Você está em: MUNDO // Notícia de Anselmo // 27 de fevereiro de 2022



A escalada da tensão entre Rússia, Ucrânia e potências ocidentais prosseguiu nesta sexta-feira (horário de Brasília), 25, com a aproximação de tropas russas da capital ucraniana Kiev, alvo de bombardeios. O presidente russo Vladimir Putin autorizou uma operação militar que, desde a última quinta-feira, 24, registrou ataques aéreos em todo o país e ainda a entrada de forças terrestres em território ucraniano.


O desenrolar do conflito fez com que pessoas passassem a questionar a possibilidade de uma eventual guerra militar generalizada. Nas redes sociais, o retorno de uma guerra de grande porte na Europa fez com que as discussões sobre uma eventual 3ª Guerra Mundial ganhassem força. No entanto, a possibilidade foi descartada por analistas ao longo do dia.


O POVO conversou com um especialista em política internacional sobre o tema. Iago Caubi, pesquisador ligado ao Núcleo de Estudos sobre Geopolítica, Integração Regional e Sistema Mundial (GIS-UFRJ), descartou a possibilidade de um conflito armado generalizado entre as maiores potências mundiais e chamou o eventual cenário de “realidade distópica”.


De acordo com Caubi, a possibilidade é irreal porque grandes potenciais mundiais do Ocidente como os Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha, que compõem a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), uma aliança militar com 30 países, não devem interferir diretamente com o envio de tropas para a Ucrânia, porque os ucranianos não fazem parte da organização militar.


“Esses países não vão enviar (tropas) porque se as enviarem significaria comprar uma guerra direta com a Rússia. Não trata-se apenas de defender um país aliado como a Ucrânia, é comprar uma guerra com uma nação com grande poderio militar e que repercutiria em outras áreas como nas relações diplomáticas e comerciais”, explica.


Na última quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e outras lideranças do Ocidente, reforçaram que ampliarão as sanções econômicas contra os russos. No entanto, Biden foi claro ao enfatizar que não combaterá os russos na Ucrânia com as tropas americanas. Ele autorizou o envio de tropas de reforço da Otan para países vizinhos, que compõem a aliança militar, como Lituânia, Estônia e Letônia.


Portanto, um confronto militar direto entre Rússia e Otan é improvável. Fatores como os amplos arsenais nucleares entre as partes anulam o cenário, já que um conflito dessa magnitude prejudicaria a força e influência de ambos os lados. No entanto, caso a Rússia atacasse, em um cenário hipotético, um país-membro da Otan, o artigo 5° do tratado poderia ser acionado.


A partir daí, em tese, todo o bloco militar precisaria interferir no conflito para defender o aliado agredido. Isso poderia gerar uma guerra entre as maiores potências atômicas do mundo. O que não é desejo de nenhuma das partes; tanto que, pelo mesmo motivo, a Otan não deve enviar tropas diretamente à Ucrânia.


Sobre a reação vista nas redes sociais, que gerou, inclusive, memes sobre uma possível terceira guerra mundial, Caubi reforça que o quadro é “impensável” no atual momento. “As coisas que começam na brincadeira, viram memes, mas acabam ficando sérias. Isso é uma histeria completamente desnecessária e fora da realidade”, complementa.


No caso do Brasil, ele lembra que o País relutou o máximo que pôde para se envolver na 2ª Guerra Mundial. “À época, o Brasil só entrou no conflito próximo do fim da guerra, e precisou sofrer baixas em ataques da Alemanha para se envolver. Não existe força interna nenhuma na história do Brasil que apoie interferência num conflito europeu”, comenta.


O pesquisador lembra ainda que o Brasil não é da Otan, não é aliado histórico da Ucrânia, pelo contrário, tem mais “aproximação diplomática” com a Rússia. Segundo ele, o que espera-se do governo brasileiro é uma posição mais clara e efetiva. “O que está sendo cobrado, e acho importante ressaltar isso, é um posicionamento efetivo do presidente Bolsonaro e do Itamaraty. O que se espera do Brasil é a abordagem diplomática em ambientes como a ONU, onde ocupamos cadeira rotativa no Conselho de Segurança”, diz.


O Povo Online
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