Você está em: CEARA // Notícia de Fagner Freire // 13 de agosto de 2021

 


Uma enfermeira de 39 anos realiza o sonho de amamentar o filho, o pequeno Rubem, de cinco meses, depois de ter passado 50 dias internada em um hospital de Fortaleza devido a complicações da Covid-19. Juliana França foi diagnosticada com o novo coronavírus antes do nascimento do filho. Depois que o bebê nasceu, após três dias, já em casa, ela precisou retornar para o hospital.

Juliana estava com 40 semanas de gestação, esperando parto normal, quando saiu o resultado positivo para a Covid-19. Ela precisou ser submetida a um parto cesárea de urgência. O pequeno Rubem nasceu saudável, recebeu alta junto com a mãe e foi para casa. Mas a situação de Juliana piorou. A alta médica veio em maio, um dia antes do dia das mães.

"No terceiro dia de sintomas, estava próximo ao trabalho de parto, com 40 semanas de gestação, precisei fazer uma cesárea de urgência antes que os meus sinais vitais começassem a complicar. Então, eu vim para casa, três dias depois eu piorei bastante e precisei me internar e o bebê ficar em casa. Cheguei a voltar para casa, e três dias depois eu voltei para o hospital para internação, e ali passei 50 dias. Desses 50, 40 foram na UTI e 35 intubada. Eu fiquei bem grave", relata a enfermeira.

Ao longo dos quase dois meses de internação, a equipe médica chegou a tirar Juliana da intubação, mas ela precisou voltar a usar o tubo. Os médicos que cuidavam dela chegaram a chamar os familiares e dizer que estavam fazendo de tudo, mas que o quadro de saúde da enfermeira seguia grave. Poucos dias depois, segundo Juliana, de uma "forma inexplicável", como ela relata, ela passou a ter uma série de melhoras.

"Chegaram a comentar que já estava sendo feito tudo que era possível e eu não tinha melhora. E aí de uma forma inexplicável, eu comecei a melhorar. Tive uma progressão de melhora e fui melhorando, que foram realmente os últimos dez dias de internação", conta.

  Medicação para secar leite

Juliana passou apenas três dias com o filho após o parto, e ficou quase dois meses sem ter contato com ele. Durante o tratamento, ela precisou tomar medicação para secar o leite, já que ela precisava ficar deitada de bruços. Depois que recebeu alta, devido ao medicamento que tomou, ela estava totalmente sem o leite materno, mas novamente, de forma inexplicável, apenas com o contato com o bebê, o leite voltou a descer.

"Quando eu saí, eu tinha zero leite. Mas é muito interessante que só o contato com a minha pele, sem nenhum estímulo, o leite começou a descer. Só que nesse primeiro mês ainda havia risco de acidente vascular cerebral, um AVC pós covid. Então eu precisei tomar um anticoagulante que é incompatível com a amamentação. Então, apesar de o leite ter descido, eu ainda não podia oferecer para ele através da mama. Eu tive que esperar passar esse movimento de risco e, afastado esse risco, poder recomeçar para que ele se familiarizasse de novo e amamentar diretamente no peito."

Depois de vencer a doença, Juliana a firma que sempre se emociona quando lembra do que passou no hospital e por ter a oportunidade de viver a maternidade que sempre sonhou. Ela afirma que amamentar o filho "é a coroação de um milagre".

"É uma coisa emocionante para mim. Eu me emociono quando falo. Todas as vezes que eu falo. Passo muito tempo chorando no dia, porque assim, é algo que, para mim, é a coroação desse milagre mesmo. Não só estar em casa, mas poder, com ele, ter esse presente de poder amamentar de novo e saber que ele está recebendo o melhor alimento que ele poderia ter. Pra mim é muito satisfatório. Para a nossa família toda também."

Depois de receber alta, ela ainda passou um mês sem andar e foi recuperando as forças aos poucos. Além do pequeno Rubem, Juliana é mãe de Elias, um menino de 3 anos. 

 

 

(G1/CE)

 

Caderno: CEARA
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