Você está em: CEARA // Notícia de Anselmo // 14 de fevereiro de 2022



O cearense Angelo Micael Rabelo, 21 anos, foi aprovado em primeiro lugar nas cotas raciais para cursar medicina na Universidade Estadual do Ceará (Uece). Nascido e criado no município de Morada Nova, no interior do Ceará, Angelo foi aluno de escola pública e, há três anos, mudou-se para Fortaleza para tentar conseguir uma bolsa de estudo em um cursinho e, com isso, focar no sonho: a aprovação no vestibular para medicina.

Mas nem tudo foi fácil e a trajetória para chegar até a aprovação foi árdua. Angelo foi acolhido por um tio que mora em Fortaleza, que o recebeu na sua casa. Sem condições de pagar os estudos em um cursinho preparatório, o estudante saiu em busca de uma bolsa e conseguiu integral, sem precisar pagar nada. Até a aprovação, foram três anos de muito estudo e dedicação.

"Quanto à minha preparação, eu sempre tive em mente no meu ensino médio que possivelmente não fosse dar após o terceiro ano para eu passar logo de primeira para a universidade. Já deixei claro para a mãe e para o pai para a gente se organizar para eu ir para Fortaleza. Graças a Deus teve um tio meu que me acolheu na casa dele em Fortaleza, aí eu fui atrás de bolsa em cursinho e consegui", conta.

Apesar da aprovação em primeiro lugar, Angelo não acreditava que conseguiria. Em entrevista ao g1, ele afirma que considerava o resultado como algo "inatingível".

"A minha relação com o resultado da Uece era uma relação que eu considerava quase inatingível, porque com o modelo de questões de algumas áreas da Uece eu achava bem difícil. Não gostava muito. Não era o modelo que eu mais me identificava [...] quando eu fiz a primeira fase, corrigi o gabarito e vi que tinha ido muito bem", conta.

Mesmo com o resultado positivo na primeira fase, Angelo decidiu focar os estudos para prestar o Enem. Ele fez a prova e viu que não tinha conseguido pontos suficientes para a aprovação e, em cima da hora, decidiu estudar para a segunda fase da Uece.

'Quase não acreditava'

Angelo estava em Morada Nova, brincando com amigos, quando recebeu ligações de amigos comunicando sobre a aprovação dele.

"Quase nove e meia da noite a Uece libera o resultado e eu não sabia. Meus amigos ligando para mim: 'Angelo, tu passou'. Estava numa pracinha jogando baralho com meus amigos. Foi uma reação que eu quase não acreditava. Eu achava que eles estavam brincando comigo, que eles estavam olhando a lista dos classificáveis, só que não. Realmente tinha dado certo", relembra.

O estudante, hoje, vê a aprovação como um verdadeiro aprendizado. Sem acreditar no próprio potencial, sem crer que seria capaz de conseguir, hoje, Angelo se considera uma pessoa otimista e confiante em si próprio.

"Até o momento da aprovação, pra mim foi uma lição porque por vezes eu não acreditava no potencial que eu tinha de conseguir esse feito. Eu quase não acredito [...] realmente a aprovação foi uma lição para mim porque acreditar no seu potencial não é prepotência nenhuma, é auto confiança, é ser otimista, e eu não tinha tanto isso. Foi a maior lição que eu já recebi."

G1 CE
Caderno: CEARA
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