Formação de bolsões de ar pode ajudar vítima a sobreviver em casos de desabamento, diz especialista


Ao menos 9 pessoas foram resgatadas com vida após o desabamento de um prédio nesta terça-feira (15) em Fortaleza. Ainda não está claro se todas elas estavam dentro do edifício ou nos arredores, mas casos como esse levantam a questão: como alguém sobrevive a uma queda de prédio? 

O governador Camilo Santana afirmou no final da tarde desta terça-feira que não há até o momento nenhuma morte, diferentemente do que havia sido informado pelos bombeiros mais cedo. Não foi esclarecida a razão da divergência. 

O especialista em gerenciamento de riscos Gustavo da Cunha Mello, da Correcta Consultoria, explicou ao G1 que, em tragédias como essa, o principal fator de proteção à vida das pessoas é a formação de vãos livres sob os escombros. 

Se as vítimas não tiverem sido atingidas por pedaços do edifício, na cabeça ou em órgãos vitais, e se tiverem ficado presas em um desses "bolsões de ar", as chances de serem resgatadas com vida são maiores. 

"É a mesma coisa que acontece quando há um terremoto", conta. "Quando ocorre o colapso de uma edificação, formam-se vários bolsões e, felizmente, algumas pessoas se salvam."
Por isso, o trabalho com cães farejadores permite encontrar vítimas ainda vivas. É preciso que as equipes de resgate atuem rapidamente, mas "com muita paciência", diz Mello.
"Você não pode usar máquinas pesadas, porque elas podem arrancar uma parte do corpo de uma pessoa e até matá-la. Usam-se pequenas britadeiras, abrindo buracos para encontrar as vítimas e retirá-las", afirma. 

Segundo Mello, o edifício não se desfaz completamente quando há um desabamento. Algumas partes do prédio são mais reforçadas, com estruturas de ferro e concreto armado. "Ele não vira pó. É como se você enchesse um pote com biscoitos: ficam espaços entre eles." 

São raros os casos em que o prédio cai na vertical, como aconteceu com as torres gêmeas do "World Trade Center". O que causou isso foi a alta temperatura das explosões internas nos edifícios.
Quando há risco de colapso da construção, o mais importante é se proteger de tudo o que possa cair sobre a cabeça. As áreas mais fortes do prédio são próximas a:
  • fachadas
  • colunas e vigas
  • portas
  • portais
  • escadas de incêndio
Isso se não houver vidro por perto. "É recomendável ir para essas áreas e ficar em baixo de mesas porque, se o teto desabar, a mesa vai dar uma amortecida e serve como proteção", explica. 

A caixa do elevador também é uma região mais estruturada. Em 2012, ajudantes de obras conseguiram sobreviver justamente porque estavam nessa parte do edifício. Porém, segundo Mello, não é recomendável abrigar-se ali: o vão do elevador faz com que o espaço em cima e embaixo da pessoa sejam amplos demais. 

O elevador pode cair com força até o chão. E, se um bloco de concreto despencar sobre ele, o risco é ainda maior. 

Além disso, o piso de um prédio também pode afundar. "Quanto mais no centro de um vão, menos seguro é. É melhor ficar mais perto das paredes", diz Mello.



(G1)

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