Maior reserva a céu aberto de fósseis do período Cretáceo do planeta, a
Bacia do Araripe, no Sul do Ceará, foi local de uma nova descoberta da
ciência: o primeiro fóssil de borracha vegetal do mundo. A pesquisa foi
feita por cientistas da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido. O
material, de aproximadamente 110 milhões de anos, que pertence à espécie
Welwitschiophyllum, foi encontrada na Formação Crato, em Santana do Cariri.
Responsável pela descoberta, a pesquisadora Emily Roberts, em
comunicado da universidade, classificou como a peça como "joia única".
Diferente do âmbar, feito de resina de planta fossilizada, essa
substância é feita de goma da planta fossilizada. Até então,
acreditava-se que esse material não sobreviveria aos processos de
fossilização, já que suas propriedades são solúveis em água.
A publicação supõe que há outras substâncias em plantas fósseis que
podem ter sido interpretadas, equivocadamente, como âmbar, por causa da
sua coloração. "Ele abriu nossos olhos para o fato de outros produtos
químicos de plantas também podem ser preservados – não podemos mais
apenas fazer suposições. Isso apenas mostra que as plantas fósseis podem
nos surpreender', afirmou Roberts.
Co-autor da pesquisa, o paleontólogo David Martill acredita que a
descoberta aproxima a África e a América do Sul, já que uma espécie da
mesma família da Welwitschiophyllum, considerada uma das
plantas mais antigas e enigmáticas existentes, foi encontrada no deserto
de Namibe, na Namíbia e no Sul de Angola. "Confirmam que a planta
Welwitschia encontrado na África produz, hoje, uma goma semelhante a uma
planta de 110 milhões de anos atrás no Brasil", exaltou.
(G1/CE)



