Você está em: NACIONAL // Notícia de Fagner Freire // 10 de janeiro de 2020


A queda de um Boeing 737-800 de uma companhia aérea ucraniana, com 176 pessoas a bordo, nos arredores de Teerã, capital iraniana, tornou-se, ontem, o novo capítulo das tensões geopolíticas no Oriente Médio, sacudido pela escalada de hostilidades e agressões entre os Estados Unidos e o país persa, desde a semana passada.

Ontem, cresceram as suspeitas de que o avião foi abatido, por engano, pelo sistema antimísseis do Irã, que negou a acusação, embora se recuse a fornecer as caixas-pretas do Boeing, para investigação das causas da tragédia aérea.

A tese de que a aeronave foi derrubada pelo sistema de defesa aérea do Irã de modo acidental veio à tona após a divulgação de entrevistas de funcionários dos setores de inteligência dos EUA à imprensa americana sob condição de anonimato. Os primeiros-ministros do Canadá e do Reino Unido, Justin Trudeau e Boris Johnson, afirmaram o mesmo.

O jornal americano "New York Times" também divulgou um vídeo que aparentemente mostra um míssil atingindo a aeronave sobre Parand, região próxima ao aeroporto de Teerã onde o avião transmitiu sinais pela última vez. O jornal afirma ter verificado o material.

O Irã negou que o avião tenha sido atingido por um míssil. Segundo a TV estatal, o porta-voz do Governo, Ali Rabiei, divulgou um comunicado dizendo que a informação de que o país teria acertado a aeronave é parte de uma "guerra psicológica contra o Irã".

"Todos esses países cujos cidadãos estavam a bordo do avião podem enviar representantes e solicitamos que a Boeing envie seus representantes para se juntarem ao processo de investigação da caixa-preta", declarou o porta-voz.

Origem russa

Segundo três funcionários ouvidos pela revista americana "Newsweek" -um membro do Pentágono, outro da Inteligência dos EUA e outro da Inteligência do Iraque-, o avião foi atingido de forma acidental com o uso de um míssil antiaéreo de origem russa.

Outro funcionário, ouvido pela agência britânica de notícias Reuters, disse que satélites dos EUA detectaram o lançamento de dois mísseis pouco antes do avião cair.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em entrevista coletiva que a queda do avião pode ter sido causada por acidente, mas não citou provas. "Tenho minhas suspeitas. Não quero falar porque outras pessoas têm suas suspeitas. Alguém pode ter cometido um erro no outro lado, não no nosso sistema. Isso não tem nada a ver conosco".

Em um pronunciamento ontem, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, afirmou ter informação "de múltiplas fontes, incluídos nossos aliados e nossos próprios serviços", que "indica que o avião foi derrubado por um míssil terra-ar iraniano". "Pode não ter sido intencional", disse, em uma entrevista.

Em seguida, o premiê britânico, Boris Johnson, divulgou um comunicado em que afirma que há uma série de evidências que levam a essa mesma conclusão. "Há uma série de informações de que o voo foi derrubado por um míssil terra-ar. Isso pode ter sido não intencional", afirmou. "O Reino Unido continua a pedir a todos os lados uma desescalada das tensões na região".

Irã

O ministro das relações exteriores iraniano, Abbas Mousavi, pediu que o Canadá e outros países compartilhem com Teerã as informações que afirmam ter. "Estamos solicitando que o primeiro-ministro canadense e qualquer outro Governo que tenha informação sobre o acidente a forneça para o comitê de investigações no Irã", disse.

No acidente, o 737-800 da Ukraine International Airlines caiu cinco minutos após decolar do aeroporto internacional Imam Khomeini, em Teerã. A aeronave, que decolou às 6h12 na hora local (23h42 de terça em Brasília) e seguia para Kiev, capital ucraniana, pegou fogo após a queda. Todas as 176 pessoas a bordo (82 iranianos, 63 canadenses e 11 ucranianos) morreram.

Cinco horas antes da queda da aeronave, o Irã havia disparado mísseis contra bases americanas no Iraque, em resposta a um ataque dos EUA que matou o general Qassim Suleimani, herói do país persa.

Ucrânia aciona ONU sobre caso

O vice-ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Sergiy Kyslytsya, pediu, ontem, ao Conselho de Segurança da ONU “apoio incondicional” da organização para seus especialistas a cargo da investigação sobre o avião que caiu em Teerã.

“Foram perdidas 176 vidas inocentes”, disse em uma reunião sobre o cumprimento da Carta das Nações Unidas. 

“As circunstâncias desta catástrofe ainda não estão claras. Agora depende dos especialistas investigar e encontrar respostas para a pergunta do que causou o acidente. Para fazê-lo, nossos especialistas devem receber apoio incondicional em sua investigação”, disse.

Embora a causa da tragédia aérea em Teerã ainda permaneça oficialmente desconhecida, o desastre pode prejudicar ainda mais a reputação da Boeing, que foi atingida por dois acidentes mortais envolvendo um modelo diferente do jato da Boeing, o novo 737 Max, que foi aterrado por quase 10 meses. O alvoroço levou à demissão do CEO da empresa no mês passado. A Boeing estendeu os pêsames às famílias das vítimas e disse que está pronta para ajudar nas investigações.

Ontem, oficiais que investigam a queda de um avião Boeing 737-800, da companhia aérea UIA, em Teerã divulgaram um relatório preliminar do acidente. Segundo o levantamento inicial, a aeronave foi consumida pelo fogo antes de atingir o chão. O relatório cita testemunhas que presenciaram o acidente do solo e outras que estavam em uma aeronave que sobrevoava o local.

O jato de três anos, que teve sua última manutenção programada na última segunda-feira, encontrou um problema técnico, não especificado, logo após a decolagem. A aeronave desapareceu do radar a 8.000 pés (2.440 metros).

O relatório também informa que a tripulação do avião não chegou a fazer contato por rádio para pedir ajuda. 

Os investigadores também divulgaram que as caixas pretas do avião foram recuperadas, embora estejam danificadas e, por isso, algumas partes da memória tenham se perdido.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, ligou para o presidente iraniano, Hassan Rouhani, para conversar sobre o acidente.

Muitos dos passageiros eram estudantes estrangeiros de universidades no Canadá. Eles voltavam para Toronto por Kiev, após visita à família durante as férias de inverno.
Empresas aéreas desviam de Bagdá
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(Diário do Nordeste)
Caderno: NACIONAL
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