Você está em: CEARA // Notícia de Fagner Freire // 23 de julho de 2020


As mudanças impostas pela pandemia de Covid-19 afetaram, em absoluto, todos os setores da sociedade, evidenciando o despreparo de muitos deles diante da crise sanitária. A Educação, então, foi uma das mais impactadas, com uma guinada de 180 graus na rotina de professores e estudantes. Entre os profissionais do Ceará, 91% não tinham experiência alguma com ensino remoto antes da pandemia - e outros 62% afirmam que não estão recebendo formação ou suporte das instituições para o trabalho online.

Os dados são da pesquisa "Trabalho Docente em Tempos de Pandemia", realizada em diversos estados do País pelo Grupo de Estudos Sobre Política Educacional e Trabalho Docente (Gestrado/UFMG), em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Quase 16 mil professores responderam ao questionário online, entre 8 e 30 de junho, 2.235 deles cearenses, sendo esta maior amostra entre todos os estados.

O estudo buscou informações sobre condições de trabalho, relação com estudantes, formação profissional e impactos na saúde mental dos docentes no cenário atual. A maioria (84%) das respondentes foi de mulheres; e 89% atuam em escolas municipais, 5% em estaduais, outros 5% em ambas, e 1% em federais. Além disso, 41% dos professores lecionam nos anos finais do ensino fundamental, 29% na educação infantil e outros 22% nos anos iniciais do EF.

O resultado principal foi o retrato, em números, dos impactos de uma adaptação forçosa e repentina ao ensino online, sem formação prévia dos professores, como avalia Adriana Borges, professora e pesquisadora do Gestrado.
"Nesse momento, é como se eles tivessem que trocar o pneu com o carro em movimento. A tecnologia sempre foi subutilizada nos sistemas educacionais. E a questão não é só utilizar os equipamentos, mas como estabelecer um processo educacional com um aluno que não está presente. Os professores não foram ensinados", pondera.
Além das formações inicial e continuada deficientes no que tange à utilização da tecnologia para o ensino, os professores não têm tido suporte no momento atual: para 61,9% deles, o processo de dar aulas online no Ceará é tocado por conta própria. Outros 16,4% dizem ter acesso a tutoriais online sobre como utilizar as ferramentas virtuais; 9,5% têm formação oferecida pela Secretaria da Educação; 7,2% são assistidos por outra instituição; e 4,9% pela própria escola.

"Uma coisa é os professores não terem tido essa formação anteriormente. Mas pensar que no momento atual eles estão sendo convocados para realizar essas mudanças e não estão recebendo suporte é bem complicado. Nesse momento de crise, é necessário que as secretarias deem suporte", frisa a pesquisadora, apontando ainda que esse "despreparo" aumenta a sobrecarga. De acordo com a pesquisa, mais de três a cada quatro professores afirmam que o tempo de planejamento das aulas remotas aumentou.

Em nota, a Secretaria da Educação do Ceará (Seduc) garante que "tem apoiado alunos e educadores para o uso de aparatos tecnológicos a fim de facilitar a conexão e a operacionalização dos recursos digitais neste período de ensino domiciliar". Segundo a Pasta, um "Guia de Apoio aos Estudos Domiciliares" foi criado "com o objetivo de compartilhar estratégias pedagógicas para estabelecer rotinas de estudos e de aprendizagem".

Ainda conforme a Secretaria, têm sido ofertadas "oficinas voltadas aos professores sobre planejamento de aulas virtuais, para dar suporte a educadores e escolas no processo de migração emergencial para ensino remoto".

A Secretaria Municipal de Educação (SME) de Fortaleza também foi procurada, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem.


(Diário do Nordeste)
Caderno: CEARA
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