Atendimentos por picadas de escorpião têm alta de 31% em 2026

 

Casos de picadas de escorpião no Ceará reforçam a importância da prevenção e da busca rápida por atendimento médico, mesmo quando os sintomas parecem leves

Resumo

O Ceará registra aumento nos atendimentos por picadas de escorpião em 2026, segundo dados do IJF e da Secretaria da Saúde do Estado, reforçando o alerta para o crescimento dos acidentes;

Especialistas destacam que todos os casos devem ser avaliados por unidades de saúde, já que o soro antiescorpiônico é indicado apenas em situações específicas e os sintomas podem evoluir rapidamente;
 
Um caso recente envolvendo um fotógrafo no Pecém ilustra o risco dos acidentes e reforça a orientação médica de procurar atendimento imediato mesmo sem sinais graves iniciais;
 
 A plataforma SoroJá reúne informações sobre locais com disponibilidade de soro contra animais peçonhentos e foi criada como ferramenta informativa em homenagem a uma criança vítima de picada de escorpião, reforçando a importância do acesso rápido ao tratamento.

O número de atendimentos por picadas de escorpião aumentou em 2026 no Ceará, acendendo um alerta para os riscos associados ao acidente e a importância de procurar atendimento médico imediato, mesmo em casos aparentemente leves.

Apenas em janeiro, o aumento de atendimentos no Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), do Instituto Dr. José Frota (IJF), foi de cerca de 64% em relação ao mesmo período de 2025. Considerando o primeiro trimestre, o IJF registrou 898 atendimentos em 2026, contra 682 no mesmo período de 2025, o que representa um aumento de cerca de 31%

Em janeiro, foram 305 atendimentos, frente a 186 no mesmo período do ano anterior. Em fevereiro, os casos passaram de 226 para 284 (alta de cerca de 25%) e, em março, de 270 para 309 registros (crescimento aproximado de 14%). IJF é referência no atendimento a acidentes com animais peçonhentos.

Com a intensificação das chuvas, o risco de acidentes com escorpiões tende a aumentar, já que os animais procuram abrigo em locais secos dentro das residências.

A maioria dos casos envolve o Tityus stigmurus, conhecido como escorpião-amarelo, espécie mais comum na região Nordeste.

No Estado, a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) contabilizou 9.136 acidentes ao longo de 2025. Em 2026, até 7 de abril - pouco mais de três meses - já foram registrados 1.611 casos, indicando volume significativo de ocorrências no período.

Medidas como evitar acúmulo de lixo e entulhos, além do controle de insetos, especialmente baratas, que servem de alimento para escorpiões, são apontadas por serviços de saúde como fundamentais para reduzir o risco de acidentes.

Quando o soro é indicado

De acordo com a médica Kelma Maia, chefe do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) do IJF, há desinformação sobre o tratamento desses acidentes. “O soro antiescorpiônico é indicado em casos específicos e mais graves, ajudando a neutralizar o efeito do veneno”, explica.

Isso significa que nem todo paciente vai receber soro, mas todos devem ser avaliados por um serviço de saúde.

O alerta principal é que os sintomas podem evoluir com o tempo. Mesmo quando começam com dor local, podem se agravar horas depois, sobretudo em crianças e idosos. Em quadros mais graves, podem surgir sintomas como vômitos, sudorese e alterações cardíacas.

Relato de vítima

O fotógrafo Tavares Junior viveu recentemente um acidente durante um trabalho no Pecém. Ele conta que sentiu uma picada intensa na perna e, minutos depois, outra ainda mais forte. “Ardia muito, uma ardência muito forte. A dor vai irradiando e a pele fica dormente”, relata.

Ao verificar a roupa, encontrou um escorpião dentro da calça. Ele procurou atendimento em uma unidade de saúde, onde recebeu medicação e foi liberado sem necessidade de soro.

“Minha preocupação foi ir o mais rápido possível ao pronto-socorro”, afirma.

O caso reforça uma das principais orientações médicas: mesmo sem sinais graves iniciais, a avaliação é essencial.

Escorpião que picou o fotógrafo Tavares Junior durante trabalho no Pecém; caso reforça alerta para acidentes e importância do atendimento imediato(Foto: Tavares Junior/Reprodução)
Foto: Tavares Junior/Reprodução Escorpião que picou o fotógrafo Tavares Junior durante trabalho no Pecém; caso reforça alerta para acidentes e importância do atendimento imediato

Plataforma SoroJá

A discussão sobre o acesso ao tratamento de acidentes com animais peçonhentos tem ganhado destaque diante da importância da rapidez no atendimento em casos de picadas de escorpião.

Nesse contexto, foi criada a plataforma SoroJá, que reúne informações sobre unidades de saúde que disponibilizam soros contra animais peçonhentos em todo o país, com base em dados públicos do Ministério da Saúde.

Plataforma SoroJá reúne informações sobre unidades de saúde com soro antiescorpiônico e funciona como ferramenta de apoio para localização de atendimento no país(Foto: Site SoroJá/Reprodução)
Foto: Site SoroJá/Reprodução Plataforma SoroJá reúne informações sobre unidades de saúde com soro antiescorpiônico e funciona como ferramenta de apoio para localização de atendimento no país

O site informa que a iniciativa foi criada em homenagem a Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, que morreu após ser picado por um escorpião em março de 2026, no interior de São Paulo.

A plataforma tem caráter informativo e funciona como um mapa de referência para auxiliar a população a localizar serviços de atendimento. Ainda assim, reforça que não substitui a avaliação médica, e que a indicação e aplicação do soro devem ser feitas exclusivamente por profissionais de saúde.

Como prevenir

Medidas simples podem reduzir o risco de acidentes:

  • Verificar roupas, sapatos e roupas de cama antes de usar
  • Evitar acúmulo de lixo e entulhos
  • Instalar telas em ralos e pias
  • Controlar baratas e outros insetos
  • O que fazer em caso de picada

As orientações são:

  • Manter a calma
  • Lavar o local com água e sabão
  • Não apertar nem aplicar substâncias
  • Procurar imediatamente uma unidade de saúde

Crianças menores de 7 anos devem ser encaminhadas diretamente ao IJF.

Se possível, também é recomendado fotografar o animal para auxiliar na identificação.

Atendimento 24h

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), do IJF, funciona 24 horas por dia, com orientação por telefone, WhatsApp e atendimento presencial. A unidade informa que está abastecida com soro antiescorpiônico para os casos indicados.

O Povo 

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