Você está em: CIDADE , IPU , PRINCIPAL // Notícia de Fagner Freire // 19 de fevereiro de 2021

 


Se muitos cearenses relaxaram as medidas sanitárias após contraírem Covid-19, sob a confiança de estarem imunes à doença, novos dados divulgados neste mês pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) por meio de nota técnica reacendem o alerta: 76 pacientes testaram positivo duas vezes para o novo coronavírus no Estado, entre junho e dezembro de 2020. A maioria deles é de adultos entre 30 e 39 anos.

Entre 11 de junho e 31 de dezembro de 2020, foram notificados à Sesa 143 casos suspeitos de reinfecção, dos quais 59 foram descartados porque os pacientes não haviam realizado exames RT-PCR em ambas as manifestações de sintomas e outros nove porque os testes tinham intervalo inferior a 90 dias entre si.

“O aumento do número de casos adicionais de provável reinfecção pelo Sars-CoV-2 ou recorrência da Covid-19 nos  permite concluir que tais fenômenos são relativamente comuns entre nós. Neste período, também pudemos observar o  acúmulo de relatos de ocorrências semelhantes em outras regiões do Brasil, além de países estrangeiros”, pontua o documento.

32 municípios do Ceará casos prováveis de reinfecção:

  • Fortaleza (25 casos)
  • Aracati (1)
  • Assaré (1)
  • Barbalha (1)
  • Campos Sales (1)
  • Crateús (1)
  • Granja (1)
  • Iracema (1)
  • Jaguaretama (1)
  • Maracanaú (1)
  • Meruoca (1)
  • Monsenhor Tabosa (1)
  • Morada Nova (1)
  • Orós (1)
  • Palhano (1)
  • Pereiro (1)
  • Quixadá (1)
  • Santana do Acaraú (1)
  • Santana do Cariri (1)
  • São Gonçalo do Amarante (1)
  • Tauá (1)
  • Umari (1)
  • Alto Santo (2)
  • Itaitinga (2)
  • Juazeiro do Norte (2)
  • Russas (2)
  • Sobral (2)
  • Farias Brito (3)
  • Ipu (3)
  • Maranguape (3)
  • Milagres (5)
  • Mombaça (5)

Fechando os 76 pacientes possivelmente reinfectados está um oriundo de São Paulo, mas diagnosticado em terras cearenses. 62% dos casos prováveis de reinfecção são de mulheres: elas somaram 47 pacientes. Os 29 demais registros, que correspondem a 38% do total, são entre homens.

Sintomas na reinfecção

Dos 76 casos que continuam como “prováveis” de nova manifestação da doença, quatro foram assintomáticos, mas preencheram critérios laboratoriais; e 72 tiveram recorrência de sintomas agudos da Covid-19. Em três destes últimos pacientes, o período entre as duas infecções foi de 21 a 45 dias.

Profissionais da saúde

Os mais afetados pela onda de reinfecção por Covid são os profissionais da saúde: seis a cada dez casos prováveis são entre eles. Enfermeiros e técnicos somam 20 reinfectados, seguidos pelos médicos, com 14 casos.

Cuidadores de idosos, farmacêuticos, fisioterapeutas e condutores de ambulância também estão entre os 76 provavelmente reinfectados no Estado, assim como caminhoneiro, profissional da educação e policial. 60,5% dos pacientes possivelmente reinfectados, ou seja, 40 dos 76, não tinham nenhuma comorbidade.

De acordo com a Sesa, por meio da nota técnica, não é possível determinar se os quadros de reinfecção foram causados por uma nova cepa do coronavírus. “Infelizmente, as amostras enviadas para sequenciamento e isolamento no Laboratório de Vírus respiratórios do Instituto Evandro Chagas (LVR-IEC) não encontravam-se com qualidade adequada para sequenciamento genético e análise filogenética viral”, informa o documento.

Segundo a secretária-executiva de Vigilância Epidemiológica da Sesa, Magda Almeida, pessoas que positivam duas vezes em exames RT-PCR são monitoradas e, algumas, contatadas pela secretaria para acompanhamento. “Ainda não se conseguiu fazer sequenciamento, isolar duas cepas diferentes, para caracterizar a reinfecção, mas são casos prováveis”, ela diz. 

A gestora lembra ainda que, devido à circulação da nova cepa do coronavírus, é possível que as pessoas estejam adoecendo novamente somente por ainda não terem adquirido imunidade à variante.

Apesar de a maior parte dos casos ter apresentado sintomas mais graves na provável segunda infecção, a Pasta analisa que “de uma forma geral, não houve diferença significativa nas manifestações clínicas relatadas nos dois episódios, embora desfechos desfavoráveis, como internamento, necessidade de suporte ventilatório e a ocorrência de óbito tenham sido mais comuns no segundo episódio”.

 


(Diário do Nordeste)

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