Dormir mais tempo é um pedido comumente feito por adolescentes e que,
agora, pode ser explicado cientificamente. Um estudo realizado por
pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) indica que mais da
metade dos estudantes entre 14 e 17 anos têm sono insuficiente (55%) ou
possuem sonolência excessiva durante o dia (48%). Os problemas afetam
mais os alunos dos períodos integral, matutino e noturno em comparação
àqueles que estudam à tarde.
A pesquisa entrevistou 11.525 estudantes do ensino médio de 123 escolas
públicas de Fortaleza, no período de abril a outubro de 2015. Conciliar
os estudos com atividade remunerada é um dos fatores que explicam a
baixa duração do sono para 63% dos alunos entrevistados, conforme o
estudo.
De acordo com Felipe Alves, doutorando em Ciências Médicas e autor da
dissertação que apresenta o estudo, o dado mais alarmante é o de
adolescentes com baixa duração do sono. O problema é mais frequente
entre matriculados em tempo integral: 70% deles afirmam dormir menos de
oito horas por noite. Em seguida, vêm os de turno matutino (63%) e
noturno (56%). Os menos afetados são os que estudam à tarde: 38,2%
dormem menos que o ideal.
Outras variáveis avaliaram o sono dos adolescentes, considerando aqueles
que, além de estudarem, trabalham, e ainda os que usam ou não
dispositivos eletrônicos à noite, antes de ir à cama. Entre os que
precisam trabalhar, 63% afirmaram dormir menos de oito horas,
porcentagem que cai para 53% se considerados aqueles que só estudam. Já
dos que assumiram à pesquisa que usam celular antes de dormir, 56,3% se
queixaram de dormir menos de oito horas.
Para Felipe Alves, a solução ideal seria adiar o horário de início das
aulas matutinas do ensino médio, para que começassem mais tarde,
“prática já adotada no exterior e que potencializa o desempenho dos
estudantes”. Apesar de reconhecer que “tem difícil implantação, na
prática”, o pesquisador reforça a responsabilidade das escolas em agir
sobre essa questão.
“Outra possível solução é conscientizar os adolescentes a terem hábitos
noturnos mais saudáveis: diminuir o tempo de uso de celular e computador
antes de dormir, incentivar a praticarem mais atividades físicas
durante o dia, o que pode melhorar o sono. A escola é extremamente
importante dentro desse processo, porque o adolescente passa muito tempo
lá. É o cenário ideal para intervenções. Existem muitos hábitos sociais
que ocorrem pela falta de informação. A ideia é que dentro da escola
eles tenham acesso aos prejuízos à saúde de um sono de má qualidade”,
frisa.
G1 CE



