O cenário de infecções por dengue no Ceará oscilou entre 2019 e 2020. De
29 de dezembro até 8 de fevereiro deste ano, o Estado teve 1.687 casos
notificados da doença, e 173 confirmados. Em igual período do ano
passado, foram 1.454 casos notificado, e 480 confirmados, de acordo com
os boletins epidemiológicos da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).
Enquanto os casos notificados aumentaram 16,02%, os confirmados
diminuíram em 63,95%.
Os comparativos foram apresentados durante a 46ª Reunião do Comitê
Intersetorial de Controle das Arboviroses, na manhã desta sexta-feira
(28). “Nós entramos agora no período mais crítico de todo o processo de
transmissibilidade das arboviroses, no Brasil, sobretudo no Nordeste
brasileiro, que é o período que vai de março até o final de maio e que
às vezes se estende até o mês de junho”, explica o coordenador de
vigilância em saúde da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Nélio
Morais. “Então, todas as forças devem estar concentradas nas ações de
campo, os nossos agentes de endemias fazendo o trabalho focal, visitando
imóveis, identificando os criadouros e os focos, e eliminando esses
focos, junto com o proprietário do imóvel”, ressalta.
Neste ano, a maior preocupação é o retorno do sorotipo 2 da dengue, que
não circula no Ceará há 10 anos. O vírus causou uma epidemia em Estados
da região Sudeste no ano passado, principalmente em São Paulo e Minas
Gerais. Em Fortaleza, três casos de dengue 2 já foram identificados em
2020, sendo dois no bairro Conjunto Palmeiras e um no bairro Sapiranga.
“É muito comum acontecer que quando a gente tem uma epidemia em uma
região, um ano ou dois depois, a gente tem outras regiões afetadas. Como
o vírus dengue 2 não circula aqui há mais de 10 anos, isso faz com que
todas as crianças que nasceram ao longo desse período estejam
suscetíveis”, pontua Joana Maciel, titular da SMS. “Nós temos 35 mil
crianças que nascem, por ano, em Fortaleza. Então toda essa população
está vulnerável, e também aquelas pessoas que não tiverem dengue do
sorotipo 2, que só confere imunidade quando você tem a infecção”.
Embora os esforços sejam realizados a fim de evitar o aumento no número
de casos, a secretária afirma que a rede de saúde está preparada para
atender a população. Segundo ela, 23 dos 113 postos de saúde da Capital
possuem salas de observação, e têm condição para fazer hidratação de
pacientes e entregar resultados laboratoriais mais rápido, com o
objetivo de não sobrecarregar as UPAs e hospitais. As UPAs, contudo,
também contam com um plano de contingência nesse período do ano.
“Nós temos seis UPAs gerenciadas pelo Município e mais seis pelo Estado,
todas no território de Fortaleza. Independentemente de dengue, a gente
tem um aumento no número de atendimentos por conta do período chuvoso.
Aumentam as infecções respiratórias, gastroenterite, conjuntivite, são
várias as infecções principalmente aquelas causadas por vírus que
acometem a população aqui por ocasião das chuvas”, destaca Joana Maciel.
O POVO



