As
páginas criminosas expõem desde cidadãos anônimos, como autoridades dos
Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Entre os que tiveram a
privacidade invadida e exposta em sites para quem paga uma mensalidade,
estão ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de
Moraes e Dias Toffoli; o governador de São Paulo, João Doria; e até o
presidente Jair Bolsonaro.
Os
dados vendidos por R$ 200 são organizados em painéis, como fichas
cadastrais, acessadas por meio de login e senha. O documento obtido de
forma ilegal inclui nomes de parentes, renda salarial, foto e até
assinatura. Alguns casos informam se a pessoa recebe algum benefício
social.
A
ousadia dos bandidos é tamanha que não utilizam nem a deep web – rede
oculta do sistema www e mais difícil de ser rastreada – mas usam o
comércio escancarado em redes sociais, em conversas pelo Facebook, por
exemplo.
De
acordo com Roseli Soglio, advogada criminalista e professora de direito
e processo penal, tanto quem vende como quem compra esses bancos de
dados cometem crimes. Eles podem ser enquadrados nos artigos 153 e 154
do Código Penal, que tratam da divulgação de conteúdo particular e
invasão de dispositivos digitais.
Um
dos agravantes do vazamento dos dados é que, ao cruzar informações da
Receita Federal, INSS e de empresas de crédito, como a Boa Vista, é
possível estimar valores de empréstimos que podem ser liberados em nome
das vítimas, com desvio do dinheiro aos criminosos.
Gcmais


