Você está em: CEARA // Notícia de Fagner Freire // 23 de março de 2022

 Após resgate, animais foram devolvidos à natureza, em zonas de mata longe de áreas urbanas(foto: Divulgação/CBMCE)

Dois resgates de animais silvestres foram feitos pelo Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CMBCE) nessa segunda-feira, 21. O primeiro foi de um carcará, em Quixadá, no Sertão Central, e o segundo de uma jiboia, em Ipueiras, no Sertão de Crateús.

Em ambos os casos, os animais foram encontrados em áreas residenciais. Os bombeiros foram chamados pelos próprios moradores dos imóveis onde os bichos estavam.

O carcará foi resgatado com uma pinça, equipamento próprio para a remoção segura de aves. A ave estava em uma casa no Centro de Quixadá. Após a retirada, ela foi levada até uma área de mata, e solta.

A jiboia, por sua vez, estava no telhado de uma casa no bairro Vila Nova, em Ipueiras. A serpente, com cerca de 1,20 metro de comprimento, foi retirada sem ferimentos e levada até um matagal, longe da área urbana, para retorno à natureza.

Segundo o CBMCE, entre março e agosto há um aumento nas ocorrências com cobras e serpentes em áreas residenciais, tanto rurais quanto urbanas. Isso acontece pela proliferação de ratos nessa época - os roedores são o principal alimento desses répteis.

Corpo de Bombeiros diz que animais silvestres não devem ser mortos

A recomendação do CBMCE é que, ao encontrar bichos selvagens em áreas residenciais, não deve-se matar os animais. O correto é solicitar, pela Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), a presença dos bombeiros, que são treinados para remoção segura dos animais silvestres.

Não há benefícios em matar animais selvagens nestes encontros, caso não estejam representando perigo imediato. O correto é mantê-los a uma distância segura, sob vigilância e possivelmente restritos a um espaço que não possam escapar ou gerar risco para pessoas e animais domésticos. Após o resgate, os bichos são levados para áreas de mata e devolvidos à natureza.

Além de ser um possível crime ambiental, especialmente para espécies protegidas ou ameaçadas de extinção, matar animais silvestres pode gerar problemas. Ao fazer isso, quebra-se a cadeia alimentar de diversas espécies, o que, em larga escala, agrava problemas ambientais.

Aves de rapina, como o carcará resgatado nessa segunda-feira, embora por vezes se alimentem de carcaças e até de lixo, também são predadores de pequenos roedores e aranhas. Cobras e serpentes, como a jiboia recuperada em Ipueiras, também têm grande importância no ecossistema. Sua principal função é evitar o crescimento descontrolado na população de ratos.

Além disso, espécies peçonhentas, que injetam toxinas pela mordida - o que não é o caso da jiboia, que mata suas presas apertando-as até sufocar - são úteis para desenvolver soros contra as próprias picadas. Essas espécies também podem ser usada para a pesquisa de remédios. O captopril, usado no tratamento para hipertensão, por exemplo, é derivado do veneno de jararaca.

Outros animais geralmente mortos em encontros com humanos também têm importância significativa. Um exemplo é o cambá (ou cassaco), que, por ser imune ao veneno do escorpião, é um grande aliado no controle desse aracnídeo.

 

(O Povo)

Caderno: CEARA
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