Cinco pessoas da mesma família pegam dengue em Fortaleza; casos já chegam a 13,4 mil

 Atualmente, Fortaleza soma 31,7 mil casos suspeitos de dengue, sendo 13,4 mil casos confirmados d...

Na casa do produtor de cinema Tarcísio Azevedo, 23, quase toda sua família teve, simultaneamente, casos de dengue. Além dele, o pai, de 63 anos, a irmã, 18, a doméstica, 32, e a sua avó, 82, sendo ela a primeira a ter a doença, há cerca de um mês, foram diagnosticados com a arbovirose em agosto. Moradores do bairro Varjota, em Fortaleza, suspeitam de um grande foco do mosquito aedes aegypti, transmissor da doença, na região.

Atualmente, Fortaleza soma 31,7 mil casos suspeitos de dengue, sendo 13,4 mil casos confirmados da doença em 2022, conforme o último boletim epidemiológico de arboviroses da Capital, referente ao acumulado da Semana Epidemiológica 1 a 34, correspondente ao intervalo do dia 1º de janeiro a 27 de agosto. O documento com os dados foi divulgado pela Secretaria da Saúde Municipal (SMS) na última terça-feira, 30.

Segundo Tarcísio, ele, o pai, a irmã e a mulher que trabalha na sua casa tiveram dengue no mesmo período em agosto. No entanto, antes disso, ele explica que a sua avó foi a primeira a ter a doença, um mês antes de todos serem diagnosticados com dengue. A única que não foi teve a doença foi a sua mãe.

“Pouco menos de um mês atrás, a minha avó, de 82 anos, já havia pego a doença. No caso dela, foi um estado bem mais grave do que todos nós. Porque, assim, ela é uma pessoa mais idosa. Então, ela chegou a ficar internada por causa da doença”, conta.

Após um mês, o produtor cultural diz que a doença voltou a atingir a sua casa. Dessa vez, atingiu outros quatro membros da sua família. No dia 16 de agosto, dois dias antes de viajar para Maceió, em Alagoas, o seu pai começou a ter os primeiros sintomas: febre e moleza no corpo. Dois dias depois, após realizar um exame de sangue, veio o diagnóstico de dengue.

Ainda segundo Tarcísio, no dia seguinte, no dia 19 de agosto, os sintomas chegaram para a sua irmã e para a doméstica na sua casa. No caso dele, a suspeita veio no sábado à noite.

“Foi assim quase que ao mesmo tempo, todo mundo começou a ter sintomas. Foram sintomas de moleza no corpo, febre, presos à cama com dormência, impossibilitado de fazer atividades, e ficamos assim por mais ou menos uma semana,” conta.

A família chegou a ir algumas vezes ao hospital e ser atendida por meio de consultas de forma online. No entanto, o tratamento, tanto do produtor de cinema como do restante da família, durante dez dias, ocorreu apenas com a hidratação de soro caseiro e muito repouso, como recomendado.

A recuperação da doença para todos veio na última terça-feira, 30, com a possibilidade de retorno de atividades físicas e laborais. Ele recorda que, no pico da doença, os quatro tiveram baixa nas plaquetas, mas que conseguiram se recuperar.

"Todo mundo teve uma baixa de plaqueta significativa, mas todo mundo conseguiu se recuperar bem. E, atualmente, todo mundo já ficou de alta, todo mundo com mais de 200 mil plaquetas. Mas, no auge da doença, todo mundo chegava a 40 mil", relata o produtor de cinema.

Suspeita do foco da doença

A família fez uma força-tarefa na casa de Tarcísio em busca de focos do mosquito, mas nada foi encontrado. O produtor, então, acionou os agentes de saúde para verificar se haveria focos na casa dos vizinhos.

“A gente chamou a Sucam para fiscalizar. Eles não encontraram nenhum foco da doença. Mas, eles disseram para a gente que tem três casas ao redor da vizinhança que estão abandonadas, e uma delas tem piscina e que, muito provavelmente, tem um foco de dengue que vem de lá”, disse.

Como forma contínua de prevenção contra a dengue e demais doenças transmitidas pelo aedes aegypti, a família do produtor segue no uso de repelentes e evitando possíveis focos do mosquito na residência, como locais com água parada, por exemplo.

Procurada pelo O POVO, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informa que o terreno onde localiza-se o suposto foco do vetor transmissor da dengue estava trancado e foi notificado para a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), que enviará uma equipe ao local para verificar a denúncia.

A pasta ressaltou que a equipe de Vigilância Ambiental realiza visitas periódicas à região com o objetivo de eliminar os focos de mosquitos transmissores de arboviroses (dengue, chikungunya e zika).

De acordo com o artigo 776 do Código da Cidade (Lei Complementar Municipal nº 270/2019), deixar de manter limpos, drenados e fechados os terrenos edificados é infração considerada grave.

Em casos de acúmulo de lixo em imóveis — abandonados ou não —, a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) identifica e autua o proprietário do local.

As penalidades previstas são multa, cujo valor vai de R$ 7,2 mil a R$ 32,4 mil, reparação, reposição ou reconstituição do local. O valor da multa aplicada depende de alguns fatores, como a gravidade da infração, as circunstâncias atenuantes e agravantes e a capacidade econômica do autuado.

Em 2022, até a SE 34, foram confirmados 117 casos de Dengue com sinais de Alarme (DSA) e quatro de Dengue Grave (DG), que evoluíram para óbito, sendo dois confirmados e dois em investigação. Os óbitos foram notificados nos meses de maio e junho. 

O último boletim epidemiológico das arboviroses em Fortaleza informa que o total das notificações de chikungunya, dengue e zika na Capital é 54.404 suspeitas. Dessas, 49,7% (27.050) foram confirmadas, sendo 49,6% (13.422) para dengue, 50,4% (13.627) chikungunya e apenas uma confirmação para zika.

Medidas de prevenção contra o mosquito

O calor, a chuva e a umidade são fatores que podem potencializar à reprodução do mosquito aedes aegypti, informou a Prefeitura de Fortaleza. Diante disso, algumas medidas simples, que podem ser feitas em casa pela população, podem combater a proliferação do vetor. Confira abaixo:

  • Vedar tonéis, caixas d’água, e quaisquer outros recipientes que armazenam água
  • Colocar areia nos pratos de vasos e plantas para evitar água parada
  • Evitar entulhos em espaços que possam armazenar água
  • Manter as calhas limpas, bem como ralos, de preferência com aplicação de tela
  • Limpar e escovar com frequência vasilhas de água e comida dos animais, mantendo-os limpos
  • Manter lixeiras fechadas o tempo todo
  • Cobrir piscinas e manter lonas esticadas
  • Limpar a bandeja externa da geladeira e a bandeja coletora do ar-condicionado
  • Utilizar repelentes, observando sempre o tempo de reaplicação contido no rótulo e aplicando 15 minutos depois de outros produtos, como filtro solar, hidratantes e maquiagens
  • Manter portas e janelas fechadas, sobretudo no período do nascer e pôr do sol. Se possível, instalar telas de proteção nas janelas
  • Quando possível, utilizar roupas claras que cubram a maior parte do corpo
  • Utilizar mosquiteiro nas camas e berços
  • Em caso de suspeita de dengue, zika, ou chikungunya, buscar a unidade de saúde mais próxima 

Como identificar caso suspeito de arboviroses?

Dengue

Pessoa que viva ou tenha viajado, nos últimos 14 dias, para área onde esteja ocorrendo transmissão de dengue ou tenha a presença de Aedes aegypti, que apresente febre, usualmente entre dois e sete dias;

Além disso, ela pode apresentar duas ou mais das seguintes manifestações: náuseas, vômitos, exantema, mialgia, artralgia, cefaleia, dor retro orbital, petéquias, prova do laço positiva ou leucopenia;

Toda criança proveniente ou residente em área com transmissão de dengue, com quadro febril agudo, usualmente entre dois e sete dias, sem foco de infecção aparente, também é considerado caso suspeito.

Chikungunya 

O paciente com febre de início súbito maior que 38,5° C, com artralgia ou com artrite intensa de início agudo, não explicado por outras condições, sendo residente ou tendo visitado áreas endêmicas ou epidêmicas até duas semanas antes de início dos sintomas, ou que tenha vínculo epidemiológico com caso confirmado.

Zika

O paciente com exantema maculopapular pruriginoso. Além disso, ele pode acompanhar os seguintes sinais e sintomas: febre, hiperemia conjuntival/ conjuntivite não purulenta, artralgia/ poliartralgia, edema periarticular.

 

O Povo

Tags