” e, mais concretamente, denunciou que “o Brasil e o México são países
que têm um triste recorde de defensores (dos direitos humanos) assassinados”.
“A questão climática – advertiu –
tem consequências terríveis para os direitos humanos” e em muitos países,
ativistas ecologistas são vítimas de ataques e inclusive de assassinatos por
parte das autoridades, de milícias e de atores privados que atuam por
incumbência de empresas”, disse.
Pressão internacional
Nesta sexta, Macron anunciou sua
oposição ao acordo de livre-comércio assinado entre a UE e o Mercosul, afirmando
que Bolsonaro mentiu sobre seus compromissos com o meio ambiente. Fechado em
junho deste ano, depois de mais de 20 anos de negociação, o pacto prevê a
implementação das medidas previstas pelo Acordo de Paris sobre o clima, que
inclui, entre outros temas, o combate ao desmatamento e à redução da emissão de
gases do efeito estufa.
Ontem, Macron já havia se
manifestado sobre a questão, pedindo que os incêndios fossem discutidos na
reunião de cúpula do G7. A posição do francês foi apoiada por outros líderes,
como a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o premiê do Reino Unido, Boris
Johnson, e pelo primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau.
Além da França, a Irlanda também
se manifestou contra o acordo de livre-comércio. Já o governo da Finlândia, que
atualmente detém a presidência rotativa da União Europeia, pediu que os países
do bloco avaliem a possibilidade de banir a importação de carne bovina do
Brasil por causa da devastação causada pelas queimadas na Amazônia.
(Com Reuters e EFE)



