Você está em: CEARA // Notícia de Fagner Freire // 3 de julho de 2020


A velocidade de disseminação dos novos casos de coronavírus do interior do Ceará cresce quase duas vezes mais rápido do que na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), de acordo com o novo boletim epidemiológico do Comitê Científico do Consórcio Nordeste, apresentado na manhã desta sexta-feira (3). O estudo também indica que, apesar da redução apresentada desde junho, Fortaleza corre o risco de sofrer um “efeito bumerangue de grande monta” nas próximas semanas.

Segundo o Comitê, os casos no interior dobram a cada 7 dias, e aproximadamente a cada 12 na RMF. Cidades como Sobral, Quixadá, Morada Nova e Viçosa do Ceará chamam atenção pelos altos valores do fator de reprodução - taxa que representa para quantos indivíduos uma pessoa contaminada pode transmitir a Covid-19.

“O efeito bumerangue é o que nos preocupa. Os casos do interior começam a retornar para as capitais porque pacientes graves vão para UTIs. Eles estão começando a ser maioria”, ressalta o neurocientista Miguel Nicolelis, coordenador do Comitê. Ele indica que Fortaleza teve um dos melhores resultados do Brasil na desaceleração de casos após a implantação do lockdown.
O documento explicita que, embora Fortaleza, Recife e São Luís tenham tido bons resultados com o isolamento rígido, “as curvas ainda não mostram claramente a ocorrência de um pico ou platô” nos estados correspondentes.

Medidas de mitigação

Para barrar a interiorização, Nicolelis recomenda barreiras sanitárias e possíveis bloqueios intermitentes nos grandes entroncamentos que ligam Fortaleza aos municípios do Interior, controle de carros particulares e até mesmo rodízios. Orienta ainda para a interrupção total de ônibus intermunicipais, mas mantendo o transporte de carga essencial e o manejo de pacientes.

Além disso, o Comitê recomenda um programa estadual de Brigadas Emergenciais de Saúde com objetivo de quebrar as taxas de reprodução de casos. “Elas podem fazer busca ativa com agentes comunitários de saúde e enfermeiras para medir a saturação de oxigênio e, se necessário, ajudar a se isolar em equipamentos públicos, como escolas e ginásios, para quebrar a disseminação”, explica Nicolelis.


 (Diário do Nordeste)
Caderno: CEARA
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