Segurança pública domina debate; Elmano e RC polarizam maior tensão

 

 Os três candidatos a governador do Ceará mais competitivos, conforme pesquisas de intenção de voto, estiveram lado a lado, na TV Cidade, na noite de ontem, para o primeiro debate da eleição estadual. A discussão acalorada entre Capitão Wagner (União Brasil), Roberto Cláudio (PDT) e Elmano Freitas (PT) girou mais fortemente em torno da saúde e segurança públicas.

Nessa ordem, os dois temas que mais preocupam os eleitores, conforme primeira pesquisa Ipespe, contratada por O POVO. Como debelar a violência gerada pelas facções criminosas no Ceará ou como interiorizar os serviços de saúde, se construindo novos hospitais ou aproveitando os já existentes, por exemplo, foram temas discutidos.

No aspecto político, padrinhos de cada candidatura foram usados por adversários para criticá-las. A relação entre Wagner e Bolsonaro foi abordada do ponto de vista dos movimentos de aproximação e distanciamento administrados pelo candidato do União Brasil. Elmano e RC disseram que o deputado federal esconde o presidente da República em sua campanha.

Elmano foi criticado por, na avaliação do postulante do PDT, inserir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador Camilo Santana (PT) a cada resposta dada. Ele se defendeu qualificando ambos os petistas como "irmãos de projeto", não avalizadores de sua pretensão eleitoral.

No decorrer do debate, RC lembrou que Elmano "surgiu" para a política a partir da ex-prefeita e deputada federal Luizianne Lins (PT), cuja gestão da Capital (2005-2012) foi criticada pelo pedetista. "Do mesmo jeito que o Capitão tenta esconder seu padrinho Bolsonaro, o Elmano em nenhum momento diz que surgiu na política pelas mãos da Luizianne Lins, ex-prefeita de Fortaleza, sua verdadeira madrinha", afirmou o pedetista.

Questionado por O POVO sobre como usar o nome de Lula e Camilo sem parecer ser um preposto deles, Elmano respondeu: "Essa é a opinião do Roberto Cláudio. Eu tenho uma vida, uma vida de advogado que trabalhei 20 anos nesse estado advogando para o povo mais simples. Advogando e depois como deputado sendo líder do PT, defendendo todos os projetos do nosso governo, seja do governador Camilo ou da governadora Izolda. A opinião do Roberto ele fica para ele."

No debate, Elmano citou o atual prefeito José Sarto (PDT), afirmando que o pedetista ainda não disse a que veio na administração municipal. Ciro Gomes (PDT) não foi lembrado pelos adversários de Roberto, nem por Roberto, que escutou de Wagner que ele só descobriu erros das administrações de Camilo e Izolda Cela apenas há pouco mais de um mês, quando do rompimento da aliança entre PT e PDT no Ceará, após 16 anos da união.

"Eu sou a ruptura. A ruptura acontece em virtude disso, exatamente por diferenças que a gente identifica num projeto que está cansando. A gente teve um ciclo, como falei, de prosperidade com Tasso e Ciro, quando ele vinha cansando, práticas políticas antigas, certo conformismo com o problema, veio o Cid. E o mesmo está acontecendo", argumentou RC, qualificando-se como representante do "resultado comprovado" ao passo que os outros, a "falta de preparo".

RC mencionou o período de Elmano como secretário do governo Luizianne em Fortaleza. Afirmou que o petista deixou a Educação da Capital como a segunda pior do Ceará. RC também disse ter pegado a saúde da Capital sucateada. Wagner viu na menção feita a Luizianne brecha para acenar a ela própria, destacando que a ex-prefeita não estava ali para se defender, e a Izolda Cela, para com isso se dirigir ao eleitorado feminino do Ceará, com quem tenta ter mais entrada. Segundo ele, membros do diretório estadual do PDT praticaram "violência política de gênero" ao não permitir que ela fosse a candidata.

A maior tensão se concentrou entre RC e Elmano, que disputam o segundo lugar na corrida atualmente liderada por Wagner. Este e o próprio Elmano exploraram às contradições que supostamente residem nas críticas movidas por RC às gestões Camilo e Izolda, já que feitas publicamente desde que rompida a aliança.

Nesses momentos, Wagner virava espectador. Quando tinha a palavra, o candidato do União Brasil investia na ideia de que enquanto os antigos aliados brigam, ele se preocupa com soluções para problemas que os dois partidos não encontraram ao longo dos últimos anos. "A gente está precisando de medidas diferentes, de pulso firme, coragem e tecnologia para enfrentar o crime organizado. Não há onde buscar uma tecnologia mais exitosa do que a americana", afirmou Wagner, em referência à sua proposta de trazer um consultor do FBI dos Estados Unidos para auxiliar na segurança pública cearense.

 

 

 

(O Povo)

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