Você está em: NACIONAL // Notícia de Fagner Freire // 21 de maio de 2021

 


O Brasil registrou os primeiros casos da nova variante indiana do coronavírus, segundo divulgado pelo presidente do Conselho Nacional de Secretários das Saúdes (CONASS), Carlos Lula, nesta quinta-feira (20). A B.1.617 é considerada mais transmissível pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em relação à versão original do vírus.  

Os infectados estão no Maranhão, eles fazem parte da tripulação do navio indiano MV Shandong da Zhi, que está ancorado no litoral do estado nordestino. Um estudo genômico das amostras dos pacientes confirmou a presença da cepa. A tripulação está em quarentena e a embarcação não tem permissão para atracar.   

Na semana passada, o Brasil suspendeu os voos vindo da Índia por 14 dias, visando evitar a disseminação da variante no território nacional. Além do país asiático, as aeronaves vindas da África do Sul e do Reino Unido também foram temporariamente barradas pelo Governo Federal.     

Maior índice de transmissão   

Baseado em estudos preliminares, a OMS classificou a cepa que surgiu na Índia como uma preocupação global por ser mais transmissível que o vírus original.   

"Nós a classificamos como uma variante preocupante em nível global. [...] O que temos de informação disponível indica uma transmissibilidade acentuada [da variante indiana]", alertou uma das autoridades técnicas da OMS em Covid-19, Maria Van Kerkhove, na semana passada em entrevista coletiva.  

A B.1.617 é apontada como responsável pela explosão de casos de Covid-19 vivida pela Índia nas últimas semanas, o que agravou a crise sanitária no país asiático.   

Ainda não há informações de que a variação do vírus é mais mortal.   

Vacinas podem funcionar 

Conforme a cientista-chefe da OMS, Sumya Swaminathan, os imunizantes e os tratamentos disponíveis contra a Covid-19 são, até onde se sabe, eficazes contra os casos da variante indiana.   

No entanto, a pesquisadora ressaltou que as evidências ainda são recentes — é importante "dar tempo" para que mais dados sobre a variante B.1.617 sejam coletados e analisados.  

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) informou na semana passada que as vacinas que usam tecnologia de RNA mensageiro, como as da BioNtech/Pfizer e Moderna, parecem ser eficazes contra a variante. 

Como se proteger   

Conforme a Fiocruz, as medidas de proteção funcionam para todas as variantes do vírus causador da Covid-19 identificadas até o momento. Ou seja, para proteger a si e aos outros, é preciso continuar a manter os seguintes cuidados: 

  • distanciamento físico;
  • usar máscara;
  • ter ambientes bem ventilados;
  • evitar aglomerações;
  • limpar as mãos e tossir/espirrar com cotovelo dobrado ou em lenço de papel.   

Aumentar a fabricação de vacinas e implementá-las o mais rápido e amplamente possível também é uma maneira de proteger as pessoas antes que sejam expostas ao vírus e ao risco de novas variantes.     

Outras mutações na Índia  

A linhagem predominante da B.1.617 foi identificada na Índia em dezembro de 2020, mas os primeiros relatos sobre ela são de outubro do mesmo ano.  

Pesquisas indicam que a variante está ligada a outras duas semelhantes, que também possuem maior índice de transmissão que o coronavírus original. As variantes são a B.1.617.2 e a B.1.617.3, todas com origem provável na Índia.  

Atualmente, a cepa indiana já foi registrada em mais de 40 países, entre eles Brasil e Argentina.  

O que é uma variante  

Quando um vírus está circulando amplamente em uma população, e causando muitas infecções, a probabilidade de sofrer mutação aumenta. Quanto mais oportunidades um vírus tem de se espalhar, mais ele se replica – e mais possibilidades tem de sofrer mudanças. As informações são de um artigo publicado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).   

A maioria das mutações virais têm pouco ou nenhum impacto na capacidade do vírus de causar infecções e doenças. Mas, dependendo de onde as alterações estão localizadas no material genético do vírus, chamado de ácido ribonucleico (RNA em inglês), podem afetar as propriedades dele, como a transmissão (pode se espalhar mais ou menos facilmente) ou gravidade (pode causar doenças mais ou menos graves).  

O aparecimento de mutações é um evento natural e esperado no processo evolutivo de qualquer vírus, especialmente os que possuem RNA como seu material genético, como é o caso do Sars-CoV-2, nome do vírus causador da Covid-19.  

Cepas em circulação  

Segundo a Fiocruz, a primeira variante do Sars-CoV-2, a D614G, foi identificada no início de 2020. Em dezembro, ocorreu a identificação da cepa inglesa B.1.1.7, mais contagiosa do que a cepa original identificada em Wuhan.   

Depois vieram as cepas B.1.351, da África do Sul, e a de Manaus, P.1. Mais tarde surgiu a variante B.1.525, e agora a indiana B.1.617. Outras poderão aparecer. 


(Diário do Nordeste)

Caderno: NACIONAL
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